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Paternidade

 PATERNIDADE
Paternidade, palavra forte!
Paternidade, algo que pode definir muitas coisas, laço sanguíneo por exemplo, que houve sexo entre um casal e resultou num filho(a), que vem responsabilidades pela frente, vem mudanças, etc…
Mas quero falar coisas de dentro do meu coração de pai de 4 filhos,  antes de falar sobre mim como pai.
Mas preciso comentar o que meu pai me ensinou sobre paternidade. Ele me ensinou e viveu sua vida deixando claro que seus filhos eram o que havia de mais precioso na vida dele. E por causa dos filhos ele trabalhou, trabalhou, deu sua vida para dar o melhor para seus filhos.
Sempre caminhou junto. Sempre mostrou que o caráter de uma pessoa é o mais importante.
Meu pai foi exemplo em muitas coisas, hoje já com meus 50 anos entendo que não em todas, pois vejo que todos somos falhos em muitos pontos como pais, ainda que ele nunca disse que era um pai perfeito, isso ficava nas entrelinhas…
E graças a Deus, aprendi por meio de Jesus, que deveria dizer que amava meu pai ainda em vida, precisava verbalizar isso, e sou feliz por ter aprendido isso e ter dito várias vezes a ele antes dele partir, pois acredito que precisamos ter atitudes de amor!
Enquanto filho na maior parte do tempo tentei agradar meu pai e que ele tivesse orgulho de mim.
Papais que estão lendo isso, acreditem, prestem atenção nisso que vou dizer: a grande maioria (ou todos) os filhos buscam em seu pai sua aprovação, sua atenção, seu amor, seu carinho, seu contato fisico, seu olhar, este fato nos traz uma grande responsabilidade.
A paternidade se mostra de muitas maneiras, seja com laços sanguíneos ou não. Ela transcende muitos conceitos e significados.
Paternidade, para mim, tem seu maior vínculo com o amor. É algo divino, o verdadeiro amor é divino, e merece reverência, merece atenção e respeito.
Sou pai de 4 filhos, e cada um é diferente do outro. Sempre ouvi dizer por pais que “tratamos todos filhos de forma igual”, minha experiência de vida me mostrou que não é assim na prática, pois cada filho exige de nós um tipo de atenção, um quer mais colo, outro quer mais brincar, outro gosta mais de conversar, um expressa amor de um jeito outro de outro jeito. Enfim, na paternidade temos que aprendermos a conhecer nossos filhos, identificarmos  a necessidade de cada um conforme vemos eles crescendo.
Ah! Falando nisso, que maravilha ver os filhos crescendo! Que dádiva, lembrar dos primeiros passos, dos primeiros choros,  lembranças e mais lembranças de amor e ternura…
Casei muito cedo, aos 18 anos, e minha amada esposa tinha 14, crescemos juntos com nossos filhos.
 Por isso costumo dizer que eles são meus “professores” e maiores amigos, em quem confio e amo, mesmo conhecendo seus defeitos, pois suas virtudes são muito maiores, e prefiro sempre olhar para as virtudes.
A paternidade nos traz a oportunidade de conhecermos o amor de uma forma diferente.
Amamos aquele “ser” que ainda nem vimos que ainda esta dentro da barriga da mamãe, mas já amamos…
Incrível! Lembro-me de um dos momento especiais da minha vida quando meu filho, Júnior, estava esperando seu primeiro filho, ele me disse:
– Pai, que coisa incrível! É assim mesmo?? Eu nem vi ainda o Heitor e já amo ele demais!”
Isso é paternidade! É colocar as necessidades dos filhos acima das nossas vontades.
Precisamos lembrarmos  que nossa influência vai afetar gerações de nossa família. Gente que nem vamos chegarmos a conhecermos, vão carregar dentro de si algo nosso, e a paternidade nos dá essa oportunidade.
Às vezes me sinto frustrado, triste, por ver muitos pais ignorando esses presentes chamados de “filhos”.
Dando mais atenção para aquilo que é perecível, trabalhando como loucos para dar tudo que existe materialmente falando, mas esquece que o que o filho mais precisa é amor, atenção, bondade, paciência e atenção.
Às vezes gastamos dinheiro com terapias pois, vemos que nosso filho sente insegurança demais, pois saiba que o que mais traz segurança para um filho é ver que seus pais se amam. Sei que a vida é corrida, mas a questão não é quantidade de tempo e sim qualidade. Nada nos impede de darmos um beijo em nossos filhos antes de dormirem todas às noites, ou quando os deixamos na escola, ou em qualquer situação.
Todos temos desculpas para não fazermos o que devemos. Vamos trocá-las por atitudes!
Vamos assumirmos nossa paternidade com toda nossa força e coração.
E vamos nos dar a oportunidade de sermos transformados pelo amor.
Sempre há tempo para mudanças!
Giovani Ferreira
Palestrante e formador voluntário do grupo, pai de Monique, Giovani , Pedro e João, jovem autista e X-Frágil

Autismo e o ensino superior: quebrando paradigmas, vencendo barreiras. 

