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Nem maldição, nem benção

Posted @withrepost • @autismo_meureizinhojoaquin .
Nem bênção, nem maldição!

É assim que eu vejo o autismo!

Na minha opinião, que não é uma verdade absoluta, é somente a minha opinião, o autismo é uma condição humana como tantas outras. .
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Atribuir ao autismo uma visão de bênção ou maldição é um conforto/consolo que muitos acreditam devido às suas próprias crenças religiosas. Quem sou eu para querer mudar essa visão?! Se está bom e confortável, está ótimo.

Entretanto, ontem eu li em um grupo de mães que quem pensa diferente dessa visão de benção precisa encontrar Deus e aceitar que quem têm filhos autistas tem benção em suas vidas.

Daí, eu me perguntei: “E quem tem filho neurotípico? Esse também não é benção?” Não consigo olhar para meus filhos e me achar privilegiada por um ser autista e o outro não.

Não consigo olhar para meus amigos que têm filhos sem autismo e me achar melhor que eles porque eu tenho.

Eu me sinto muito feliz por ter o nosso Reizinho mesmo depois de dois abortos espontâneos, uma espera de muitos anos e um parto tão difícil.

Eu até poderia atribuir o fato dele ter vindo tão guerreiro e sobreviver a tudo que passamos como uma bênção.

Mas, sinceramente, não consigo associar o autismo à uma bênção.

Queridos e queridas, não estou querendo com essa postagem desmerecer ninguém, nem questionar o que cada um pensa em relação à própria fé. .
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Mas se coloquem no lugar do outro. Daquele que não tem filho autista. Ele não recebeu uma bênção também?

Quem, assim como eu, tem mais de um filho e só um é autista. O outro não é bênção?

