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Ensino com Empatia – Eugênio Cunha

Ensino com Empatia – Eugênio Cunha

Ensino com empatia

Eugênio Cunha

Enquanto você está lendo as primeiras palavras deste texto, seu cérebro está processando sensações, informações, sentimentos e dando significado a tudo que é percebido pelos seus canais sensoriais. Num fugaz momento, ativa-se diversas regiões do córtex cerebral para produzir conhecimento.

Podemos não perceber, mas isso acontece todos os dias, em todos os momentos. Trata-se de aprendizagem. Independentemente de dificuldades ou deficiências, todos, ao seu modo, têm capacidade de realizar essa dinâmica cognitiva complexa e sofisticada.

Penso que o desconhecimento desses processos sinápticos, tem trazido entraves à inclusão escolar e social, pois há ainda quem ache que algumas pessoas não são capazes de aprender.

Resolvi escrever sobre esse assunto, porque vejo ainda que muitos autistas, bem como pessoas com outras deficiências ou dificuldades, impedidas de terem acesso ao ensino comum, porque se questiona sistematicamente suas condições de aprendizagem.

Em muitos casos, mesmo aqueles estudantes que têm altas habilidades são considerados incapazes, porque não se adequam ao sistema escolar.

Fato corriqueiro da educação infantil ao ensino superior.

Para que a educação ocorra, é preciso que haja empatia em quem aprende e, principalmente, em quem ensina.

Ter empatia significa ter a capacidade de impregnar-se da humanidade do ofício educativo; de partilhar emoções e significados.

Em outras palavras, colorir e fazer parte do mosaico da vida, dos matizes que nos permitem estabelecer relações de equidade.

É possível que o autista desenvolva suas competências em sala de aula, desde que – como já dizia Paulo Freire – as práticas pedagógicas estejam impregnadas de sentidos.

Não se deve desprezar a inteligência de ninguém, mesmo nos casos de maiores comprometimentos intelectuais.

Pesquisas mostram que a capacidade cognitiva e o comportamento são os dois fatores mais determinantes para a exclusão escolar.

As instituições educacionais e a sociedade precisam entender que a inteligência é da natureza humana. Trata-se de uma indelével condição biológica.

Ninguém está destituído desse especial atributo.

Ademais, educar o aluno com autismo é construir um percurso pedagógico, em que primeiramente aprendemos e depois ensinamos.

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