Sonho com o momento onde seremos todos tratados de forma especial, não por termos algum comportamento que não segue padrões predeterminados como certos ou adequados (?), mas porque somos todos, verdadeiramente e igualmente especiais e únicos.
Tenho o hábito de interpretar e adequar as palavras, por exemplo: desafio, troco por oportunidade; dificuldade, troco por aprendizado e crescimento.
Digo isso porque, ao nos prepararmos para trabalhar com alunos autistas, durante a nossa formação, adquirimos conhecimentos teóricos, filosóficos e legais que nos dão direcionamentos e metodologias fundamentais, mas é no cotidiano, na prática do trabalho docente que “aprendemos” verdadeiramente. Aprendemos que a compreensão e o respeito, por exemplo, do termo inclusão, ainda precisa avançar bastante, ser compreendida e assegurada com amplitude e quando mencionamos aqui em especial o aluno autista, entendemos que a metodologia é a das possibilidades e da descoberta. Sim, porque as possibilidades tanto de ensino como de aprendizado do aluno autista são imensas, exatamente como as de qualquer outro aluno, pois o fato de ver e entender o mundo sob outra ótica amplia as possibilidades do trabalho docente. É, na verdade, bastante simples: basta pensar na maneira como você aprende que, provavelmente não é a mesma forma que o seu irmão, o seu amigo aprende e isto porque somos todos diferentes. Difícil entender? Nem tanto, para isso precisa ter sim conhecimento teórico para descobrir caminhos, estabelecer metas, além de uma dose de persistência, boa vontade, mas acima de tudo, muito amor para superar dificuldades que todos nós temos, independente de nossas condições.
O mundo autista é maravilhoso, descomplicado, direto, é único e justamente por isso, por esse “descomplicamento”, que a atuação do professor de apoio torna-se importante, por ser um mediador, uma ponte que liga uma mente brilhante aos processos da educação colaborativa no âmbito da instituição e fundamental para a promoção do sucesso educacional do aluno.
Na nossa Instituição, o professor de apoio, recebe a nomenclatura de “Professor Intérprete” e aí a minha leitura para “intérprete” vai muito, mas muito além: intérprete de olhares, de sentimentos, de emoções, de aprendizados e aprendizagens, de trocas. Impossível nesta caminhada, deixar de mencionar Carl Jung quando ele diz que “Ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana”
@João Vitor Ferreira: rumo à formatura e ao sucesso! Amo !
Mara Flatau
Pedagoga e intérprete educacional da Uniasselvi do acadêmico autista João Vitor Silva Ferreira.

Dia do Amigo com Dra Juliana Uggioni Graça

Amizade além da “falagem”

Como muitos já sabem, sou tia postiça que adora uma “falagem”…
E por isso fui convidada a escrever sobre essa aprendizagem.

Com Be, conheci um novo mundo…
Com Victor, descobri como pode ser profundo.

Com Be, redefini novas funções aos objetos…
Com Victor, percebi a importância de ser seleto.

Be me cheira com se eu fosse Jasmim…
E Victor fez um poema para mim.

Uma pessoa como eu que fala sem parar …
Be e Victor conectam-me pelo olhar.

Se são anjos azuis ou em evolução, isso não sei não…
O que sei é que tenho tanto amor que não cabe no meu coração.

Ah, mas me esqueci de apresentá-los no retrospecto…
Be e Victor são adolescentes lindos que20 surfam dentro do espectro.

Juliana Uggioni

Benefícios da Atividade Física para Pessoas com Autismo

Benefícios da Atividade Física para Pessoas com Autismo

 

A recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) é que crianças e adolescentes de 5 a 17 anos pratiquem pelo menos uma hora de atividade física moderada a intensa por dia, para crianças autistas, seguir a recomendação da OMS é um pouco mais complicado.

Algumas características típicas do Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), como pouca habilidade motora, dificuldades de interação social, repetição e outras, podem desencorajar os pais a colocarem os filhos em aulas de esportes.

Sabemos que exercício físico auxilia na plasticidade neural e aumenta os níveis de IGF (um dos hormônios responsáveis pelo crescimento e desenvolvimento dos tecidos), proporcionando também um aumento da capacidade cognitiva, memória, raciocínio e foco.

Os benefícios do esporte e da atividade física não se limitam, simplesmente, ao bem-estar da pessoa, eles permitem o progresso do autista em vários aspectos relacionados às suas deficiências, tais como: no rendimento físico, no melhor conhecimento das capacidades de seu corpo, na melhor representação do seu corpo na relação com o ambiente externo, na melhor comunicação e socialização com os companheiros de equipe e adversários através dos jogos coletivos. (MASSION, 2006).

Por meio de programas de exercícios é possível observar um melhor desempenho social e redução de episódios de agressão, bem como, comportamentos estereotipados. Isso porque o exercício estimula o desenvolvimento de novas células cerebrais dentro do hipocampo – uma parte do cérebro que influencia a empatia, controle de impulsos e atenção.

Dentro de um contexto específico das deficiências intelectuais, estudos de Therme (1992) e Eberhard (1998), indicam que os benefícios do esporte e da atividade física podem ser divididos em quatro níveis:

➢ Melhoria do condicionamento físico geral e, especificamente, em termos de uma maior capacidade cardiovascular este é um aspecto especialmente relevante para os adultos sedentários com deficiências, cuja inatividade pode levar a uma deterioração da sua condição, a atividade física intensa, por outro lado, pode reduzir a ocorrência de estereotipias que interferem na adaptação do indivíduo no seu meio de convivência;

➢ Aprendizagem sensório-motora e de funções cognitivas que devido às deficiências não atingem um nível satisfatório. Como por exemplo, no conhecimento e entendimento das propriedades biomecânicas do corpo (peso e inércia dos membros), no processamento de informações sensoriais, tanto proprioceptivas quanto exteroceptivas, na construção da imagem corporal, do espaço exterior e de suas interações, no desenvolvimento de padrões de ação direcionados a um propósito externo de natureza espacial (ex.: segurar um objeto), organizar partes de sequências, automatizar ações, o que significa executar um movimento sem utilizar a atenção consciente e o controle sensorial da ação a cada momento;

➢ Socialização no que se refere à comunicação verbal e não verbal, interações entre indivíduos em um grupo e o compartilhamento de emoções através de posturas, gestos e contemplação;

➢ Natureza hedônica que acompanha a prática esportiva e que proporciona uma melhoria na qualidade de vida e no maior entendimento de si próprio e de suas habilidades.