Quando falamos que o atípica é benção , o que o neurotípico seri

AS 15 PRINCIPAIS MODALIDADES TERAPÊUTICAS

AS 15 PRINCIPAIS MODALIDADES TERAPÊUTICAS
 
Dr. Gustavo Teixeira, M.D. M.Ed.
Diretor Executivo do CBI of MIAMI
O tratamento moderno para os transtornos do espectro autista é baseado em estudos científicos controlados e realizados há décadas em diversos centros de pesquisa das mais respeitadas e renomadas instituições acadêmicas dos Estados Unidos, Canadá e Europa.
Intervenções conjuntas englobando psicoeducação, suporte e orientação de pais, terapia comportamental, fonoaudiologia, treinamento de habilidades sociais, medicação, dentre outras modalidades ajudam na melhoria da qualidade de vida da criança, proporcionando uma melhor adaptação no meio em que vive.
Destaco a seguir as 15 principais intervenções utilizadas no tratamento dos transtornos do espectro autista atualmente. Essa lista é um conjunto de referências terapêuticas dos principais guidelines mundiais sobre o tema, além das recomendações da Academia Americana de Psiquiatria da Infância e Adolescência, Academia Americana de Pediatria e do Centro de Controle de Doenças e Prevenção (CDC).
ORIENTAÇÃO FAMILIAR E PSICOEDUCAÇÃO
            A orientação familiar e oferecimento de material psicoeducativo deve ser a primeira intervenção terapêutica. Normalmente, o momento de informar sobre o diagnóstico da criança e de conversar sobre o plano individual de tratamento é carregado de emoção, preocupações, dúvidas e muita ansiedade por parte dos pais.
            O médico deverá ser acolhedor, atencioso e esclarecer todos os aspectos referentes ao diagnóstico e sobre o plano individual de tratamento.
            Todo universo de dados sobre a psicopatologia envolvendo o autismo deve ser explicado. Livros, folhetos, websites e toda forma de conteúdo psicoeducacional deve ser fornecido à família da criança.
            O trabalho psicoeducativo e de orientação aos pais será fundamental para aumentar a adesão ao tratamento e para gerar expectativas realistas sobre a evolução da criança ao longo do tempo.
ENRIQUECIMENTO DO AMBIENTE
Essa modalidade de tratamento é baseada em uma intervenção simples, mas com resultados muito positivos. Trata-se de expor a criança à um ambiente doméstico rico em diferentes estímulos sensoriais. Essa possibilidade de estimulação passou a ser estudada após a observação de que crianças pouco estimuladas vivendo em orfanatos romenos durante o governo do ditador Nicolae Ceaușescu nas décadas de 1970 e 1980 desenvolviam alguns sintomas autísticos no que foi chamado síndrome autística pós-intitucional.
Estudos com modelos animais também demonstraram que aqueles animais que viviam em ambientes ricos de estímulos, se desenvolviam melhor, quando comparados com animais privados de estimulação.
Para esse enriquecimento do ambiente existem alguns protocolos de intervenção que incluem, por exemplo: duas exposições diárias (manhã e tarde) a diferentes fragrâncias de perfumes; escutar diferentes ritmos musicais durante o dia; realizar diferentes atividades motoras e assim por diante. Basicamente a criança é estimulada diariamente com pelo menos 30 exercícios combinandos com estímulos diferentes envolvendo os cinco sentidos (olfato, tato, paladar, visão e audição).
O que os estudos científicos estão nos mostrando é que esse enriquecimento do ambiente através dessa estimulação sistematizada produz uma melhora significativa de sintomas autísticos em crianças e adolescentes. Importante destacar que essas intervenções apresentam sucesso quando realizadas em crianças com até quatro anos de idade.
MEDICAÇÃO
Não existem medicações que possam tratar especificamente o autismo, entretanto algumas medicações podem ser utilizadas quando identificamos “sintomas-alvo”, isto é, alguns sintomas comportamentais que atrapalham o funcionamento global da criança e que podem ser melhorados com medicamentos especificos.
Por exemplo, uma criança que apresente comportamentos agressivos, auto-agressivos, agitada, inquieta, ansiosa, com movimentos repetitivos ou estereotipias pode se beneficiar de uma intervenção farmacológica.
Outras crianças que apresentem diagnósticos associadas como o transtorno de ansiedade generalizada, o transtorno de déficit de atenção/hiperatividade, o transtorno de humor, dentre outras também podem fazer uso de medicação objetivando a melhoria dos sintomas da patologia associada.
TERAPIA COGNITIVO COMPORTAMENTAL
Uma das intervenções mais utilizadas para o tratamento do autismo, a terapia cognitivo comportamental ajuda a criança a reconhecer seus sentimentos e regular suas emoções; controlar ansiedade, reduzir a impulsividade e melhorar seu comportamento social.
O terapeuta objetiva também reduzir comportamentos repetitivos e estereotipados, controlar acessos de raiva e ensinar novas habilidades à criança ou adolescente.
 
TREINAMENTO EM HABILIDADES SOCIAIS
O treinamento em habilidades sociais é uma modalidade terapêutica fundamental para o tratamento do autismo, pois as principais dificuldades dessas crianças estão relacionadas com a esfera social.
O terapeuta tem o objetivo de ensinar e treinar habilidades sociais importantes para a comunicação e interação social da criança, como olhar nos olhos, reconhecer gestos faciais, iniciar e manter uma conversa, por exemplo.
Ele pode contar histórias e envolver a criança em situações sociais simuladas. Posteriormente a criança poderá treinar o comportamento desejado engajando-se em situações reais dentro de um grupo de habilidades sociais envolvendo também outras crianças com as mesmas dificuldades.
Em uma terceira etapa, as crianças podem treinar comportamentos sociais em situações práticas do dia a dia, comprando um sorvete na sorveteria ou conversando com um novo amigo na escola, por exemplo.
 
