Formação continuada inclusiva

Embora a Constituição Federal (BRASIL, 1998) assegure igualdade para todos os cidadãos, e diversas outras leis[1] versem sobre a proteção dos direitos inclusivos, muitas escolas ainda utilizam o método da Integração do aluno atípico em sala de aula como forma de inclusão escolar.

Dentro ou fora de classe, há necessidade de agentes educacionais que promovam a inclusão por meio de ações imediatas de socialização, mediação e suporte adaptado, promovendo acolhimento e auxiliando o desenvolvimento de todos, pois, as diferenças devem ser trabalhadas com todos os alunos independente de terem (ou não) um laudo. Esse laudo resguarda os diretos, mas a inclusão serve para todos os alunos, sejam diferenças de comportamentos, opiniões e até necessidades especiais. Dessa forma, negar o direito de um aluno frequentar a escola seria negar o direito dele de viver em sociedade com os mesmos direitos de todos de ir e vir com segurança e qualidade de vida.

Cabe salientar que a inclusão traz benefícios não somente aos alunos atípicos, por terem seus direitos salvaguardados, pela interação sociocultural, pelo aprendizado e pela valorização de suas potencialidades, mas também para todos: a) aos alunos neurotípicos, por aprenderem a lidar com o diferente, a desenvolverem novas maneiras de interagir com quem não fala, não ouve ou não enxerga, por exemplo. Essa necessidade de adaptação na socialização será extremamente importante no futuro das crianças neurotípicas. Se bem orientadas, elas se tornarão adultos mais bem preparados para enfrentar os mais diversos tipos de ambiente profissional, acadêmico e até familiar — e poderão colher os benefícios disso; b) à escola, que se capacita para lidar com todos os alunos; c) ao professor, por exercer seu papel de mediador educacional e de socializador de todos os alunos, e não de alguns; ou seja, um agente de transformação social.

Todavia, para isso ocorrer, o docente tem que ter opções de cursos, palestras, entre outros para ele rever e/ou aprender e/ou reciclar seus conhecimentos. Nesse sentido, a formação continuada é o lócus privilegiado da construção dos saberes profissionais da docência, no qual o agente educacional confronta a teoria com os desafios da prática, além de ter informações atuais e pertinentes sobre o TEA para transformar seu cotidiano docente mais inclusivo.


[1]Lei nº 9.394/1996 – Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN); Lei nº 8.069/90 – Estatuto da Criança e Adolescente (ECA) toda criança tem o direito ao acesso à escola); Lei nº 12.764/2012 – Institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista e Lei nº 13.146/2015 – Inclusão da Pessoa com Deficiência/ Estatuto da pessoa com Deficiência.