Neste ano muita coisa foi mudada.
Lojas fechadas, padarias sem pães e mãos sempre higienizadas. A falta que o certo do nosso cotidiano faz é certeira. A rotina que nos organizava se desorganizou em uma só notícia, a correria cessou e as preocupações se modificaram em um
anúncio. Ficar em casa não é apenas uma orientação a ser seguida, mas uma exigência sobre como devemos nos organizar financeiramente, psiquicamente e afetivamente. O tempo que nos foi dado em isolamento não apenas nos isola, ele também nos desafia.
As escolas foram encerradas. Profissionais da Educação fazem o possível para transmitir seus conhecimentos através da internet. Crianças e adolescentes estão em casa. Algumas mães e outros
pais começam a descobrir seus filhos e filhas. São meninos e meninas neurotípicos, autistas, com deficiências, superdotados, agressivos, hiperativos, ansiosos, com boas e péssimas notas, ocupando o sofá de casa ao invés da carteira da escola.
A família, angustiada com tanto tempo, ainda que sem notar, se preocupa com uma questão que é urgente – O QUE SE PERDE QUANDO FALTA ESCOLA?
É quando se percebe que professores e professoras não são cuidadores, mas educadores, que o
esclarecimento sobre a relevância da Educação acontece. Escola não é depósito de gente. Não basta cuidar, é preciso ensino que desenvolva autonomia. Educação de qualidade é um movimento
qualificado que insiste em apostar em cada criança e adolescente como único e única. “Para uma criança a escola é seu lugar social” (KUPFER & PATTO & VOLTOLINI, P. 27, 2017).
A falta que a Escola faz é a Educação que ela faz. Não é preciso pandemia para valorizar a Educação.
Pedro Henrique Ferreira, Psicólogo.
KUPFER, Maria Cristina Machado; PATTO, Maria Helena Souza; VOLTOLINI, Rinaldo. Práticas inclusivas em escolas transformadoras: acolhendo o aluno-sujeito. São Paulo: Editora Escuta, 2017.