Christopher Rodrigues

Professor de Educação Física e Esportes na APAE de Ribeirão Preto, Professor de Educação Física e Judô na Escola de Educação Infantil Sonho Azul e Professor de Judô na Academia City Vida.

FÉRIAS CHEGANDO E AÍ…

FÉRIAS CHEGANDO E AÍ…

Gizela Leite

Terapeuta Ocupacional

E as férias vem chegando, uma mudança na rotina de todas as famílias. As mães na desesperam o que fazer com os filhos em casa, já que as atividades escolares foram suspensas.

Então vamos pensar em algumas atividades lúdicas para este período onde toda a família pode brincar e de quebra estimular a interação social, coordenação motora, os sistemas sensoriais e muito mais. A brincadeira em família reforça os laços sociais e os vínculos, quando brincamos estamos simulando algumas situações que no futuro já saberemos resolver.

A brincadeira é o exercício físico mais completo de todos e é através dela que agregamos valores e virtudes à nossa vida. A falta de valorização do brincar contribuiu para a realidade que vivemos hoje: as brincadeiras estão entrando em extinção. Brincar, porém, é um momento “sagrado”.

É através das brincadeiras que as crianças e os adultos ampliam os conhecimentos sobre si, sobre o mundo e sobre tudo que está ao seu redor.

Nestas atividades eles manipulam e exploram os objetos, comunicam-se, desenvolvem suas múltiplas linguagens, organizam seus pensamentos, descobrem regras, tomam decisões, compreendem limites e desenvolvem a socialização e a integração com o grupo. E todo esse aprendizado prepara as crianças para o futuro, onde terão de enfrentar desafios semelhantes àqueles vistos nas brincadeiras.

Então, vamos as dicas para a brincadeira acontecer de uma maneira bem divertida e quem sabe não entre na rotina dos finais de semana.

1. Gelatina divertida: cubos de gelatina colorida e cartolina. Ofereça cubos de gelatina firmes para que a criança “pinte” seu desenho na cartolina. Deixe que a criança explore e experimente os cubos de gelatina antes de utilizá-los para pintar.

Nesta atividade trabalhamos o sistema tátil (consistência e temperatura) visual (cor e forma), discriminação tátil e visual, coordenação motora fina, coordenação visumotora, percepção visual e espacial.

2. Espuma no espelho: espelho, espuma de barbear. Apresente a espuma de barbear para a criança experimentar em sua mão. Ofereça o espelho para limpar a mão. Dê a ideia de passar mais espuma no espelho até impedir a visão da própria. Brinque de esconder sua imagem com a espuma de barbear e achar sua imagem tirando a espuma de barbear.

Trabalhamos sistemas tátil, visual. Discriminação visual, planejamento e organização do comportamento, esquema corporal, integração bilateral, memória, percepção visual, espacial, comunicação e interação.

3. Fazendo milkshake: mixer, água, suco em pó e copos de diferentes tamanhos. Incentivando a autonomia nas atividade de vida diária, as atividades na cozinha são bem interessantes. Neste caso oferecemos a oportunidade de utilizar objetos que vibrem mixer e consistência e textura diversa. Por exemplo ,fazer suco, fazer bolo ou gelatina.

misturando os ingredientes no mixer.

Trabalhamos os sistemas proprioceptivo e tátil, planejamento e organização de comportamento, reações posturais, força, motricidade fina, jogo simbólico.

4. Corrida de bolinas: canudos, bolinhas de papel e fita de dupla face. Faça uma pista de corrida com a dupla face no chão ou na mesa. Proponha uma corrida de bolinha de papel que vocês mesmos vão fazer, com as seguintes regras: não tocar nas bolinha, somente as conduzir assoprando-as, não deixar as bolinhas grudem na fita dupla face. Ganha quem chegar primeiro no final da pista.

Nesta atividade trabalhamos os sistemas tátil, proprioceptivo, discriminação tátil, visual e proprioceptiva, planejamento e organização do comportamento. A motricidade oral, coordenação visumotora e percepção espacial.

6. Bobinho: É uma brincadeira de bola. Os jogadores vão jogando a bola um para o outro, e o objetivo do bobinho é roubar a bola. Se conseguir, quem chutou a bola pela última vez será o novo bobinho. Pode ser brincado com os pés ou com as mãos.

Interação social, planejamento motor nação espacial.

7. Bolinha de gude: Bolinhas coloridas e feitas de vidro, são jogadas num círculo feito no chão de terra pelos meninos. O objetivo é bater na bolinha do adversário e tirá-la de dentro do círculo para ganhar pontos ou a própria bola do colega.

8. Bolinhas de sabão: É muito fácil fazer a alegria da criançada comprada os kits de bolha de sabão. Mas aqui via uma dica para se fazer essa brincadeira de forma bem tradicional. Adquire-se um talo de mamoeiro e corta-se tirando a folha e a parte mais grossa. Faz-se em um copo espuma de sabão, mergulha-se o canudo e me seguida sopra-se bem de leve fazendo-se as bolas que serão soltas no ar.