TERAPIA ABA
Um tipo de tratamento comportamental que tem ganhado destaque atualmente pelo sucesso de suas intervenções é chamado Análise do Comportamento Aplicado ou ABA (Applied Behavior Analysis).
A terapia ABA é praticado por psicólogos experientes e consiste no estudo e na compreensão do comportamento da criança, de sua interação com o ambiente e com as pessoas com quem ela se relaciona.
A partir do conhecimento e do funcionamento social global da criança, são desenvolvidos estratégias e treinamentos específicos para corrigir comportamentos problemáticos e estimular comportamentos assertivos e práticos.
A utilização de reforçadores positivos são estratégias amplamente utilizadas para auxiliar no sucesso do método e o progresso da criança pode ser mensurado e estudado de forma detalhada.
Dentro da terapia ABA existem diversas técnicas comportamentais que podem ser utilizadas, objetivando a aprendizagem, a motivação, estimulando a comunicação e o ensinamento de habilidades verbais.
FONOAUDIOLOGIA
O trabalho do fonoaudiólogo é muito importante na estimulação das habilidades de comunicação verbal e não-verbal. Quando corretamente estimuladas, essas crianças apresentam ganhos muito significativos fala, na linguagem não verbal, na interação social, no ganho de autonomia e melhoria de sua qualidade de vida e de sua autoestima.
TERAPIA OCUPACIONAL
A terapia ocupacional objetiva o ensinamento de habilidades de vida diária para tornar a criança mais independente possível. As habilidades treinadas podem incluir: se vestir, se alimentar, tomar banho, ensinar a criança a pedir auxílio e a se relacionar com outras crianças ou cuidadores. A busca por algum grau de autonomia é um dos objetivos da terapia ocupacional.
TERAPIA DE INTEGRAÇÃO SENSORIAL
A terapia de integração sensorial objetiva auxiar a criança à lidar com as informações sensoriais do ambiente. Comumente, crianças com autismo apresentam dificudade de lidar com questões sensoriais, como sons, luzes e odores. Desta forma, a intervenção poderia ajudar, por exemplo, crianças que apresentam dificuldades para lidar com o toque, ou com a textura de uma roupa nova, ou que se incomoda com o barulho dos carros na rua ou com o perfume da mãe.
MÉTODO TEACCH
O método TEACCH (Treatment and Education of Autistic and related Communication-handicapped Children) ou tratamento e educação de crianças com autismo e dificuldades de comunicação é uma metodologia amplamente utilizada na aprendizagem de crianças com autismo. O método utiliza pistas visuais para o ensinamento de habilidades, por exemplo: cartões ou figuras que ensinem a criança a se vestir a partir de informações quebradas em pequenos passos e ilustradas em diferentes cartões.
MÉTODO PECS
O PECS (Picture Exchange Communication System) ou Sistema de comunicação por figuras utiliza cartões com símbolos para a aprendizagem de habilidades de comunicação. A criança é treinada para usar os cartões para perguntar ou responder à perguntas e para manter uma conversação.
MÉTODO FLOORTIME
       O Floortime foca no estímulo ao desenvolvimento emocional e relacional da criança. O método busca entender os sentimentos da criança e sua relação com seus cuidadores e também na maneira como a criança se relaciona com os órgãos do sentido (olfato, audição, visão, tato e paladar).
MEDIADOR ESCOLAR
Um profissional importante no tratamento e no processo pedagógico dessa criança será o mediador escolar. Ele funcionará de elo entre educadores, pais e o estudante.
Nos Estados Unidos esse profissional é chamado de shadow (“sombra” em inglês). O motivo dessa denominação é para reforçar que o mediador não deve trabalhar como um facilitador de tarefas, e sim como uma sombra da criança.
O mediador escolar trabalhará auxiliando a criança na sala de aula e em todos os ambientes escolares, como um “personal trainer”, mediando e ensinando regras sociais, estimulando a comunicação e sua participação em sala, acompanhando a interação social dela com outras crianças, corrigindo rituais e comportamentos repetitivos e acalmando o estudante em situações de irritabilidade e impulsividade.
Um ponto importante no trabalho do mediador escolar é que seu trabalho deve ocorrer apenas após a intervenção do psicólogo comportamental que identificará as limitações da criança, seus potenciais e poderá coordenar e orientar o trabalho do mediador escolar.
A orientação ao mediador escolar proporcionará uma constante evolução da criança, atendendo às necessidades do estudante e criando oportunidades e metas de desenvolvimento à serem alcançadas.
O mediador escolar desse ser treinado para documentar diariamente a evolução do estudante. Desta forma, pais, psicólogo comportamental e escola podem trabalhar juntos na identificação de comportamentos e situações problemáticas para realizar adaptações e mudanças de suporte e auxílio para nutrir a evolução acadêmica e comportamental da criança ou adolescente.
Encontros regulares entre o orientador escolar, professores, mediador, psicólogo comportamental e pais ajudam na constante elaboração de metas e implementação de novas estratégias para ajudar o estudante.
Lembre-se, o objetivo final do mediador escolar será ensinar a criança autista a se tornar independente na escola.
 

