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Deficiência, Diferença e Inclusão ( Fátima de Kwant, parceira e colaboradora do grupo)

DEFICIÊNCIA, DIFERENÇA E INCLUSÃO – um ato de justiça e igualdade

 

Imaginem um mundo onde todos tivessem uma diferença; algumas delas visíveis, outras não. Imaginem que este mundo seja o nosso, somente não nos tenhamos dado conta. Ou pior, damo-nos conta das diferenças óbvias e não daquelas que todos nós, seres humanos possuímos.

Somos todos diferentes e, de algum modo, deficientes.

Deficientes sensoriais, físicos, mentais, emocionais, sociais e até espirituais – o único tipo ruim de todas as deficiências.

A deficiência caracteriza-se conforme o conceito de perfeição que pessoas não deficientes insistem em manter. Quando se fala em deficiência, pensa-se em limitações, raramente em habilidades.

Esse pensamento errôneo foi, infelizmente, adotado pela sociedade, tornando o portador de tal limitação um pária. Como se não bastasse a falsa percepção do que uma deficiência compreende, a pessoa com deficiência pode sofrer dessa imagem que o mundo a seu redor mantém sobre ele.

Afinal, uma pessoa deficiente aprende, desde a mais tenra idade, que não é perfeita, não é normal, portanto não tem valor.

Precisamos mudar este jeito de pensar. Precisamos não somente aumentar a autoestima das crianças diferentes, como ensiná-las (e ao mundo) que elas têm muito a contribuirem.

Crianças, adolescentes e adultos com o que é considerado deficiência, seja esta física ou mental, são cidadãos aptos a colaborarem muito com a comunidade onde vivem, estudam ou trabalham. Não é possível que uma única limitação possa superar um número incontável de várias habilidades! Pois é o que todo cidadão deficiente geralmente possui: um leque de (outras) possibilidades.

 

Todos os deficientes (e suas respectivas famílias) sabem que poderiam contribuirem com a sociedade. Devemos então perguntar o que esta (a sociedade) pode fazer para promover tal contribuição.

Neste sentido é preciso que abandonemos a maneira tradicional de pensarmos, e reciclemos nossa concepção do que é justiça e igualdade – dois dos pilares de uma país desenvolvido.

Justiça significa respeito à igualdade de todos os cidadãos. 

Igualdade é um princípio segundo o qual todos os cidadãos têm capacidade para os mesmos direitos. Dois conceitos muito utilizados – principalmente na política – mas pouquíssimo executados, em geral.

É justo que um cidadão, em pleno domínio de sua capacidade mental, seja preterido por ser cadeirante, por exemplo? Não somente é injusto quanto vai de encontro ao que entendemos por um sistema igualitário.

 

Uma nação desenvolvida é uma nação que protege todos seus cidadãos, sem distinção. Tenha este um handicap ou não, e independente de sua raça, religião e natureza sexual, todo cidadão deve receber o mesmo cuidado e merecer o respeito do seu governo, do município onde reside, da empresa onde trabalha, da escola em que estuda e da comunidade que frequenta. Porque todo cidadão tem algo a oferecer. A sociedade brasileira ainda carece de meios para criar um ambiente que favoreça os deficientes, mas isso tem solução e não é utopia.

 

O planejamento da sociedade a fim de propiciar tais condições favoráveis, deve contar com três etapas fundamentais:

1- Conscientização: conhecimento sobre a deficiência, as limitações habilidades individuais de cada uma.

2- Intenção: o desejo de criar ambientes (escolas, empresas, adaptação de estabelecimentos de estudo, trabalho, locais públicos e o preparo de profissionais que viabilizem a participação da pessoa deficiente em ambientes públicos).

