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DEFICIÊNCIA, DIFERENÇA E INCLUSÃO – Um ato de justiça e igualdade!

DEFICIÊNCIA, DIFERENÇA E INCLUSÃO – Um ato de justiça e igualdade!

Olá, Pessoal…

A Fátima de Kwant, nossa parceira e colaboradora de conteúdos, nos enviou mais uma texto: “DEFICIÊNCIA, DIFERENÇA E INCLUSÃO”.
Você sabe qual o conceito e as diferenças entre essas palavras? E por que elas podem fazer diferença na vida de tantas pessoas?

Aproveite esse momento de leitura e reflexão, mas não esqueça de curtir e compartilhar os conteúdos de nossas redes sociais, afinal: “Inclusão é Informação”.

DEFICIÊNCIA, DIFERENÇA E INCLUSÃO – Um ato de justiça e igualdade!

Imaginem um mundo onde todos tivessem uma diferença; algumas delas visíveis, outras não. Imaginem que este mundo seja o nosso, somente não nos tenhamos dado conta. Ou pior, damo-nos conta das diferenças óbvias e não daquelas que todos nós, seres humanos possuímos.

Somos todos diferentes e, de algum modo, deficientes. Deficientes sensoriais, físicos, mentais, emocionais, sociais e até espirituais – o único tipo ruim de todas as deficiências.

A deficiência caracteriza-se conforme o conceito de perfeição que pessoas não deficientes insistem em manter. Quando fala-se em deficiência, pensa-se em limitações, raramente em habilidades. Esse pensamento errôneo foi, infelizmente, adotado pela sociedade, tornando o portador de tal limitação um pária. Como se não bastasse a falsa percepção do que uma deficiência compreende, a pessoa com deficiência pode sofrer dessa imagem que o mundo a seu redor mantêm sobre ele. Afinal, uma pessoa deficiente aprende, desde a mais tenra idade, que não é perfeita, não é normal, portanto não tem valor. Precisamos mudar este jeito de pensar. Precisamos não somente aumentar a autoestima das crianças diferentes, como ensiná-las (e ao mundo) que elas têm muito a contribuir. Crianças, adolescentes e adultos com o que é considerado deficiência, seja esta física ou mental, são cidadãos aptos a colaborarem muito com a comunidade onde vivem, estudam ou trabalham. Não é possível que uma única limitação possa superar um número incontável de várias habilidades! Pois é o que todo cidadão deficiente geralmente possui: um leque de (outras) possibilidades.

Todos os deficientes (e suas respectivas famílias) sabem que poderiam contribuir com a sociedade. Devemos então perguntar o que esta (a sociedade) pode fazer para promover tal contribuição. Neste sentido é preciso que abandonemos a

maneira tradicional de pensar, e reciclemos nossa concepção do que é justiça e igualdade – dois dos pilares de uma país desenvolvido.

Justiça significa respeito à igualdade de todos os cidadãos. Igualdade é um princípio segundo o qual todos os cidadãos têm capacidade para os mesmos direitos. Dois conceitos muito utilizados – principalmente na política – mas pouquíssimo executados, em geral. É justo que um cidadão, em pleno domínio de sua capacidade mental, seja preterido por ser cadeirante, por exemplo? Não somente é injusto quanto vai de encontro ao que entendemos por um sistema igualitário.

Uma nação desenvolvida é uma nação que protege todos seus cidadãos, sem distinção. Tenha este um handicap ou não, e independente de sua raça, religião e natureza sexual, todo cidadão deve receber o mesmo cuidado e respeito do seu governo, do município onde reside, da empresa onde trabalha, da escola em que estuda e da comunidade que frequenta. Porque todo cidadão tem algo a oferecer. A sociedade brasileira ainda carece de meios a fim de criar um ambiente que favoreça os deficientes, mas isso tem solução e não é utopia.

O planejamento da sociedade a fim de propiciar tais condições favoráveis, deve contar com três etapas fundamentais:

1- Conscientização: conhecimento sobre a deficiência, as limitações habilidades individuais de cada uma.

2- Intenção: o desejo de criar ambientes (escolas, empresas, adaptação de estabelecimentos de estudo, trabalho, locais públicos e o preparo de profissionais que viabilizem a participação da pessoa deficiente em ambientes públicos).

3- Realização: criação de leis que protejam os direitos do deficiente e a introdução de uma Secretaria Nacional do Deficiente, cuja tarefa seria a execução (controle) do cumprimento de tais leis, a concretização de projetos que viessem a beneficiar o deficiente, o estímulo às empresas com vistas à contratação de deficientes pelas mesmas,

além do incentivo destas na introdução da prestação de serviço desde o lar – uma estrutura de sucesso comprovado já em muitos países europeus.

Hipoteticamente, poderíamos ir mais além e discutir a ideia da criação de um partido político que se incumbisse, estritamente, da proteção e vigília dos direitos (humanos) das pessoas com uma forma de deficiência – ou do que é considerado, oficialmente, uma deficiência física ou mental.

Considerando-se que, atualmente, por volta de 45,6 milhões de cidadãos brasileiros possuem uma incapacitação, não é absurdo que esse segmento seja legitimado com o surgimento de um partido que cuide de seus interesses e necessidades.

Antes de considerarmos algo impossível de ser realizado, falemos sobre o assunto, pois tudo que é falado, passa a existir.

Que sejam realizadas pesquisas, com o propósito de entender o que os deficientes (ou seus representantes legais) esperam da sociedade; que estes sejam ouvidos ou lidos; que seja respeitada sua vontade, alcançados seus objetivos e respeitados seus direitos.

A inclusão dos deficientes é algo inédito e tudo o que é novo pode dar medo. O receio de que não vá dar certo, que o novo empreendimento acarrete em muito trabalho e poucas compensações, faz com que a haja resquícios na contratação de um deficiente no ambiente de trabalho ou na matrícula de uma criança ou adolescente com algum tipo de deficiência numa instituição educacional. Na verdade, são poucas as adaptações diante das inúmeras vantagens que tal processo de inclusão vá ocasionar.

Uma sociedade que inclui o ser humano diferente, é uma sociedade progressiva. Incluir todo e qualquer cidadão, sabendo usar bem seus talentos individuais, exige

alguma criatividade, investimento e adaptação, mas atesta a grandeza de um país e de seus governadores; coloca em prática os desígnios humanitários das escrituras de toda e qualquer religião; enriquece o espírito de união, fraternidade e igualdade entre os filhos de uma mesma nação; inspira toda uma comunidade a dar e ser seu melhor.

Lutemos pelo que é justo.

A inclusão é um ato de justiça.

Lutemos pela Inclusão.

Link consultado: https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/periodicos/94/cd_2010_religiao_deficiencia.pdf

Fatima de Kwant

Jornalista

Especialista em Autismo & Desenvolvimento e Autismo & Comunicação

Ativista Internacional pela Autismo www.autimates.com www.facebook.com/AutimatesBrasil

 

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