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Quando a Crise é Imprevisível – Silvia Verga

Quando a Crise é Imprevisível – Silvia Verga

Quando a Crise é Imprevisível

Enquanto escrevo este artigo para famílias de
crianças com autismo, como a minha, vivemos em
meio a uma crise global imprevisível. Como pais de
crianças especiais, entendemos bem a crise. Nossos
filhos, em muitos casos, se envolvem em
comportamentos perturbadores, como uma birra ou
agressão, que podem levar a uma crise inegável. Nós,
como pais, entendemos o significado da crise.
Estamos constantemente num duelo ajudando nossos
filhos a superar a birra ou a busca interminável de
um profissional qualificado para trabalhar com nossos filhos, ou
negociando um sistema educacional que nem sempre é preparado para
receber nossos filhos devido à falta de recursos. Pais de crianças autistas,
entendem a crise.

Meu filho com autismo leve tinha cinco anos
quando foi convidado para a festa de aniversário
de seu colega de escola. Eu estava no trabalho e
meu marido o levou para a festa. Nós pensamos –
Jeremy conhece bem o amigo, eles passam horas
juntos na sala de aula, todos se conhecem. O que
poderia dar errado? Bem, o pior possível. Jeremy chegou à festa e logo
depois fez a pior birra de sua vida, deixando meu marido surpreso e todo
mundo sem palavras. Após esse incidente, entendemos que precisávamos
aprender a lidar com essa crise. Precisávamos de ferramentas para
impedir que isso acontecesse. Precisávamos de ferramentas para lidar com
a crise quando ela aparecia. Aqui estão algumas das coisas que
aprendemos:

1. Fizemos o possível para manter a calma, pois seu comportamento
provavelmente provocaria emoções em nós. Quando o
comportamento dele parecia demais para mim, eu pedia ao meu
marido que intervisse para que eu pudesse fazer uma pausa e
respirar fundo. Eu precisava de tempo para me lembrar que seu
comportamento não era um ataque contra mim, mas sua maneira de
comunicar que ele estava em um estado emocional de dor.

2. Definimos eventos, ativador da raiva ou sinais de que uma situação
de crise poderia se desenvolver: uma vez que soubéssemos o que o
desencadeou, evitávamos esses lugares ou eventos antes de
desenvolver estratégias que permitissem que ele tivesse escolhas e
expressasse sua frustração diante de uma situação que o levaria a
uma birra fora do controle.

3. Fornecemos instruções claras e usamos linguagem simples. Depois
de reservar um tempo para me reagrupar e dar espaço a ele, pude
me comunicar com ele em poucas palavras, na época, o que
precisávamos que ele fizesse a seguir. Sempre afirmando que o
amamos; nós entendemos que ele estava tendo um momento difícil e
estávamos lá esperando para ajudá-lo.

Uma crise pode ocorrer em nossas vidas a qualquer momento. No entanto,
a forma como lidamos com a crise é o que define seu resultado. É
importante ter um plano, mais de um. Plano A. Plano B. Plano C, e até um
Plano D, se necessário. Enquato prepararmos para crises futuras, olhamos
para crise passadas em respostas para que possamos estar melhor
equipados para enfrentá-la.

Escrito por Silvia Verga, mãe de autista, coach familiar e consultora que vive em Nova
Iorque desde 1998 e e original de Gaspar, SC. Dia 5 de Maio de 2020.

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