Já era costumeiro…
Ia acontecer, mais uma festinha em uma das casas do condomínio de luxo.
A animação com os preparativos era intensa.
Ali também morava uma família com um filho autista.
Quando o menino era pequeno, esta família era sempre convidada.
Mas o menino autista cresceu e na época da sua adolescência
ficou mais agitado. Balançava mais os braços.
Era fugidio de olhares. Emitia uns sons inteligíveis.
Por causa disso, aquela família nunca mais foi convidada
para nenhuma festa.
A mãe do autista  era professora de uma escola pública.
E sentiu muita tristeza diante daquela frieza.
Um dia um de seus alunos de dez anos, perguntou a razão da sua tristeza.
Ela precisava desabafar…
Seu coração estava muito apertado.
Então disse ao seu aluno que tinha um filho autista.
E que por isso ele nunca era convidado para uma festa.
O menino na sua pureza disse:
-Eu também não Tia, porque sou pobre.
Olhando a expressão triste do menino, a mãe do autista teve uma ideia.
-Você quer ir numa festa, que se chama:- Festa de festa?
O sorriso de orelha a orelha do aluno indicou a resposta.
E então assim aconteceu.
A mãe do autista fez a festa de festa e convidou todos os alunos da sua classe com seus pais.
Chegou o dia…
Em um lindo dia de verão.
Um Buffet delicioso estava preparado para eles.
Uma música suave embalava o jardim gramado, com suas mesas de toalhas azuis.
Muitas bolas azuis, grandes e pequenas faziam um grande corredor em direção à piscina onde havia dois guardadores .
Nada mais encantou aquelas crianças que aquele corredor azul !
A mãe do autista sorriu ao vê-los tão inebriados.
O aluno que lhe dera a ideia da festa radiante lhe perguntou:
-Tia onde está o teu filho que ninguém gosta?
– Ali filho, isolado de todos.
O aluno então foi até o autista e pegou sua mão.
Ao ver o aluno com o autista os outros coleguinhas, correram para os rodear.
Esperando que o autista lhes desse a direção da brincadeira.
-Vamos brincar? Perguntou o aluno sem se incomodar com o jeito
tímido dele.
autista sem olhar para o menino lhe apontou a piscina.
-Você manda! Disse o aluno satisfeito com a resposta.
E então, todos entraram no corredor das bolas azuis.
A euforia tomou conta deles!
Mas quando chegaram na piscina o autista parou.
Mas o menino sem nunca soltar sua mão disse:
– Vamos pular todos com você!
-De roupa e tudo? Perguntou um deles.
-Sim, a tia disse que podemos brincar de tudo!
E todas as crianças pularam.
Menos o autista e o menino.
Gargalhadas e bolhas de felicidade explodiram
todas de uma só vez dentro da piscina.
Espalhando chuva de alegria no ar!
E deixando aparecer incredulidade nos olhos surpresos do autista!
Será que podia brincar como eles?
Então, todos começaram gritar o nome do autista em uníssono
pedindo que ele também pulasse.
autista olhou suas roupas impecáveis de festa.
O menino ao seu lado disse:
-Vamos? – Hoje tudo é possível!
E eles pularam!
Meninos e meninas acolheram-no na maior festa de festa!
Gritando seu nome como se fosse um Herói!
Tornando aquele dia o mais feliz da sua vida.
Aonde a alegria veio espontânea e livre de qualquer
Preconceito.
Quem passava lá fora sentiu uma alegria de verdade naquele local.
Mas nunca poderiam fazer uma festa como aquela.
Pois nunca usaram os maiores itens presente:
Inclusão.
Pureza.
Liberdade.
Ray Gonçalves Mélo (mãe a de Filipe Mélo Autista pintor)
Descrição da imagem: #PraCegoVer
Card com fundo azul escuro com faixa branca centralizada e escrito em azul escuro: AutismoS & Depoimento. Na parte inferior à direita, está a logo do Grupo AutismoS: 4 mãos coloridas: amarela, vermelha, azul clara e azul escura; logo abaixo das mãos, há escrito: autismoS em azul escuro; e na sequência, grupo de apoio educacional