Acompanhei minha filha ao exame de ultrassom, emoção enorme quando vi a imagem de meu netinho na tela do aparelho de ultrassom. Caramba! Era real, Gracinha, minha filha, estava mesmo grávida!

No dia em que Benicio nasceu, vimos através da parede de vidro o pediatra fazendo os testes , limpando, vestindo a roupinha. Percebi que Benicio segurou com força a roupa do médico, falei logo: “Olha a pegada, esse será judoca!”

Logo cedo vieram uns tremores, ele se espantava e abria os bracinhos, minha filha levou ele ao neurologista que diagnosticou “fome”.

Fome o motivo dias espantos.

Eu notava ele bem quietinho, não tentava se virar, perguntei se ela tinha falado isso ao pediatra. Benicio tinha acompanhamento mensal com um médico muito renomado em nossa cidade, que dizia estar tudo na normalidade, o desenvolvimento varia de criança para criança.

Após uma grave convulsão aos cinco meses descobrimos que Benício era PC, tudo aconteceu intrauterino, a falta de oxigenação… Enfim, choque geral.

Eu já trabalhava com a inclusão de pessoas com deficiência a cinco anos e tinha uma outra visão da minha família.

Sinto que Deus me preparou para recebê-lo e dar o apoio necessário a minha filha e minha família. Sinto, também, que ele me testou queria saber se realmente eu amava o que fazia ou se estava só brincando de trabalhar com deficientes.

Hoje Benício está com três anos e meio, me orgulho demais da minha filha, pois ela é incansável quando se trata na reabilitação do filho.

Benício já faz os treinos de judô no projeto Dorinha, no qual sou presidente. Ele ama os tatames, treina com coleguinhas autistas, down, cegos e coleguinhas sem deficiência.

Ele anda, corre, nos reconhece, beija, abraça, já sabe algumas cores, pede para fazer cocô, chama mamãe, vovó, titia, koba (a cachorra), imita a risada do papagaio… E comemoramos a cada dia o seu progresso.