Quando a Crise é Imprevisível – Silvia Verga

Quando a Crise é Imprevisível

Enquanto escrevo este artigo para famílias de
crianças com autismo, como a minha, vivemos em
meio a uma crise global imprevisível. Como pais de
crianças especiais, entendemos bem a crise. Nossos
filhos, em muitos casos, se envolvem em
comportamentos perturbadores, como uma birra ou
agressão, que podem levar a uma crise inegável. Nós,
como pais, entendemos o significado da crise.
Estamos constantemente num duelo ajudando nossos
filhos a superar a birra ou a busca interminável de
um profissional qualificado para trabalhar com nossos filhos, ou
negociando um sistema educacional que nem sempre é preparado para
receber nossos filhos devido à falta de recursos. Pais de crianças autistas,
entendem a crise.

Meu filho com autismo leve tinha cinco anos
quando foi convidado para a festa de aniversário
de seu colega de escola. Eu estava no trabalho e
meu marido o levou para a festa. Nós pensamos –
Jeremy conhece bem o amigo, eles passam horas
juntos na sala de aula, todos se conhecem. O que
poderia dar errado? Bem, o pior possível. Jeremy chegou à festa e logo
depois fez a pior birra de sua vida, deixando meu marido surpreso e todo
mundo sem palavras. Após esse incidente, entendemos que precisávamos
aprender a lidar com essa crise. Precisávamos de ferramentas para
impedir que isso acontecesse. Precisávamos de ferramentas para lidar com
a crise quando ela aparecia. Aqui estão algumas das coisas que
aprendemos:

1. Fizemos o possível para manter a calma, pois seu comportamento
provavelmente provocaria emoções em nós. Quando o
comportamento dele parecia demais para mim, eu pedia ao meu
marido que intervisse para que eu pudesse fazer uma pausa e
respirar fundo. Eu precisava de tempo para me lembrar que seu
comportamento não era um ataque contra mim, mas sua maneira de
comunicar que ele estava em um estado emocional de dor.

2. Definimos eventos, ativador da raiva ou sinais de que uma situação
de crise poderia se desenvolver: uma vez que soubéssemos o que o
desencadeou, evitávamos esses lugares ou eventos antes de
desenvolver estratégias que permitissem que ele tivesse escolhas e
expressasse sua frustração diante de uma situação que o levaria a
uma birra fora do controle.

3. Fornecemos instruções claras e usamos linguagem simples. Depois
de reservar um tempo para me reagrupar e dar espaço a ele, pude
me comunicar com ele em poucas palavras, na época, o que
precisávamos que ele fizesse a seguir. Sempre afirmando que o
amamos; nós entendemos que ele estava tendo um momento difícil e
estávamos lá esperando para ajudá-lo.

Uma crise pode ocorrer em nossas vidas a qualquer momento. No entanto,
a forma como lidamos com a crise é o que define seu resultado. É
importante ter um plano, mais de um. Plano A. Plano B. Plano C, e até um
Plano D, se necessário. Enquato prepararmos para crises futuras, olhamos
para crise passadas em respostas para que possamos estar melhor
equipados para enfrentá-la.

Escrito por Silvia Verga, mãe de autista, coach familiar e consultora que vive em Nova
Iorque desde 1998 e e original de Gaspar, SC. Dia 5 de Maio de 2020.

AÇÕES DO GRUPO 2018/2019/2020

Inclusão é informação!

Grupo AutismoS

 

Entre os anos de 2018 e 2019, o grupo autismos lançou seu projeto mais audacioso, de formações continuadas gratuitas e certificadas para as redes de ensino. A formação de profissionais educacionais era de extrema importância, pois é na escola que a socialização acontece de fato. Ou seja, o principal papel da escola é a socialização. Nela, a criança/adolescente passa por diversas situações nas quais pode antecipar como será sua vivência extramuros. Afinal, quanto mais diversidade encontrar na escola: seja convivendo com adultos diferentes de seu meio familiar, ou relacionando-se com pares distintos, maior será sua preparação para a vida fora da escola.

Dessa forma, é importante que os professores educadores estejam aptos e preparados para administrar as situações adversas dos alunos:adaptação curricular, adaptação social, adaptação de materiais e de espaço. Nesse sentido, os professores nas formações do grupo autismoSreceberam o embasamento necessário para desenvolver todo esse trabalho adaptativo e de acolhimento.

