Nossa formadora voluntária, pedagoga em educação especial, Tatiana Cristine Schmidt Silva, nos traz um texto para refletirmos pontos relevantes e úteis para o bom relacionamento em sala de aula.

MEU ALUNO É AUTISTA, E AGORA?
Início do ano letivo e sou chamada pela coordenadora da escola para me informar que terei um aluno com autismo…
E agora? O que faço?
Quantos professores, já passaram ou ainda passarão por uma situação igual a essa?
No primeiro momento me deparo com um turbilhão de sentimentos… medo, angústia, dúvidas. 
Começo a ler, procurar na internet informações, falar com outros profissionais sobre o assunto e percebo a necessidade de que, como professora, devo me preparar e me dedicar ainda mais.
A essência e os conceitos que fundamentam as práticas educativas aplicam-se na escola e adequam-se a qualquer aluno.
E como professores, educadores, devemos transformar as necessidades dos nossos alunos em amor pela aprendizagem.
O autismo não tem “cara”, forma física, sinais na pele ou no rosto e não aparece em exames de imagem ou de som.
O vínculo do aluno autista com o professor é o começo do processo de construção da sua “autonomia na escola”. 
Devemos conceder-lhe autonomia e identidade.
Devemos ensinar para o amor e não para o método.
O currículo não pode ser engessado, inflexível. É preciso pensar na diversidade e nas possibilidades que todos possuem. 
É importante utilizar as habilidades, interesses, características do aluno com TEA para planejar o conteúdo. 
É necessário que haja sensibilidade e dedicação para que os professores entendam as especificidades do aluno autista.
Ainda que o aluno não aprenda perfeitamente o que se busca ensinar, com certeza a comunicação, socialização, a cognição e os movimentos estarão sendo trabalhados. 
Haverá  conquistas e erros, muitas vezes mais erros do que conquistas, mas o trabalho jamais será em vão.
Como diz Paulo Freire ,”não há educação do medo. Nada se pode temer da educação quando se Ama”.
É fundamental que as pessoas vejam o autista como ele É, e não tentem transformá-lo numa pessoa típica.
E para nós professores, além da nossa atribuição de ensinar, há a nossa aptidão de educar pelo nosso exemplo e Amor.
 
                                           Tatiana Schmidt Silva
Pedagoga, Educadora Especial, especialista em Educação Inclusiva e Neuropsicopedagoga.
Proprietária da Clínica Espaço do Saber.