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Depoimento de Sílvia Verga

Depoimento de Sílvia Verga

Dia 12 de dezembro 2003, minha vida mudou pra sempre.

Com três quilos, 670 g, nascia o meu menino, Jeremy.
Com muito preparo e antecipação esperávamos sua vinda.
Chegamos em casa do hospital preparados para iniciar mais uma jornada em nossas vidas.
Jeremy crescia saudável feliz e cheio de energia. Ele desenvolvia tipicamente até idade de dois anos, quando então se tornou muito hiperativo e não gostava de ser pego no colo, chorava muito e muitas vezes, à noite toda.
Em março de 2007 as coisas mudaram, ele começou a regredir rapidamente. A princípio perdeu contato visual e linguagem verbal. Já não falava e não olhava nos olhos nem respondia a seu próprio nome. Ele girava sem parar, fazia movimentos repetitivos com a mão e sorria por motivo nenhum, isso fazia por muitas horas durante o dia.
Acordava no meio da noite e andava na sua cama da cabeceira a ponta da cama fazendo movimentos repetitivos e rindo por motivo nenhum.
Ele não sabia brincar com outras crianças, para chamar atenção delas ele as empurrava sendo muito difícil estar com ele a lugar algum. Quando chegou a esse ponto eu já estava desesperada não sabia o que estava acontecendo, meu marido falou a palavra “ autismo “ e imediatamente eu entrei em pânico e comecei a pesquisar tudo que eu podia sobre o assunto.
Eu sabia que precisava fazer algo para ajudar o meu filho.
Eu aprendi sobre dietas sem glúten sem caseína e comecei a trata-lo com essas dietas imediatamente.
Durante essa época conheci uma homeopata especializada em homotoxicologia. Mary era única que praticava Homotoxicologia em Nova Iorque e começou a tratar o Jeremy.
Ela também tinha um filho com autismo e ele teve grandes resultados com o tratamento.
O Departamento de educação especial aqui no estado de Nova Iorque é um dos melhores do mundo.
Somos muito gratos por estarmos neste país. Jeremy teve muitas oportunidades de terapia tratamento alternativos.
Mas nada foi fácil, tivemos que lutar muito pelos direitos dele. Através dos anos me tornei uma lutadora pelos direitos do meu filho e eventualmente uma lutadora dos direitos de todas as crianças com necessidades especiais que encontrava em minha vida. Retornei a universidade recebi uma bacharelado em serviço social e psicologia mas não parei por aí, voltei e fiz um mestrado em serviços humanos enfocando em terapia familiar e educação especial.
A necessidade fez com que eu começasse uma organização sem fins de lucros focada em apoiar famílias de crianças com necessidades especiais. Com o apoio da minha igreja, promovíamos grupo de apoio para pais de crianças especiais e socialização para crianças com Autismo e desabilidades relacionadas.
Meu filho não tinha amigos além do irmão dele. Éramos nós quatro, eu, meu marido, meu filho mais velho e o Jeremy. Frequentávamos uma igreja muito apoiadores e amorosa, mas sem nenhuma experiência com crianças especiais.
Por isso me dediquei anos trabalhando em favor de inclusão de crianças especiais em instituições religiosas.
Voltando ao diagnóstico do meu filho, depois da avaliação psicológica, psicossocial e educacional, ele foi admitido em uma escola com enfoque em ABA.
Dois meses depois a escola me chamou para uma reunião. Achando eu que era uma reunião de pais, fiz uma torta de frango e salada e foi feliz para reunião. Chegando lá a reunião era com a psicóloga e a diretora da escola.
Fui pega totalmente de surpresa. Com muita falta de cuidado, a psicóloga me fala que meu filho não pertencia aquela escola, que deveria estar numa instituição para crianças com doenças mentais.
Eu não consegui entender o que estava acontecendo, pois meu filho tinha somente três anos e meio.
Como ela podia dizer que meu filho era perigoso para a sociedade?
Como meu filho poderia estar numa escola totalmente equipada para crianças com problemas comportamentais, com estrutura de ABA, com profissionais equipados para trabalhar com ele, e mesmo assim sendo expulso da escola por mal comportamento?
Naquele dia voltei da reunião, cheguei em casa e chorei à noite inteira. Pensava comigo mesmo: o que será do meu filho?
No outro dia, despertei cedo, e como uma mulher de fé e crente em Jesus Cristo, me coloquei de joelhos, e pedia Deus para que mostrasse o caminho. Estava totalmente confusa e sem saber o que fazer. Pois no meu entendimento meu filho estava na melhor escola possível.
No mesmo dia liguei para uma amiga que é advogada aqui em Nova Iorque. Contei pra ela história e pedir para que me desse algum conselho. Ela me ajudou durante todo processo.
Solicitei uma reunião na escola, estudei sobre as leis de educação nos Estados Unidos, preparei meu discurso, e foi totalmente preparada pra lutar pelos direitos do meu filho naquela reunião.
No dia da reunião falei exatamente o que eu tinha me preparado pra falar. Antes de começar a reunião pedir permissão para gravar a reunião. Naquele mesmo momento a representante do distrito educacional, falou exatamente assim: senhora Verga, o que a senhora quer para o seu filho? Pode pedir o que quiser e eu vou fazer tudo para que ele receba o melhor educação possível. Algumas semanas depois meu meu filho estava numa escola privada com melhores professores e dessa vez professores capacitados e com muita experiência.
Não foi fácil no começo, mas continuei as terapias, homotoxicologia e a dieta.
Oito meses depois na escola nova quando meu filho tinha 4 a quatro anos e meio, a professora me liga da escola:
-Senhora Verga o que a senhora tem feito diferente? Está fazendo uma dieta diferente, uma terapia diferente?
-Não professora. Ele está a mesma dieta mesmo intervenção que já estava antes da escola.
-Bom que a senhora está fazendo está realmente trazendo resultados porque o Jeremy está falando, está se comportando, seguindo as regras, está lendo e fazendo amigos na escola.
Aquele momento eu não consegui responder a ela, desliguei o telefone e comecei a chorar, mas dessa vez não de tristeza, mas de alegria e de certeza de que Deus havia respondido minhas orações.
Daquele momento em diante eu comecei acreditar que, meu filho falará mais, terá muitos amigos, conseguirá terminar o colegial, seguirá na faculdade, um dia se casará e se for da vontade de Deus e da dele, terá filhos também.
Que meu filho vai ter uma vida cheia e plena, como a gente fala no Brasil: “Com dinheiro no bolso e saúde pra dar e vender.”
Meu filho não chegou lá ainda, ainda está no colegial, mas tem amigos, vai para escola sozinho, faz suas tarefas sozinho e sua média geral é 87 – média mais alta aqui é 100.
Para você que está lendo esse testemunho, nunca pare de acreditar, nunca pare de sonhar por seu filho, continue celebrando todos os momentos, todas as vitórias e lembrando que as dificuldades também fazem parte do nosso crescimento e do crescimento deles.

Acredite na superação do seu filho, mesmo que superação pra ele seja escrever o seu próprio nome, que superação para ele seja cumprimentar as pessoas, que superação pra ele seja fazer a diferença na vida de outras pessoas não por quem eles vão ser mais por quem eles já são.

Sílvia Verga

Coordenadora de famílias através do Projeto surdo-cegueira do estado de New York
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