O intuito da realização dos projetos foi decontribuir para o progresso da formação e do trabalho docente devido ao suporte que oferece ao desenvolvimento profissional, além de promover um crescimento pessoal e institucional, colaborando com possíveis mudanças na prática.

Desde 2018, o grupo trabalhou para ser referência na área educacional nacional sobre ainclusão de crianças e de adolescentes autistas, levando informações sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA) por meio de seminários, cursos, formações continuadas e palestras gratuitas certificadas presenciais e/ou on-line aos profissionais da área da educação para ajudar o dia a dia escolar de crianças e de adolescentes autistas.

Para isso, contam com formadores, profissionais especializados –pedagoga/o; psicopedagoga/o; fonoaudióloga/o; fisioterapeuta; psicóloga/o; terapeuta ocupacional; fisioterapeuta; médica/o neuropediatra –, e depoentes, pais e pessoas no TEA, todos voluntários que levam suas vivencias e suas experiências tanto pessoais, quanto profissionais por meio de informações atuais de forma estruturada e dinâmica para melhor atender as crianças e os adolescentes autistas.

Seguindo, observem-se os números detalhadosdos 12.474 beneficiados com as ações do grupo, como: a realização do Seminário Anual sobre TEA, no mês de abril (mês da conscientização mundial sobre autismo); as formações continuadas gratuitas e certificadas (pela Uniasselvi) para rede pública e privada de ensino de Blumenau e região; palestras cursos presenciais e/ou on-line gratuitos e certificados:

Ano de 2018: 7.585 pessoas
1o Seminário de Sensibilização AutismoS:  Vivências no Autismo: 1.100
Formações continuadas: 1.519
Palestras: 946
Curso on-line tutores Uniasselvi: 4.020

Ano 2019: 4.889 pessoas
O 2o Seminário de Sensibilização AutismoS: explorando o universo autista: 1.200
Formações continuadas: 1445
Palestras: 983
Curso profissionais da Unimed: 100
AutismoS Presente Ação 1 on-line formação dos tutores/multiplicadores: 1.161

Ano 2020: 29.641 em andamento

Curso livre on-line gratuito e certificado sobre TEA(abril de 2018 a abril de 2020): 29.539 participantes

Seminário de abertura ano letivo Uniasselvi 2020:uma nova década se inicia: 102 ouvintes.

Por fim, o grupo autismoS levou informação sobre o TEA para mais de 42 mil pessoas, aumentando assim a rede inclusiva, desmistificando os mitos existente, mostrando, através de material cientificamente comprovado, a realidade vivida por pessoas com autismo e por todos ao seu redor.Afinal, todo conhecimento e todo aprendizado só são válidos, se compartilhados.

Negação ( Michele Malab – escritora, palestrante e aspie)