3- Realização: criação de leis que protejam os direitos do deficiente e a introdução de uma Secretaria Nacional do Deficiente, cuja tarefa seria a execução (controle) do cumprimento de tais leis, a concretização de projetos que viessem a beneficiar o deficiente, o estímulo às empresas com vistas à contratação de deficientes pelas mesmas, além do incentivo destas na introdução da prestação de serviço desde o lar – uma estrutura de sucesso comprovado já em muitos países europeus.

 

Hipoteticamente, poderíamos irmos mais além e discutirmos a ideia da criação de um partido político que se incumbisse, estritamente, da proteção e vigília dos direitos (humanos) das pessoas com uma forma de deficiência – ou do que é considerado, oficialmente, uma deficiência física ou mental.

Considerando-se que, atualmente, por volta de 45,6 milhões de cidadãos brasileiros possuem uma incapacitação, não é absurdo que esse segmento seja legitimado com o surgimento de um partido que cuide de seus interesses e necessidades.

Antes de considerarmos algo impossível de ser realizado, falemos sobre o assunto, pois tudo que é falado, passa a existir.

Que sejam realizadas pesquisas, com o propósito de entender o que os deficientes (ou seus representantes legais) esperam da sociedade; que estes sejam ouvidos e lidos; que seja respeitada suas vontades, alcançados seus objetivos e acatados seus direitos.

 

A inclusão dos deficientes é algo inédito, e tudo o que é novo pode dar medo. O receio de que não vá dar certo, que o novo empreendimento acarrete em muito trabalho e poucas compensações, faz com que a haja resquícios na contratação de um deficiente no ambiente de trabalho ou na matrícula de uma criança ou adolescente com algum tipo de deficiência numa instituição educacional. Na verdade, são poucas as adaptações diante das inúmeras vantagens que tal processo de inclusão ocasionará.

 

Uma sociedade que inclui o ser humano diferente, é uma sociedade progressiva. Incluir todo e qualquer cidadão, sabendo usar bem seus talentos individuais, exige alguma criatividade, investimento e adaptação, mas atesta a grandeza de um país e de seus governadores; coloca em prática os desígnios humanitários das escrituras de toda e qualquer religião; enriquece o espírito de união, fraternidade e igualdade entre os filhos de uma mesma nação; inspira toda uma comunidade a dar e ser seu melhor.

 

Lutemos pelo que é justo.

A inclusão é um ato de justiça.

Lutemos pela Inclusão.

 

Link consultado: https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/periodicos/94/cd_2010_religiao_deficiencia.pdf

 

*Fatima de Kwant

Mãe de um autista adulto

Jornalista

Especialista em Autismo & Desenvolvimento e Autismo & Comunicação

Ativista Internacional em defesa das pessoas autistas

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@FatimadeKwant

 

 

É tempo de vestirmos azul…

02
Por Adriana Ferreira

É tempo de sermos vistos e ouvidos, de sermos lembrados e respeitados.
Convivemos com pessoas com autismo e somos seus aprendizes, pois nos ensinam a nos comunicarmos com a mais pura forma: o amor.
É tempo de amarmo-nos!

É tempo de deixarmos de lado todos os olhares tortos, risadas escondidas, atitudes indiferentes e julgamentos preconceituosos.
É tempo de perdoar!

É tempo de soltarmos nossa voz e compartilharmos tudo o que aprendemos com nossas experiências.
Nossas lutas, nossos medos e nossos desafios são diários, mas nossas conquistas, por menores que sejam, são gigantes!
É tempo de comemorá-las!

É tempo de todos vestirmos a mesma camisa e levarmos informações, conhecimentos, vivências e afetividades a todos.
É tempo de vestirmos azul!

Vista Azul: 02 de abril

02 de abril: vista azul!

