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Depoimento de Marcelo Rodrigues

Depoimento de Marcelo Rodrigues

Em 2008, dois anos após o diagnóstico de Peu, eu e Cau (a mamãe dele) fomos a um congresso para pais de autistas e nos surpreendemos com a abordagem positiva e humanista para o autismo que os organizadores nos apresentavam. Até então só tínhamos nos deparado com terapias de poucos resultados e com pouca perspectiva de evolução para Pedro.
Foram 3 dias com muitos conteúdos e trocas de experiências entre os pais. Dentre todos os ensinamentos, teve um que ficou bastante marcado para mim, uma frase que ouvimos logo no primeiro dia do encontro. Ela dizia: “O primeiro passo para a melhora da criança é amá-la e aceitá-la.” Pensei comigo mesmo, “amar é fácil, eu amo muito o meu filho!” (qual pai que não ama?) e aceitação eu pensei, “é pelo visto vou ter que me conformar com a condição do autismo de Peu.” Como eu estava enganado!
Levaram alguns meses para eu entender o verdadeiro significado daquelas duas simples palavras. Diariamente eu ainda penso nelas e procuro colocá-las em prática com Peu.
Amar é muito mais do que dizer “Eu te amo, meu filho!”, principalmente se for nos momentos em que ele estiver arrumadinho, bonitinho e feliz, ou quando faz alguma coisa que mereça nosso carinho e afeto. Demonstramos o verdadeiro amor quando estamos ao seu lado também nos momentos difíceis, quando precisamos ser pacientes e resilientes, quando ele estiver sem conseguir dormir ou quando acordar no meio da madrugada e não dormir mais, quando ele tiver uma crise, quando ele jogar-se ao chão recusando-se a fazer algo ou até quando trocamos nossos momentos de descanso para poder brincar alegremente com ele.
Nosso amor também é demonstrado quando o levamos para as terapias ou para escola, não como uma obrigação, mas como uma forma de contribuir para o seu desenvolvimento.
Já aceitação, significa abraçar o seu jeito de ser, não ver suas diferenças como fraquezas ou deficiências, mas como uma forma peculiar dele experimentar o mundo, incentivar os seus pontos fortes e interesses. Em vez de tentar impor, exigir e pressionar, ser o seu parceiro para que ele confie em você como um guia.
Por isso, com muita certeza posso dizer, eu amo e aceito meu filho!
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