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Hoje comprei uma camiseta pro Victor e me dei conta de que ele usa…

Hoje comprei uma camiseta pro Victor e me dei conta de que ele usa…

Hoje comprei uma camiseta pro  Victor e me dei conta de que ele usa o mesmo tamanho de 12 anos atrás.
Passamos por várias fases no que diz respeito a alimentação dele mas na época não sabia sobre  Transtorno Sensorial e que acomete a maioria esmagadora das pessoas com autismo. Era feeling, tentativa e erro, às vezes muito erro.
A primeira fase preocupante relacionada a alimentação foi a seletividade, por volta dos dois anos. Ele só queria comer pão de queijo e batata. Só isso! É de enlouquecer qualquer mãe.
A nutricionista que nos orientou, pediu que déssemos batata frita pra ele:
– Juliane, você frita a batata e a cada dia deixa ela um pouco mais crocante, até ficar bem torradinha. Quando chegar nesse ponto, tentamos introduzir outros alimentos.
Ela teve a sacada de que o que podia incomodar o Victor era a textura. Fomos trabalhando cores e tal, não chegamos a perfeição, mas conseguimos melhorar muito a variedade.
Depois veio a fase mais complicada até hoje, a compulsão alimentar (também ligada ao TS). Foi uma fase  ainda mais exaustiva e demorada.
Ele comia TUDO, quantidades absurdas de comida.
” Ah! É só não dar, né? Simples!”
Ele quebrou portas (no plural) , vasculhou casas, armários e bolsas. Se não tivesse comida, ele tomava água. Melhor? Não exatamente, exageros são venenos, isso inclui a água. Afinal não estou falando de 1 litro ou 2. Acreditem, não era nada simples.
Novamente tive a sorte de ter uma nutricionista que conseguiu olhar de verdade pra situação. Ao invés de trocar todos os alimentos, focou nas porções, e até hoje ele só repete em ocasiões muito especiais.
Pensando nas situações que passamos, hoje com a perspectiva do TS,  agradeço por ter feito aos poucos, por ter tido paciência e respeito. Mas vamos lá, somos (nós mães) programadas pra alimentar nossos filhos, e é muito difícil negar comida pra uma criança de 5, 6 anos, ainda mais arroz, feijão e carne. Mas tinha que ser feito, era minha responsabilidade e ainda é.
Entrando em uma nova fase de revisão e reeducação alimentar, foi bom lembrar disso pra dar perspectiva.
Juliane Santa Maria
Mãe de Victor Hugo, autista não verbal 18 anos .
Foto: @vieler.photography
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