Em tempos tão estranhos, tem coisa melhor do que vestirmos aquela camiseta azul que está no armário, postarmos uma selfie ou foto em família e sabermos que estamos contribuindo com algo genuíno e necessário?
Vestirmos azul no dia 02 de abril é apoiarmos uma causa mundial, é mostrarmos nossa representatividade aos líderes políticos e, principalmente, motivarmos aqueles que abraçam essa causa diariamente.
#autismos

OS (DE)GRAUS DO AUTISMO

OS (DE)GRAUS DO AUTISMO

No momento do diagnóstico os pais desejam saber que grau o filho tem e o que vai acontecer no futuro. Duas coisas difíceis de prever porque o autista cresce e evolui. Quanto mais tratamento adequado para ele, mais chances de “passar de grau”, de subir um degrau.
O grau de autismo se refere à funcionalidade na idade cronológica. Isso quer dizer que vai ser considerado leve, moderado ou severo de acordo com a funcionalidade nas áreas de identificação do autismo: comunicação, socialização e comportamento na idade apropriada (em comparação com o desenvolvimento neurotipico). Com a nova denominação de graus leve, moderado e severo, muitos médicos encontram dificuldades no diagnóstico.
Ainda que ouça que seu filho tem grau leve, não deixe de tratar. Ainda que ouça que o grau não é leve, não perca a esperança de mudar de grau.
É importante saber que a funcionalidade de uma criança determina o grau e não se é “quieta” ou agitada, como muitos médicos definem o autismo infantil quando a criança tem o grau bem limitado de funcionalidade mas mantém um comportamento calmo, sem crises ou agitação.

Com o tratamentos e intervenções corretas para a criança, ela pode evoluir até outro grau mais moderado ou até mais leve. Isso não é regra. Alguns autistas sempre serão considerados severos, da infância a vida adulta. Mas ainda assim podem progredir muito dentro desse quadro.
Cada autista é único.
Suas limitações são únicas e seus talentos também.
Nunca haverá um igual ao outro, nem se desenvolverão iguais aos outros. ◦ Seguir lutando para que sejam o mais independentes, saudáveis e felizes possível, é o melhor que podemos fazer. Terapias, intervenções multidisciplinares, aprendizado adequado e o empenho dos pais podem fazer milagres.

Fatima de Kwant
Jornalista
Especialista em Autismo & Desenvolvimento e Autismo & Comunicação
Ativista Internacional pela Autismo www.autimates.comwww.facebook.com/AutimatesBrasil
@fatimadekwantautismo

Olhar além do diagnóstico é planejar sabendo que na sala de aula existe…

Olhar além do diagnóstico é planejar sabendo que na sala de aula existe a diversidade.
Nós somos iguais na diferença, portanto, pensar a sua aula para atender as necessidades diversas de seus alunos é o que vai te levar a ter sucesso na inclusão.
É claro que algumas crianças com diagnóstico precisarão de materiais adaptados, de apoio e até de uma avaliação diferenciada, porém, todos os alunos merecem um olhar para sua necessidade.
Pode ser que José seja uma criança mais ativa e necessite de você ao lado dele.
Ou pode ser que Mariana seja uma menina super inteligente, mas que esteja passando por questões de insegurança.
Também, pode ser o caso de João, que tem Asperger e não tem habilidades de se comunicar e expressar com clareza suas dificuldades.
Viu como em sala de aula você pode ter perfis diferentes de necessidades especiais?
Portanto, quando for planejar sua aula, conheça seus alunos e pense nas necessidades individuais deles.
Pense também na maneira como eles serão avaliados.
Todos merecem oportunidades de mostrar seu potencial.
Você está lapidando diamantes.
O que você faz agora deixa marcar por toda a vida de seus alunos.

Renata Batista
Psicopedagoga

Um texto para a gente refletir a importância das Funções Executivas

Um texto para a gente refletir a importância das Funções Executivas.