9. Carneirinho / Carneirão: Brincadeira de roda, onde as crianças cantam em ciranda

10. Carneirinho, carneirão, neirão, neirão, Olhai pro chão, pro chão, pro chão. (Toda a roda obedecendo olha para o céu e para o chão) Manda ao rei de Portugal Para nós nos sentarmos. (Todos se levantam, e, sempre de mãos dadas, girando cantam o estribilho)

Para nós nos ajoelharmos (Todos ajoelham e ajoelhados cantam o estribilho) ou Para nós nos deitarmos (Todos se deitam e deitados, bem espichados de costas no chão, com os pés para o centro da roda, cantam

o estribilho). Para nós nos levantarmos (Na palavra levantarmos, do último verso, duas crianças, levantam-se, e, com ambos os braços bem estendidos, dão as mãos aos que estão deitados e vão se erguendo, um a um. Os que, ao serem erguidos, se conservam, são valentes; os que se dobram, são os mais fracos. A este a vaia dos valentes, e nessa, a conclusão do brinquedo)

10. Adoleta: Várias pessoas formam uma roda. Juntam-se as mãos e vão batendo na mão de cada membro conforme vai passando a música. Bate na mão de sílaba em sílaba, fala uma sílaba e bate na mão do companheiro do lado, fala outra sílaba e o companheiro bate na mão da outra pessoa. Assim por diante. A música vai terminar no “eu”. Quando terminar, a pessoa que recebeu o tapa na mão por último terá que pisar no pé de alguém (cada pessoa do jogo só poderá dar um passo na hora que terminar a música). Se ela conseguir, a pessoa em quem ela pisou é eliminada. Se não conseguir, sai. A música é assim:

Adoleta le peti petecolá, les café com chocolá. Adoleta Puxa o rabo do tatu, quem saiu foi tu, puxa o rabo da panela, quem saiu foi ela, puxa o rabo do pneu, quem saiu fui eu

11. Amarelinha: Essa brincadeira tão tradicional entre as crianças brasileiras também é chamada de maré, sapata, avião, academia, macaca etc. A amarelinha tradicional é desenhada no chão com giz e tem o formato de uma cruz, com um semicírculo em uma das pontas, onde está a palavra céu, lua ou cabeça. Depois vem a casa do inferno (ou pescoço) e a área de descanso, chamada de braços (ou asas), onde é permitido equilibrar-se sobre os dois pés. Por último, a área do corpo (ou quadro)

12. Cinco Marias: Também chamada de Três Marias, jogo do osso, onente, bato, arriós, telhos, chocos, nécara etc. O jogo, de origem pré-histórica, pode ser praticado de diversas maneiras. Uma delas é lançar uma pedra para o alto e, antes que ela caia no chão, pegar outra peça. Depois tentar pegar duas, três, ou mais, ficando com todas as peças na mão. Na antiguidade, os reis praticavam com pepitas de ouro, pedras preciosas, marfim ou âmbar. No Brasil, costuma ser jogado com pedrinhas, sementes ou caroços de frutas, ossos ou saquinhos de pano cheios de areia.

13. Dança da cadeira: Colocam-se cadeiras em círculo, cada participante senta-se, sendo que uma criança é destacada para dirigir o jogo, este deve estar vendado. O dirigente da brincadeira grita: já! Todos levantam e andam em roda das cadeiras. O dirigente retira uma

cadeira. À voz de já!, todos procuram sentar. Quem ficar sem lugar comandará a nova volta. Assim, as cadeiras vão sendo retiradas e o grupo vai diminuindo. Será o vencedor aquele que conseguir sentar na cadeira no último comando. Variante: As cadeiras são dispostas em duas fileiras (de costas uma para a outra). As crianças sentam nas cadeiras e uma fica responsável por ligar e desligar o rádio e também por retirar as cadeiras. Quando o rádio for ligado às crianças circulam pelas cadeiras quando o rádio é desligado as crianças sentam. A cada parada vai sendo retirada uma cadeira. Quem fica sem cadeira cai fora, é considerado vencedor o participante que conseguir sentar 4.Escravos de Jó: Cantiga aparecendo sob a forma de jogo ou passeio (ver esta última modalidade na categoria correspondente). A música é a mesma. Crianças sentadas no chão em círculo ou ao redor de uma mesa; um objeto (pedrinha, caixa de fósforos ou sementes). As crianças vão entoando a cantiga, marcando os tempos fortes; passam o objeto de uma para outra, no sentido dos ponteiros do relógio. Somente na parte onde dizem zique – zá o objeto é passado na direção contrária, retornando-se, logo a seguir, à primeira direção contrária, retornando-se, logo a seguir, à primeira direção. Quem erra cai fora. Os últimos dois serão os vencedores. Música: Escravos de Jó Jogavam Caximbó. Tira, bota. Deixa o Zé Pereira Que se vá. Guerreiros com guerreiros Fazem zigue – zigue zá (repete-se a música até restarem só dois).

15. Morto-vivo: Crianças lado a lado de frente para uma que estará sentada. O que está sentado grita bem alto: Morto para todos se abaixarem e Vivo! para se levantarem. Quem errar, sai da brincadeira. O vencedor é aquele que ficar por último.

Bom era para ser uma ou duas dicas, mas foram surgindo brincadeiras bem legais que não tive coragem de não compartilhar.

Agora não tem desculpa que não sabe o que fazer.

Bora lá brincar e curtir cada momento de interação com os nossos filhos.

Referência:

MOMO, Aline Rodrigues Bueno: Atividades sensoriais: na clínica, na escola , em casa. São Paulo, Memnon edições cientificas, 2012. https://brasileirinhos.wordpress.com/brincadeiras/, acessado em 23 de março de 2019 as 19;00 horas.

TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA Dr. Gustavo Teixeira

O autismo é caracterizado por prejuízos na interação social, atraso na aquisição da linguagem e comportamentos estereotipados e repetitivos. Foi brilhantemente descrito pelo médico, pesquisador e professor da Johns Hopkins University, o médico psiquiatra infantil austríaco Leo Kanner, em 1943.

Historicamente vale ressaltar a importância de uma médica inglesa, psiquiatra da infância e adolescência, a Dra. Lorna Wing. Seus estudos estabeleceram a análise de três déficits principais (conhecidos por “Tríade de Wing”), existentes entre os portadores de transtornos invasivos do desenvolvimento. Essas dificuldades estão localizadas nas áreas de imaginação, socialização e de comunicação.

As dificuldades na área da imaginação estão relacionadas com o conceito da Teoria da mente. Esse conceito se aplica ao fato de que todos nós somos capazes de se colocar na posição do outro, isto é, entendemos que outra pessoa é capaz de pensar diferente de você, capaz de ter crenças, desejos e pensamentos distintos. Desta forma, somos capazes de entender as emoções e o comportamento de outras pessoas.

Basicamente, a dificuldade de relacionamento e interação social é outro grande problema no autismo infantil. A impressão é que a criança está fechada dentro de seu mundo particular e não consegue interagir com outras pessoas ou outros objetos.

A grande maioria dos pacientes autistas não fala e aproximadamente 50% deles permanecerão mudos pelo resto de suas vidas, entretanto algumas crianças podem aprender a falar pequenas frases e serem capazes de seguir instruções simples. Muitas vezes essas crianças podem realizar uma inversão pronominal, se chamando por “ele” ou “ela”.

O transtorno apresenta uma incidência de 1% de crianças e adolescentes em idade escolar e ocorre em torno de quatro vezes mais em meninos do que em meninas.

Até pouco tempo atrás, o autismo era um problema comportamental identificado por volta dos três anos de idade, entretanto, com o avanço dos conhecimentos sobre essa patologia, é possível identificá-la nos primeiros meses de vida da criança.

Essa precocidade na identificação dos transtornos invasivos do desenvolvimento é fundamental para a realização de uma intervenção precoce, pois nos oferece uma grande “janela de oportunidade” para ajudar na reversão de muitos sintomas e isso é possível apenas se o paciente é tratado precocemente.

A inteligência está comprometida em grande parte das crianças com autismo e cerca de 60% desses pacientes apresentam deficiência intelectual, contudo muitas crianças podem frequentar escolas e ter um desempenho acadêmico regular.

Os transtornos associados estão presentes na maioria dos casos e as principais condições associadas são o transtorno obsessivo-compulsivo, transtorno de ansiedade generalizada, transtornos de tiques e o transtorno de déficit de atenção/hiperatividade.

Os pais podem procurar ajuda do pediatra, preocupados com o comportamento do filho que ainda não está falando, resiste aos cuidados paternos e não interage com outras pessoas.

Bebês com autismo apresentam grande déficit no comportamento social, tendem a evitar contato visual e mostram-se pouco interessadas na voz humana. Eles não assumem a postura antecipatória, como colocando seus braços à frente para serem levantados pelos pais, são indiferentes ao afeto e não demonstram expressão facial ao serem acariciados.

Outra característica observada em alguns bebês e crianças pequenas com transtorno invasivo do desenvolvimento é que eles podem iniciar normalmente o desenvolvimento de habilidades sociais, entretanto, de repente ocorre uma interrupção dessa evolução e a criança começa à regredir em seu desenvolvimento. Por exemplo: a criança com dois anos de idade que pára de falar, pára de mandar tchau e pára de brincar socialmente, como nos jogos do tipo péga-péga.

Quando crianças, não seguem seus pais pela casa e não demonstram ansiedade de separação dos mesmos. Não se interessam em brincar com familiares ou com outras crianças e não há interesse por jogos e atividades de grupo. Suas ações podem se limitar a atos repetitivos e estereotipados, como cheirar e lamber objetos ou bater palmas e mover a cabeça e tronco para frente e para trás.

O interesse por brinquedos pode ser peculiar, a criança pode se interessar pelo movimento circular da roda de um carrinho ou pelo barulho executado por ele, por exemplo. Essas alterações estão relacionadas com respostas não usuais a experiências sensoriais diferentes vivenciadas pela criança.

Pode ocorrer fascinação por luzes, sons e movimentos que o desperte para um interesse muito grande, por exemplo, pelo ventilador de teto ou por uma batedeira elétrica. A textura, cheiro, gosto, forma ou cor de um objeto pode também desencadear interesse peculiar na criança.

O paciente autista pode se sentir incomodado por pequenas mudanças em sua rotina diária, resultando muitas vezes em violentos ataques de raiva. Também é observado que quase a totalidade de crianças autistas resiste em aprender ou a praticar uma nova atividade.

Adolescentes autistas podem adquirir sintomas obsessivos como idéias de contaminação e apresentar também comportamentos compulsivos e ritualísticos como toques repetitivos em certos objetos pessoais, rituais de lavagem e repetição de perguntas.

 

 

SINAIS DE ALERTA EM BEBÊS 

Evita contato visual (quando é amamentado, por exemplo).

Não demonstra expressão facial ao ser acariciado.

Não sorri, quando você sorri para ele.

Indiferente ao afeto.

Pouco interessado na voz humana.

Não acompanha os objetos, quando se movem.

Não demonstra ansiedade, quando você se afasta dele.

Não eleva os braços para ser elevado do berço.

Não responde, quando chamado pelo nome.

 

 

AUTISMO NA ESCOLA 

Não aponta para objetos.

Não manda tchau.