NEGAÇÃO
Substantivo feminino 1. Ato ou efeito de negar 2. O que se nega, o que não se admite como verdade; negativa.
(Dicionário Aurélio)
A negação é um mecanismo de defesa.
Se eu não penso sobre algo evito o sofrimento de ter que lidar com isso.
O preço a pagar pela negação pode ser alto, tanto na carga psíquica que tenho que liberar para manter este processo tanto quanto tanto isso pode afetar diretamente o outro. (Anna Freud)
No caso de negação do diagnóstico de uma criança isso pode custar a ela a própria vida.
Pais que negam a condição de um filho não conseguem dar a ele o suporte (tratamentos) necessário para o seu desenvolvimento.
Sim, eu tive minha fase de negação. Pedro tinha sinais sutis de autismo, mas não se encaixava no que eu conhecia sobre autismo. Ele não olhava nos olhos, não respondia quando era chamado, não falava mais que quatro palavras, não apontava, tinha baixa tolerância às frustrações, não entendia as regras, não interagia como deveria, nos usava como objeto… mas ele não tinha movimentos repetitivos, não ficava absorto em seu próprio mundo; ele até interagia, a seu modo, a fala podia ser uma questão de genética já que na minha família tínhamos muitos casos assim, ele ainda era muito pequeno, podia ser que com o tempo melhorasse…
Pensava que ele devia sim ter “alguma coisa”, afinal o desenvolvimento não estava sendo como o esperado para a idade, mas autismo definitivamente não era. É insano pensar que eu busquei respostas para minhas angústias por anos e, quando ela chegou, não consegui aceitá-la. Talvez porque lá no fundo a verdade era a última coisa que eu queria ouvir.
“Seu filho é autista”, foi o que o especialista disse. “Bem-vinda ao clube”, disse uma mãe em uma rede social para mim assim que desabafei em um post. Não, não e não. Eu neguei. Neguei por um tempo, pouco tempo.
Neguei porque apesar de amar meu filho eu sou humana.
Eu tenho o direito de sentir dor, de chorar, de não aceitar, de me revoltar contra Deus, de me permitir sentir.
Porém, no meio desse processo de negação, me veio à mente um desses ensinamentos que aprendemos ainda crianças: “o seu direito termina quando começa o direito do outro”.
O meu direito de sofrer podia tirar o direito do meu filho de viver?
O meu sofrimento me dava o direito de negar a ele as ferramentas de que ele necessitava para ter uma vida plena?
Negar é humano porque sofrer dói, mas não podemos, por maior que seja a dor, negar a um filho o que ele precisa.
A negação não pode ser maior que o amor.
Então chega a hora de acordar, secar as lágrimas, agir. A vida não espera e o tempo, há, o tempo…
O tempo passa a ser o maior inimigo de uma mãe quando tem o diagnóstico de autismo de um filho.
“Até os seis anos os resultados são mais garantidos”, está escrito nos livros, em todo o lugar.
A plasticidade cerebral é melhor até os seis anos de idade; depois disso, tudo é mais difícil. É preciso correr… não há “tempo” a perder.
A vida é feita de escolhas e era a hora de fazer a minha. Escolhi olhar para frente. Era a hora de ajudar o meu filho com suas dificuldades e para isso eu precisava entendê-las, saber como elas o afetavam.
Era preciso conhecer sobre elas, estudar.
A essas dificuldades, em 1943 o pediatra e psiquiatra austríaco, Leo Kanner, deu o nome de autismo.
A meu filho, dei o nome de Pedro Miguel.
Texto extraído do livro “ Na montanha-russa, vivendo a maternidade no autismo. Autora: Michelle Malab, 2017”

Michele Malab – escritora, palestrante e aspie

Gratidão AZUL

O azul te solta, te acalma, te ajuda a respirar
O azul refresca, dá asas, mata a sede e ajuda a sonhar
Azul é além do que se vê
Azul mescla o céu com o mar
Azul não tem fim
Tem cor que é mais que cor
Tem palavra que é mais que palavra
Tem tanta coisa que é azul e nem nos damos conta

Como explicar gratidão? Só mesmo dizendo que é azul.

Por Juliane Santa Maria
Presidenta do Grupo

Educação

Em defesa da fogueira das caixas na Educação! 1

Escrevo, pois não caibo mais em mim. (…)
Acima de tudo escrevo porque decidi compartilhá-las e seguir esse caminho de busca. Minhas memórias mostrarão quem fui e junto com momentos atuais contarão quem sou… 2

As ideias vêm matutando aos poucos. Vygotsky há tempos me ensinou: a linguagem organiza o pensamento! Decidi, então tentar colocar as ideias soltas e desamarradas no papel e, assim, costurá-las, bordá-las. Colocá-las em caixas? Justo o contrário! Venho matutando uma fogueira de caixas!
A escola é feita de caixas – tempos organizados em planilhas e tabelas; espaços divididos por grupos e horários; conteúdos especificados por grades curriculares; crianças vistas em suas etapas de desenvolvimento… cada coisa no seu quadrado, cada um na sua caixa.

Claro que as caixas não são necessariamente herméticas e incomunicáveis – há muitas vezes respiros e porosidades. Mas o “sistema” se pensa como uma caixa, um tipo de “organizador”, cheio de divisórias, etiquetas e hierarquias – desde Ministério ditando parâmetros, Secretarias dizendo o que deve ser feito, passando por Projetos Político Pedagógicos esmiuçando como deve ser feito, até Sindicatos patronais e de empregados movendo peças nesse intrincado tabuleiro, ditando as normas, regras e leis que regem essas tantas e tantas e tantas divisórias devidamente etiquetadas, classificadas e ordenadas.

A Arte, em suas diversas expressões, é um dos mais potentes dutos de ventilação das escolas – e por isso sua convivência no espaço escolar é, desde sempre, tão complexa. A escola nasce normalizadora; e a Arte é essencialmente transgressora. A tensão fica assim (ex)posta desde o início. Mas os tempos atuais, entretanto, expuseram ouuuttttrrrras fraturas, outros rasgos e rusgas que há tempos ficavam meio esfumaçados e, agora, bem nítidos.