Vamos pensar a Dama como o Aprendizado?
Ontem meu amiguinho chegou todo animado porque tinha aprendido a jogar Dama, ele tinha tanto foco para fazer a Dama e ganhar o poder de andar muitas casas para comer as peças que ele só conseguia pensar nisso.
Se a gente pensar pelo lado do aprendizado, podemos dizer que não basta aprender, tem que saber o que fazer com o conhecimento.
A área que precisa ser estimulada para que o seu conhecimento seja usado em todas as possibilidades é a Função Executiva.
As funções executivas permitem que você planeje e execute as atividades diárias usando estratégias e recursos para tal realização.
Nesse sentido, é preciso ir além da leitura e dos conceitos matemáticos.
Nós precisamos ser capazes de planejarmos, fazermos uma estratégia, interpretarmos a situação, pensarmos em novas soluções caso seja necessário.
Sabe aquela pessoa que lê muito e até tira notas boas, mas nas situações do dia a dia não tem jogo de cintura para resolver os pequenos problemas diários e muitos deles se tornam grandes problemas?
Então, em parte as funções executivas têm responsabilidade por isso, e é claro que a educação emocional também é importante.
Ficar focado em ganhar o jogo sem pensar nas estratégias te leva ao erro.
Assim como decorar a matéria não é o mesmo que aprender o conteúdo.
Na psicopedagogia vemos isso quase que diariamente, crianças que aprendem, mas não sabem o que fazerem com o aprendizado.
A psicopedagogia não trabalha somente com a dificuldade, nós também ajudamos o indivíduo a potencializar suas habilidades e conhecimentos utilizando recursos de estimulação que permitem vivenciar situações que trabalhem as funções executivas.
Da próxima vez que você for jogar pense nisso: não basta fazer a Dama, você tem que saber o que fazer com o poder que ela te dá.

Renata Batista
Psicopedagoga

O que se inclui quando se inclui ( Dra Daniela Bridon- professora, psicanalista

O que se inclui quando se inclui?

A inclusão de crianças com deficiências ou transtornos no ensino comum recebeu amparo legal principalmente a partir da Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência, Lei 13.146, de 6 de julho de 2015. Muitos anos antes, a possibilidade de incluir crianças nas escolas regulares já vinha se delineando a partir de outras legislações e decretos federais, estaduais e municipais, alguns específicos, outros mais abrangentes, como a própria Constituição Federal de 1988.

Apesar de todo amparo legal e de todas as iniciativas compulsórias, decorrentes das leis, o que podemos observar em muitas práticas e discursos é um insistente questionamento acerca da efetividade da inclusão de crianças com deficiências ou transtornos no ensino comum. Questões surgem: O quanto se pode ensinar a quem apresenta significativas dificuldades cognitivas e no campo da linguagem? Quais os efeitos dos investimentos de toda ordem ao se tentar incluir uma criança na escola? E uma pergunta velada, mas que também pode ser escutada, apesar de seu tom de perversidade: O quanto que se perde com uma criança inclusa, quando se poderia investir em crianças que de fato aprendem?

                  Propomos uma inversão dessas questões, voltando-as para crianças que não estão no escopo das deficiências ou dos transtornos: O quanto se pode ensinar a quem não apresenta significativas dificuldades cognitivas? Quais os efeitos dos investimentos de toda ordem simplesmente pelo ato de matricular uma criança na escola? O que se ganha nessa tentativa? Quando invertemos as questões, parece que ficamos também à beira de respostas. Talvez por que não haja certezas sobre quais os efeitos da entrada de uma criança na escola. E, por sua vez, também não haja garantias deles.

                  Assim, talvez o que precisamos voltar a questionar e construir discursos e práticas é sobre o que é a educação e o que ela pode transmitir para as crianças, sejam elas como forem. A entrada de uma criança na escola é, por si, um ato de inclusão, porque, como afirma Maria Cristina Kupfer (2000), ela passa a ser considerada um “escolar” acima de qualquer outra representação. Outro significante passa a marcar seu caminho pelo mundo e, só por isso, sua passagem pelo social pode adquirir outro contorno. A partir disso, as demandas que recaem sobre ela – especialmente aquelas cujo único traço identificatório é sua deficiência ou seu transtorno – permitem que se desloque de um único lugar, muitas vezes excluído do discurso social – para um outro, que lhe coloca possibilidades de estar com o outro, falar com o outro, ser escutada pelo outro e ser reconhecida por suas singulares produções como talvez nunca tenha sido – certamente, não do mesmo modo.