Não entende jogos sociais, como pega-pega ou esconde-esconde.

Não utiliza gestos para se comunicar.

Não imita seu comportamento ou expressões faciais.

Não se interessa em brincar com outras crianças.

Não há interesse por jogos e atividades de grupo.

Não pede ajuda.

Interesse peculiar por brinquedos ou por partes dele.

Atos repetitivos e estereotipados.

Ataques de raiva na presença de pequenas mudanças em sua rotina diária.

Resiste em aprender ou a praticar uma nova atividade.

 

Quais são as causas?

Antigamente acreditava-se que as chamadas “mães de geladeira” seriam as causadoras do autismo infantil. O termo se refere à crianças expostas à mães que demonstravam pouco ou nenhum afeto em relação aos filhos, eram negligentes e muitas vezes violentas. As “mães de geladeira” não causam autismo, entretanto, fatores ambientais podem ter uma participação indireta no desencadeamento da doença.

As causas do autismo permanecem desconhecidas, mas diversos estudos indicam que fatores genéticos estão relacionados com a causa do transtorno. Insultos ao cérebro em desenvolvimento durante a gestação estão hipoteticamente relacionados com a origem do autismo. Nesse caso, alterações estruturais cerebrais, fatores imunológicos, neurológicos, bioquímicos, além de fatores congênitos, como rubéola, encefalite e meningite poderiam predispor a criança ao autismo.

 

O que fazer?      

Um dos grandes problemas no tratamento do autismo é a demora para a identificação dos sintomas e o consequente atraso para se fazer do diagnóstico e iniciar o tratamento. Hoje sabemos que o autismo é um transtorno do comportamento que possui “janelas de oportunidade” para intervenção. Isso significa que se esperarmos para agir, perdemos chances ímpares de promover a melhora desse paciente e limitamos a chance de obter sucesso no tratamento de determinados sintomas.

Comumente me deparo com casos em que a família demorou muito à procurar ajuda especializada, pois se deparou com profissionais que assumiram o seguinte discurso: “ele não tem nada, ele tem o tempo dele, vamos esperar.” Existem marcos importantes do desenvolvimento infantil que precisam ser respeitados, caso a criança apresente atrasos nesses marcos evolutivos, ela precisa ser investigada.

Logo, a precocidade do diagnostico e do tratamento são fundamentais. Assim, a identificação precoce do transtorno e o início do tratamento da criança ainda em idade pré-escolar pode ajudar bastante no prognóstico. Quanto mais cedo identificado o problema, melhor!

Intervenções conjuntas englobando psicoeducação, suporte e orientação de pais, terapia comportamental, fonoaudiologia, treinamento de habilidades sociais e medicação ajudam na melhoria da qualidade de vida da criança, proporcionando a melhor adaptação ao meio em que vive.

Um profissional importante no tratamento e no processo pedagógico dessa criança será o facilitador ou mediador escolar. Ele será um elo entre educadores, pais e o estudante.

O mediador escolar trabalhará auxiliando a criança na sala de aula e em todos os ambientes escolares, como um “personal trainer”, mediando e ensinando regras sociais, estimulando sua participação em sala, facilitando sua interação social com outras crianças, corrigindo rituais e comportamentos repetitivos e acalmando o estudante em situações de irritabilidade e impulsividade.

Comportamentos agressivos, auto-mutilantes, irritabilidade, instabilidade emocional, impulsividade e depressão podem melhorar muito com associação de medicamentos e técnicas de manejo comportamental.

Um tipo de tratamento comportamental que tem ganhado destaque atualmente pelo sucesso de suas intervenções é chamado Análise do Comportamento Aplicado ou ABA (Applied Behavior Analysis).

O método ABA é praticado por psicólogos experientes e consiste no estudo e na compreensão do comportamento da criança, sua interação com o ambiente e com as pessoas com quem ela se relaciona. A partir do conhecimento e do funcionamento social global da criança, são desenvolvidas estratégias e treinamentos específicos para corrigir comportamentos problemáticos e estimular comportamentos assertivos e práticos. A utilização de reforçadores positivos e recompensas são estratégias amplamente utilizadas para auxiliar no sucesso do método.

O trabalho do fonoaudiólogo é muito importante no tratamento do portador de autismo e dos transtornos invasivos do desenvolvimento, pois aproximadamente 40% dessas crianças adquirem algum grau de comunicação verbal, principalmente quando corretamente estimuladas, fato que também colabora para a melhoria de suas habilidades na interação social.

A atividade esportiva e de psicomotricidade também merecem destaque nas intervenções com crianças e adolescentes com autismo e outros transtornos invasivos do desenvolvimento, pois auxiliam muito no desenvolvimento de habilidades motoras, consciência corporal, melhoram a auto-estima, estimulam a socialização e aumentam a inclusão dessas crianças em eventos escolares e sociais.

Ressalto o belo trabalho de duas instituições brasileiras sem fins lucrativos: a Associação de Amigos do Autista (AMA) e a Autismo e Realidade.

Ambas as associações são formadas por pais, profissionais e pesquisadores que buscam a divulgação do conhecimento científico sobre o autismo, com campanhas e atividades direcionadas a motivar e orientar as famílias na sua busca por diagnóstico, tratamento, educação e inclusão social.  A luta para eliminar preconceitos e despertar o interesse e boa vontade da sociedade brasileira também faz parte dos objetivos dessas instituições e merece todo o respeito e apoio.

 

 

Dr. Gustavo Teixeira é mestre em Educação pela Framingham State University, nos Estados Unidos, é palestrante internacional em inclusão e educação especial.

