Adriana Silva Ferreira: bacharela em Direito (Uniasselvi), graduanda em pedagogia (A.C.E); pós-graduanda em Direito de família (F.G.V) e em Neuropsicopedagogia (Uniasselvi). Integrante do Encontro TEA de Timbó. Mãe de Giovani, Pedro e João Vitor, autista, de 21 anos.

João Vitor nasceu aos 8 meses de idade ,com circular de cordão, num parto bem difícil, depois de uma gravidez conturbada, devido a um atropelamento. Dos 4 meses a 1 ano de idade, João apresentou quadros de convulsões diário, foi diagnosticado epiléptico e, mais tarde, com refluxo gastro esofágico grau 4.
Passamos por uma longa jornada entre hospitais, médicos e especialistas. Ao ingressar no jardim de infância, João mostrava maneiras atípicas: não socializava com os demais, não falava e brincava apenas engatinhando. Aos 6 anos, começou a falar apenas algumas palavrinhas e com bastante dificuldade para entendermos.
O médico  sugeriu retirada das amígdalas, pois diagnosticou que elas eram grandes, o que o impedia de falar. Fez a cirurgia e continuou não falando (apenas algumas palavras). Aos 8 anos, ingressou no ensino fundamental com muitas dificuldades, além da fala. Passou quase toda sua infância e adolescência em tratamentos com fono.
Víamos que João era diferente dos demais , pois se isolava, não respondia a estímulos, ficava a maioria do tempo disperso. Os médicos nunca falaram em autismo, apenas em um leve atraso. Aos seis anos de idade, deu início ao esporte, natação para ajudá-lo na respiração e coordenação e judô por trabalhar a socialização, o toque, a iniciativa, a disciplina e a concentração.
João era hipotônico e sua coordenação motora fina e grossa eram comprometidas. E como natação e judô são esportes completos para o desenvolvimento, começou aí sua jornada de atleta. O esporte o desafiou às “pequenas grandes vitórias”.
Até os 18 anos, não  amarrava o tênis sozinho, hoje ele faz exercícios complexos em seu treinamento de coordenação motora, também sua postura corporal e autoestima. João  sempre precisou de segundo professor devido às dificuldade no aprendizado. Mesmo fazendo terapias com fono , psicologa , psicopedagoga, era visto como diferente e com um leve retardo mental.
Seu diagnóstico foi tardio, apenas  aos 14 anos. Após realizar exames genéticos, João foi diagnosticado Síndrome X Frágil  e autista. Hoje aprendi que , se for desafiado, ele rompe obstáculos para superá-los , e chegou aqui como Campeão Mundial de Judo, com grande luta e mérito.
João é um vencedor !