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Depoimento de Dra. Gelta Cheren, médica cirurgiã plástica, mãe de Sophia e Orlando, Down.

Depoimento de Dra. Gelta Cheren, médica cirurgiã plástica, mãe de Sophia e Orlando, Down.

“A chegado do Orlando minha vida foi com se o chão se abrisse aos meus pés.
Fiquei péssima, nem olhava para a carinha dele. 
Não o amamentava e nem me levantava da cama nos primeiros 45 dias.
O pai dele ficou melhor, encarou como um desafio.
Sophia parou de comer, ela tinha um ano e não entendeu nada.
Eu não trabalhava, não tinha dinheiro, meu marido perdeu emprego. 
Eu o levava na APAE, até que um dia, 8 meses depois, resolvi trabalhar e cuidar do meu filho.
Foi difícil… andar, falar, comer, ler, escrever, mas fomos juntos, vencendo os problemas a medida que apareciam
As escolas não o aceitavam. Batia inúmeras vezes nas portas e elas não se abriam para nós.
Cada um foi para um colégio.
Minha filha falou uma vez queria ser Download, porque o pouco tempo que eu tinha era para o Orlando e ela teve de se virar mais sozinha.
Bem, passados alguns anos nós todos aprendemos com o Orlando: 
Paciência;
Calma;
Não me apresse;
Sou um só, abaixe a pressão;
Música me acalma;
E banho resolve tudo.
Ele é o grande herói de nossas vidas e nós duas (o pai faleceu quando ele tinha 16 anos) temos muito orgulho dele. Nos ensinou a sermos mais humildes e melhores pessoas.
Aos 12 anos, entrou para o judô meio que por acaso, estava num canto e o professor o chamou.
Aos 16 anos, o pai faleceu e ele ao saber da notícia disse: “Mãe, está na minha hora. Tenho que ir para o judô.”
E parece que se agarrou nisso, pois lá chamava vários senseis de pai, e assim foi crescendo.
Aos 15 anos teve o primeiro emprego no Cinema em um Shopping (trabalhava demais: sábados, domingos e feriados) e como prêmio podia assistir a todos os filmes de graça com acompanhante e pipoca. Nunca fui tanto no cinema
Mas com 3 anos nesse trabalho, ficou cansado e triste porque queria uma promoção, gostaria de fazer pipoca e não o deixavam.
Ele varria e limpava as salas e o que mais gostava era de lavar os banheiros.
Depois disto fez curso na Unesp e não foi chamado.
Depois ficou 2 anos na Drogaria, estava feliz como estoquista. Mas apareceu uma chance de trabalhar no Restaurante do Google em Belo Horizonte e ele topou o desafio, porém com um pouco de receio.
Hoje está no Google feliz da vida e com responsabilidades. Se sente útil, tem avaliações frequentes, ganha melhor, toma café da manhã e almoça (comida fantástica) lá com outros funcionários.
Se agarrou ao judô e diz que é a sua vida. 
Abriu uma escolinha e está com 10 alunos na garagem da escola que frequenta.
Dá aula de ginástica para os colegas
Tem um salário mínimo no Google e R$ 200 reais na escola.
Está bem, só que às vezes deprime por não ter um amor.
Sou muito feliz por ter a Sophia e o Orlando como filhos.
Não imagino a vida sem eles”.
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