Autor dos livros: “Manual do autismo”; “Manual dos transtornos escolares”; “O reizinho da casa” e “O reizinho autista”.

 

A equoterapia como recurso terapêutico no TEA

Por definição, a equoterapia é o método terapêutico que utiliza o cavalo, seus movimentos tridimensionais e o ambiente em que está inserido como facilitadores na promoção e desenvolvimento das habilidades físicas, psicológicas e sociais de pessoas com diversas condições; dentre elas, o TEA.

A equoterapia tem início, muitas vezes, antes praticante chegar ao local da terapia visto que, através da avaliação inicial e do planejamento terapêutico, pode-se solicitar que ele traga o alimento a ser ofertado ao animal como estratégia de antecipação e assim, de maior interação entre os envolvidos na terapia. Normalmente, após a alimentação, a escovação e o uso de recursos de enfeites, combinados entre terapeuta e praticante, ocorre a montaria em si. Entretanto, nessa fase inicial, antes da montaria propriamente dita já se trabalham questões de socialização, comunicação, motricidade fina e grossa, esquema espacial e corporal, paciência, atenção; dentre outros, de maneira lúdica, prazerosa e despretensiosa.

Uma vez montado ao cavalo, no passo lento e cadenciado, todos esses benefícios se intensificam e somam-se ao treino motor, esquema corporal com equilíbrio estático e dinâmico, reforço vestibular, integração sensorial propriamente dita, reações de endireitamento, superação, motivação, regras de segurança e rotina de atividades. Os movimentos do cavalo são transmitidos a partir da pelve do praticante e constantemente há a necessidade de adaptar-se e readaptar-se ao movimento e às atividades motoras propostas pelo profissional mediante os objetivos, novamente de maneira prazerosa, lúdica, individual e positiva. Ao apear do animal há a possibilidade de leva-lo à sua baia e participar da rotina de cuidados com o mesmo inclusive do banho, ou mesmo conduzi-lo ao praticante seguinte. Todas as possibilidades de atividades propostas apresentam fundamentos nos objetivos a serem alcançados.

A terapia através de um animal de grande porte e, a sensação por parte do praticante de ser o protagonista, de poder comandar o cavalo, possibilita a ambivalência entre o medo e a coragem. Faz prevalecer à afetividade e a sensação de grandiosidade, o praticante sente-se motivado e tem elevada a sua autoestima e a autoconfiança. De maneira geral observam-se benefícios quanto: à redução das desorganizações e estereotipias, o melhor conhecimento das capacidades de seu corpo, à melhor representação do seu corpo na relação com o ambiente externo, à melhor comunicação e socialização, o processamento de informações sensoriais, à comunicação verbal e não verbal, às interações entre indivíduos em um grupo e o compartilhamento de emoções através de posturas, gestos e contemplação. A equoterapia proporciona uma melhoria na qualidade de vida e no maior entendimento de si próprio e de suas habilidades.

 

 

Thais Regina Frata Fernandes

Fisioterapeuta

Crefito 10/35.482-F

Proprietária do Sítio da Lulu: Fisioterapia Neurofuncional /Equoterapia / Parque Sensório-Motor

47 99968-1908

Curso Livre Gratuito – TEA

Uniasselvi e Grupo de apoio Educacional autismoS ofertam curso livre gratuito sobre Autismo
Com o objetivo de informar e sensibilizar a comunidade sobre o Transtorno do Espectro Autista – TEA, a UNIASSELVI está ofertando, gratuitamente, um curso livre sobre o tema. Este curso é composto por quatro etapas que envolvem temas como conceitos históricos e socioculturais, classificações e terminologias, causas e diagnósticos do transtorno, assim como as particularidades das relações familiares e socioafetivas do autista.
O acesso ao curso é feito pelo site da Jornada de Integração Acadêmica – JOIA (https://joia.uniasselvi.com.br/principal.php), com certificação digital de 40 horas.
Acessos:
COMUNIDADE: a comunidade em geral pode fazer o curso acessando o site da JOIA e clicando em LOGIN > Comunidade > Não possuo cadastro. Faça seu login e senha de acesso e depois disso, clique em “Minicursos”. Veja o tutorial anexo.
– ACADÊMICO: o acesso pode ser feito tanto pelo portal da JOIA como pelo seu Ambiente Virtual de Aprendizagem – AVA, no menu “Cursos Livres”.
– EGRESSO DA UNIASSELVI: se você já foi acadêmico da UNIASSELVI, seu acesso será como “Egresso”, ou seja, entre no site da UNIASSELVI (www.uniasselvi.com.br) e clicar em Graduação > Serviços > Portal do Egresso. Primeiramente, deverá responder ao Questionário do Egresso, para então ter acesso ao curso livre desejado.
– ALUNO DA PÓS-GRADUAÇÃO EAD: o acesso ao curso será feito pelo próprio portal de aluno da Pós, em “Cursos Livres”.
Atenciosamente,
Grupo de Apoio Educacional AutismoS

Cadê o manual?

Por Adriana Czelusniak

Terapeuta  Integrativa  Sistêmica e mãe de Gabriel, 13 anos, autista.

O que fazer com um bebê que chora e chora sem parar durante o primeiro ano de vida todo sem que você saiba o que está motivando esse comportamento?

E por pirraça, quando não está chorando, está calminho, tranquilo e silencioso?

“Nossa como seu bebê é bonzinho, né? Fica quietinho no carrinho!” Eu vivia escutando isso ao passear com ele. E só pensava “Ahã, espera um pouco e você vai ver o berreiro.”

Embora fosse muito cansativo, lidar com esse comportamento chorão parecia natural.