O que se inclui quando se inclui, portanto, é uma possibilidade de humanização. Essa é a principal tarefa da educação, muito maior e mais efetiva do que qualquer iniciativa pedagógica de ensinar teorema de Pitágoras ou concordância verbal. O que se inclui quando se inclui é a possibilidade de inventar, junto com outros, diferentes, modos singulares de existir e ser reconhecido no social: cada um do seu jeito. Tarefa que dá trabalho para todos e para cada um, já que cada sujeito a atravessa de modo singular. Ah, e qual o efeito? A vida!

 

Daniela Bridon
Psicanalista
Doutora em Psicologia

Volta às aulas …

Volta às aulas…

Pais, escolas e profissionais geralmente se concentram em um “modelo de déficit” de autismo.
Eles ficam muitas vezes tão focados em “tratar” os déficits da criança que não reconhecem os pontos fortes e dons que a criança oferece.
A maioria dos critérios diagnósticos para o autismo se refere a uma lista de déficits ou sintomas, todos os quais têm conotações negativas.
Infelizmente para a criança, o apoio que damos é muitas vezes levado a mudar a criança, moldando-a para um modelo que não se encaixa na sua própria natureza. Isso coloca a criança em um modelo que está constantemente mostrando a ela o quanto é deficiente, danificada ou incompetente. Não só isso raramente funciona, mas muitas vezes deixa a criança se sentir muito ansiosa, insegura e inadequada.
Em vez de se concentrar nas habilidades que criança já tem e como ajudá-la a desenvolver seus pontos fortes, muitas vezes se concentram no que a criança não domina e no que quer que ela seja. Esperamos que, mudando seu comportamento ou moldando-o para agir de acordo com um determinado roteiro, possamos curar o “autismo”.
Cada criança apresenta um conjunto de pontos fortes e fracos, com um conjunto de interesses, talentos e dons. Todas as crianças têm dons e forças naturais que, quando apoiados e estimulados, farão com que ela desenvolva suas habilidades naturalmente.
Nós passamos tanto tempo forçando as crianças em um perfil que não corresponde às capacidades delas que ignoramos e suprimimos a sua verdadeira essência.
Esta essência é o que a criança naturalmente se tornará se apoiada em vez de ser mudada.
Se nos concentrarmos menos nas fraquezas e mais no desenvolvimento de forças, ajudamos as crianças a construir uma forte confiança e autoestima, desenvolvendo um forte senso de autoidentidade e autoestima.
Quando reconhecemos e valorizamos a sua essência única estamos ajudando a criança a crescer e florescer.
Todos os seres humanos são motivados pelo controle, sucesso e eventos que desenvolvam nossos pontos fortes e interesses.
Quando as crianças se sentem valorizadas pelo que são, ao invés do que gostaríamos que elas fossem, elas se desenvolvem e crescem.
@omundodepeublog

