A Terapia Ocupacional promove, previne, trata e reabilita indivíduos portadores de algum tipo de alteração.

Seja cognitiva, afetiva,  perceptiva ou psico-motora , decorrente ou não de distúrbio genético.      

No que tange o terapeuta ocupacional e o autismo, o objetivo global do T.O é ajudar a pessoa com autismo a melhorar a qualidade de vida num todo, tentando auxiliá-lo à independência.

      No texto abaixo, escrito por Gizela Leite, terapeuta ocupacional do Centro de Educação Municipal Educação Alternativa CEMEA/Blumenau, será abordado como se dá a intervenção do terapeuta ocupacional em relação ao autista.

O AUTISMO E A TERAPIA OCUPACIONAL

A terapia ocupacional é uma profissão da área da saúde que promove prevenção, tratamento e reabilitação de indivíduos portadores de alterações cognitivas, afetivas, perceptivas e psico-motoras, decorrentes ou não de distúrbios genéticos, traumáticos ou de doenças adquiridas por meio da utilização da atividade humana como base de desenvolvimento de projetos terapêuticos específicos. 

É uma área que tem intervenção voltada para a pessoa e seu grupo social. O objetivo é ampliar o campo de ação, desempenho, autonomia e participação, considerando recursos e necessidades de acordo com o momento e lugar, estimulando condições de bem-estar e autonomia. Por meio do fazer afetivo, relacional, material e produtivo o profissional contribui com os processos de produção de vida e saúde.

A relação do terapeuta ocupacional e o autismo se dá nas intervenções clinicas onde são trabalhadas principalmente as questões de alterações nas modulações sensoriais. Sabemos hoje que entre 40% a 85% das disfunções de integração sensoriais (alterações nas modulações sensórias) acontecem nos Autistas e na Síndrome do X Frágil. 

Integração sensorial é um processo cerebral que leva à organização e interpretação das informações que recebemos dos sentidos (equilíbrio, audição, visão gravidade, posição do corpo, movimento, toque, cheiro e paladar), para que o mundo nos faça sentido e possamos agir sobre ele. Nos autistas, este agir sobre o mundo ocorre de uma maneira peculiar e singular para cada indivíduo, pois além das dificuldades de interação social, comunicação tem uma disfunção sensorial que interfere no seu agir.

Dentro da disfunção sensorial o indivíduo pode ser caracterizado como:

Hipersensibilidade: É aquele que sente a sensação mais rapidamente mais intensamente ou durante mais tempo, que as crianças normais.

Hiposensibilidade: É aquele com respostas comportamentais diminuídas as sensações, consciência limitada da sensação, não explora o ambiente. Seus sistemas sensoriais são sub-ativados, habilidades de discriminação limitada por isso procuram estímulos.

Algumas dicas de atividades para se trabalhar com os autistas com disfunção sensorial:

 HIPERSENSIBILIDADE HIPOSENSIBILIDADE

Caixa surpresas ou sensoriais; Massinha, areia;

Massagem, abraços apertados; Brincar no balanço ou rede; Quadro de rotina; Ambientes organizados; Soprar bolas de sabão; Brincar de adivinhar a comida; Conectar o movimento ao som; Usar tampão de ouvido.

 

Pintura com os dedos; Colete de neoprene e cobertores ponderados; Brincar de estatua, Pendurar de cabeça para baixo; Carregar e ou empurrar caixas de peso; Yoga; exercícios que imitam o andar dos animais; Pique esconde com a lanterna; garrafas sensoriais: desenho pinturas colagens; Beber líquidos em garrafas ou canudos; Tentar comer algo novo antes das refeições; Escutar música calma; Brincar com instrumentos musicais.

Em todas as situações é sempre indicado o circuito motor associado ao sensorial mas sempre respeitando a singularidade e capacidade de cada indivíduo.

Durante o acompanhamento deste profissional o indivíduo deve estar ativamente envolvido, nem que no início o terapeuta será o espelho para a atividade. É permitido que se movimente, salte, alcance, balance e esbarre. É desafiado a movimentar-se e a fazer mudanças de ambientes, de forma a criar desafios cada vez mais complexos favorecendo assim a integração perceptiva motora e a socialização do autista.

Para esta intervenção dar certo é necessário além do conhecimento, mas acima de tudo o afeto ao outro e a capacidade de troca e vínculo entre terapeuta-paciente –família. Sempre tendo a parceria da escola, que acredita na inclusão e cria estratégias pedagógicas para que isto ocorra. Lembrando que as dicas de atividades servem para todos os alunos, o cuidado com o aluno autista é seguir as orientações dadas pelo profissional que atende. Afinal a informação é a melhor ferramenta que existe.

Gizela Leite

Terapeuta Ocupacional 

 

REFERENCIAS:

http://www.crefito9.org.br/terapia-ocupacional/o-que-e-terapia-ocupacional/164, ASSESSADA EM 07 DE OUTUBRO DE 2018

www.crefito9.org.br
A terapia ocupacional é uma profissão da área da saúde que promove prevenção, tratamento e reabilitação de indivíduos portadores de alterações cognitivas, afetivas, perceptivas e psico-motoras, decorrentes ou não de distúrbios genéticos, traumáticos ou de doenças adquiridas por meio da utilização da atividade humana como base de desenvolvimento de projetos terapêuticos …

 

SERRANO, P. : A Integração Sensorial no desenvolvimento e aprendizagem da criança, Editora Papa-Letras , Lisboa, 2016.

http://www.estouautista.com.br/ acessado em 07 de outubro de 2018.

www.estouautista.com.br
A maioria dos autistas sofrem de distúrbio do sono. A falta de sono leva os autistas e seus familiares a terem diversos problemas como agressividade, depressão, hiperatividade, aumento dos problemas de comportamento, irritabilidade e má aprendizagem e desempenho cognitivo.