Afinal, todo mundo sabe que uma mulher depois de dar à luz fica mais cansada, não dorme direito, amamenta… então pra mim aquilo fazia parte do pacote maternidade.

Só sei que durante o primeiro ano de vida do meu filho eu tive certeza de uma coisa: passar por isso de novo nem pensar.

Ainda mais quando meu filho foi crescendo e deixando de ter essas crises de choro.

Mas logo vieram outras crises. Percebi mais tarde que eram momentos em que ele não conseguia se fazer entender.

Parecia que seu vocabulário ou capacidade de articular palavras e frases o impediam de se expressar e – consequentemente – de ser compreendido.

Nesses momentos dava tapinhas na cabeça, gritava, saía correndo, jogava coisas no chão. Também foi mostrando uma rigidez, fosse na hora de escolher quais trechos do desenho animado iria assistir e a ordem, fosse na escolha dos caminhos que faríamos de carro.

Mais uma vez o tempo – e a paciência – foram fundamentais para lidar com esses descontroles.

Veio o diagnóstico de autismo e com isso fomos aprendendo que aqueles desafios todos não faziam parte da maternidade típica. Tínhamos todos os afazeres envolvidos na criação de um filho, banho, seletividade alimentar (talvez um pouco mais acirrada que o normal), manhas, e também tínhamos as questões do autismo pra lidar.

Felizmente meu filho desenvolveu a linguagem com apenas um pouquinho de atraso. À medida que foi se tornando mais capaz de se expressar e que as pessoas passaram a compreendê-lo mais facilmente, os ataques de raiva e as autoagressões foram diminuindo, até cessarem.

Claro que com as novas fases vieram outros desafios, atualmente na adolescência então… daria um livro!

Mas a lição que fica é que todos os momentos do crescimento de nossos filhos, sejam eles de desenvolvimento típico ou atípico, temos nossas fases como mães também.

E para essas nossas fases é fundamental estar abertas para admitir que está difícil, que precisa de apoio e cultivo da paciência, para pedir ajuda e aceitá-la.

Maternidade e o Autismo

“Olha lá, o louquinho da Arlete e do Orlando!” “Isto é falta de surras!” “Que guri estranho!” Estas são frases que sempre ouvíamos de nossa comunidade, e ainda que fossem proferidas sem intenção de magoar, ditas só da boca para fora, conseguiam estragar nosso dia.
As observações feitas por uma pedagoga amiga da família ajudaram muito a elucidar que características eram aquelas sobre as quais as pessoas tanto falavam e que para nós eram atribuídas a lesão cerebral.
Além disso, começamos aqui em casa, a perceber em que pontos os nuances do autismo impactavam o dia a dia de Marcos e desta forma percebemos seus desafios, potencialidades e medos. Eu, Orlando e Bruno ( mãe, pai e irmão) acabamos percebendo que as barreiras para autistas, muitas vezes são de atitudes.
Há 18 anos, época em que aconteceram as observações em Marcos não havia muito material sobre o autismo, então resolvemos seguir ofertando oportunidades ditas normais: Trazíamos as crianças para brincar aqui em casa, mesmo que fosse por pouco tempo… Íamos modificando aos poucos a rotina! “Vamos fazer um caminho diferente hoje!”. A cada mudança, por mais sutil que fosse, Marcos sentia profundamente, mas nós deixávamos claro: Era tudo para o bem do desenvolvimento dele! Tendo sido estimulado segundo o programa de reorganização neurológica Glenn Doman muito antes de descobrirmos o autismo, Marcos desenvolveu-se muito bem, tanto, que as oportunidades a ele dadas foram se expandindo… Ao mudar de caminho, mudar um objeto de lugar dentro de casa, ou levar um coleguinha diferente para brincar, estávamos preparando nosso filho para desenvolver flexibilidade e ao mesmo tempo, para lidar com os estímulos do ambiente!
Nossos ânimos eram restaurados ao saber que poderíamos condicionar Marcos a muitas coisas com amor acima de tudo! O preconceito sempre existiu, mas ao perceber o quanto  nosso filho evoluía, caminhando dentro do Espectro do Autismo, tínhamos certeza que trocas de informação e experiência eram possíveis. É dessa forma que nascem comunidades pró autismo: No começo elas são tímidas, mas logo vão tomando espaço no debate público, muitas vezes levadas a ele por nós familiares. Conosco foi o que houve, pois  apesar do potencial enorme para aprender, Marcos acabava ficando desanimado na escola por exemplo, então fomos  conversar com a direção e os professores, mais que exigir o direito de aprender, expusemos aquilo em que Marcos era bom e como isto poderia dar-lhe autonomia.
Marcos não conseguia triangular (olhar para o quadro, olhar para o caderno e voltar-se ao quadro), o fato de não conseguir olhar para os olhos dos outros fixamente atrapalhava na hora de explicar algo, ou de se relacionar com as professoras dele! A informação foi muito útil nestas horas, quando reunimos alguns conceitos dentro do TEA para sensibilizá-las e através de insistência e diálogo pudemos mitigar as maiores dificuldades ao mesmo tempo em que conscientizada os coleguinhas de Marcos, para que constituíssem uma comunidade escolar inclusiva… Aos poucos a consciência vai fluindo para toda a nossa cidade e por enquanto fiamo-nos na experiência escolar para que esta possa sensibilizar aos poucos a quem proferiu tantas especulações, pois do mesmo jeito que ocorreu na escola, onde equipe pedagógica foi engajando-se no rumo da inclusão, assim pode ser também com as pessoas que convivem ou conviverão com autistas.Arlete Boing Petry
Palestrante