Prova adaptada é um direito da pessoa com necessidade especial

Toda criança tem direito a inclusão e adaptação escolar para as suas dificuldades de aprendizagem e não precisa de laudo médico para isso.
A escola não pode exigir laudo médico para fazer a inclusão da criança, basta que seja declarado.
Segundo uma resolução do MEC, para que a criança seja incluída e que tenha suas necessidades educacionais atendidas, basta que seja solicitado. Seja mediação, avaliação diferenciada, material adaptado, quaisquer ferramentas devem ser atendidas pela escola sem a necessidade de laudo.
É claro que o laudo ou um parecer do terapeuta pode ajudar a escola a direcionar melhor o caminho para ajudar o aluno, só não vale negar a este aluno seus direitos. Portanto, se você é pai exija os direitos do seu filho, se você é terapeuta oriente a escola, se você é da escola busque oferecer ferramentas para o melhor aprendizado do seu filho.
Informações mais detalhadas você pode encontrar nas seguintes leis e normas técnicas:
➡️ lei brasileira de inclusão, nº 13.146.
➡️ A norma técnica 04/2014 do MEC.
➡️ O projeto de Lei 7.081 /10 específico para TDAH e Dislexia, já aprovado no Senado.
➡️ Além da própria constituição e o Estatuto da Criança e do Adolescente, que prevêem que as crianças devem ser assistidas em suas necessidades.
Exija seu direito!
Com uma inclusão eficiente todos ganham.
Texto: Renata Batista

Jornada de Trabalho

Jornada de trabalho

Cuidar de criança autista, requer tempo e dinheiro, sendo portanto incompatível a redução de jornada de trabalho de pais de autistas com compensação de horário e com redução salarial.

Todos os Tribunais Regionais Federais, Tribunais Regionais do Trabalho, Tribunais de Justiça dos Estados e Varas de Fazenda Pública tem sido unânimes em determinar a REDUÇÃO DE JORNADA DE TRABALHO DE PAIS DE AUTISTAS SEM COMPENSAÇÃO DE HORÁRIO E SEM REDUÇÃO SALARIAL.

As sentenças e acórdãos tem sido prolatados no sentido de reduzir a jornada em até 50% da sua carga contratual, retornando, gradativamente, para a jornada original de forma condicionada a evolução prognóstica da criança.

Servidores públicos municipais, estaduais, federais e empregados públicos de estatais tem conseguido a redução de jornada de trabalho sem compensação de horário e sem redução salarial para cuidarem de seus autistas e com outras deficiências.

Quando uma pessoa com deficiência precisa da assistência direta e constante de terceiros, é possível que o familiar que o auxilia solicite a redução de sua jornada de trabalho na justiça, requerendo um regime de horário especial, sem sofrer redução salarial e sem necessidade de compensação.

O art. 98 da Lei 8.112/1190 garante horário especial aos servidores públicos da União que tenham cônjuge, filho ou dependente com deficiência, contudo exige compensação de horários, respeitando a carga horária semanal.

Judicialmente, essa posição tem sido revista. Magistrados têm se preocupado com o pleno exercício dos direitos sociais e individuais e a necessidade de integração social à pessoa portadora de deficiência dependente de terceiros, baseando-se no direito de proteção à família, às pessoas com deficiência, o direito à criança e o respeito ao princípio da dignidade da pessoa humana.

Desse modo, cabe pleitear na justiça esses direitos, pois as decisões judiciais têm sido no sentido de que se o deficiente necessitar de auxílio constante de um familiar, este pode ter sua jornada de trabalho reduzida sem alteração de salário e sem necessitar compensar.

Normalmente, essa redução é pleiteada pelos pais que possuem filhos com deficiência, mas nada impede que seja conferida a outros dependentes, como por exemplo, a um cônjuge ou companheiro que necessite cuidar de seu parceiro.

A título de amostragem, relatamos alguns:

1)O Tribunal Regional Federal da 1º Região já se manifestou garantindo a uma servidora pública federal a redução de sua jornada de 40 horas semanais para 20 horas semanais para cuidar de filho com Síndrome de Down, sem acarretar à servidora diminuição salarial ou necessidade de compensação.[1]

2)O Tribunal Regional do Trabalho da 17º região (estado do Espírito Santo), de modo semelhante, decidiu por reduzir a jornada de 40 horas semanais para 30 horas semanais de servidora mãe de criança com autismo. [2].

[1] Processo 513163320134010000

[2] Processo n. 0000041-80.2014.5.17.0000

Por Romeu Sá Barreto e Aline.
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