PROGRAMAÇÃO MENTAL
As férias estão chegando e, como representam uma quebra de rotina, podem gerar insegurança e desregulação nas crianças com Autismo.
Algumas dicas importantes para lidarem melhor com a mudança:
1. Faça uma antecipação da quebra da rotina. Avise que as férias estão chegando, preferencialmente com o uso de imagens (ex: foto da escola fechada).
2. Faça um cronograma das férias com a criança, estabelecendo dias livres e dias programados (ex. Natal na casa da Vovó), salientando sempre que pode haver mudanças na programação. Afinal, são férias!
3. Antes de sair, explique com imagens o que vão fazer, as pessoas que vão encontrar, etc.
REGULAÇÃO SENSORIAL
Para evitar sobrecarga e desorganização sensorial, mantenha sempre uma certa disciplina:
1. Faça atividades que a criança goste e que a família goste também.
2. Nas férias, evite projetar metas, o objetivo é a diversão.
3. Programe diariamente atividades tanto de gasto de energia, quanto de concentração.
Alguns exemplos: Bicicleta, pega-pega, esconde-esconde, brincadeiras com bola, balão de água (desde que a criança não se assuste), parquinho, cabo-de-guerra, culinária, jogos de cartas e de tabuleiro, etc.
Como explica a Terapeuta Ocupacional Helenise Vieira: “Atividades que têm mais gasto de energia e que exigem maior contração muscular geram maior consciência corporal e diminuem o estado de alerta da criança”.
APRENDER BRINCANDO
As brincadeiras são a melhor via para acessar uma criança e estimular habilidades como interação social, linguagem, imitação, cognição, contato visual, atenção e outras.
Quando se trata de crianças com Autismo, brincar pode ser um desafio, então aí vão algumas dicas:
1. Evite eletrônicos. Tire a pilha do controle da TV, esconda o tablet, etc.
2. Faça com que a interação seja agradável e prazeirosa para a criança;
3. Siga a liderança da criança nas brincadeiras. Preste atenção onde ela está com a atenção, faça o que ela quer fazer e ajude a conseguir realizar as suas atividades;
4. Faça imitações do que a criança estiver fazendo ou brincando, assim ela entende que sua ideia foi legal e que está sendo valorizada;
5. Fique frente à frente com a criança, sempre respeitando seu espaço para sua presença não ser aversiva;
6. Faça onomatopeias (sons engraçados que as crianças adoram), sempre relacionados com o que a criança estiver fazendo ou olhando. Exagere nos sons e nas performances;
7. Brinquem com instrumentos musicais ou brinquedos que dependam do movimento da criança para emitir sons.

Como explica a neurocientista, mestre em ABA, Mayra Gaiato, um dos maiores nomes no tratamento do Autismo no Brasil: “Uma das coisas que mais chama a atenção das crianças são as onomatopeias. São os sons engraçados que elas adoram e tendem a olhar para gente na hora e sorrir. Isso faz com que entendam que a interação social pode ser muito agradável e prazeirosa. É assim que a gente chama a atenção das crianças. É muito melhor obter o contato visual assim do que obrigando ela a olhar para você!”

Kaká do Autistólogos
Matéria para Revisga Jurerê