O que é a escola senão o coletivo de personagens que a habita? A energia vital da escola está fora do prédio, longe dos materiais, independente dos conteúdos e métodos – a vida da escola está fora de seus conjuntos de conhecimentos e de suas verdades. Está além muros, no mundo, nas pessoas, na natureza, na Cultura, na Arte, na impermanência da vida.

Mais do que nunca, essa perspectiva da fragilidade da vida escolar se consolidou de forma transparente. As escolas e creches estão vazias, coisa morta, habitadas por ecos e memórias, por materiais inertes e silenciosos. E é da minha escuta e do meu olhar (que se nutrem, sintonizam e sincronizam com muitos outros olhares e escutas) para esse vácuo, para esses fantasmas e sombras, que brotam essas reflexões desalinhadas, em busca de novos pontos e arremates.

(…) O mapa. O registro. A história.
Que desmancha, mancha, borra.
Sem memória, sem registro, me perco.
Quem sou? 5

Escolas e creches em tempos de pandemia

A incerteza paira no ar diante do desconhecido. Quanto tempo permaneceremos sem levar as crianças para as instituições educativas? Ninguém sabe ao certo. O que imediatamente pensamos em fazer? Tal qual o ditado que diz “Se Maomé não vai à montanha, montanha vai à Maomé”, muitas escolas e creches começaram o trabalho de tentar replicar a escola fora de seus perímetros e dentro das moradias das meninas e meninos que costumavam povoar seus pátios, parques, quadras, salas e laboratórios.

Como numa espécie de mimetismo, o sistema educativo busca se “teletransportar” e adentra os lares por meio de tablets, laptops e computadores de todo tipo. A crença parece ser uníssona e reverbera como palavras de ordem: a escola não pode parar! Há conteúdos a cumprir! As crianças precisam aprender e não podem perder tempo! Sem a escola, as crianças se desinteressarão por aprender! Rotina é necessária! Pelo lado dos familiares (leia-se: os clientes), há pressão pela “prestação de serviço” contratada (mesmo que seja uma escola pública)… enfim! São inúmeras questões que desaguam numa mesma direção: produtividade, eficiência, resultado, eficácia… tempo!

Volto ao padrão, piloto automático. Gosto,
exagero e desgosto. Me esgoto. Crio um
ciclo não sustentável. (Des)humanizo. Visto
uma armadura. Deixo de sentir, me perco,
viro máquina…

Tic, tac. Corre, corre. Produz, produz.
Trabalha, trabalha.

(Visto camisa)

Meta, meta. Foco, foco. Rápido, rápido.
Café, café.

(Prendo xixi)

Atenção, atenção. Data, data. Equipe,
equipe. Mais café, café.

(Me esgoto)

Reunião, reunião. Solução, solução.
Atenção, atenção.

(Cadê eu?)

POP, POP. Planilha, planilha. Formulário,
formulário.

(Me perco)

Resultado, resultado. Limite, limite.
Números, números.

Viro máquina. 15

 

Seria mesmo possível (e desejável?) a escola, tal como é concebida hoje, tal como funciona, se deslocar para dentro das casas e tentar ali se consubstanciar?

O termo “homeschooling” é usado para designar uma forma de estudos alternativa à escola, que se desenvolve em casa, mediada por alguém da família, ou que more com a criança. Ele é fruto de um debate sobre a instituição escola e seu papel, e é resultante de uma opção da família. Certamente, não é nisso que as escolas poderiam se espelhar nesse momento, pois a situação é bem outra.

Há escolas e creches que estão buscando a solução pela chamada “Educação à Distância (EAD)”. E assim, de repente, professoras e professores saem gravando aulas em casa, e enviando muitas tarefas, até com rigidez de prazo e cobranças, e algumas até mesmo preconizando o uso do uniforme escolar para reestabelecer a rotina – mas, afinal, de que rotina estamos falando? Não seria o uniforme um símbolo identitário de pertencimento e elemento de padronização em busca de diluir diferenças socioeconômicas no espaço escolar? O que nos faz crer que ele seja indício privilegiado de uma rotina? Seria o uso do uniforme uma espécie de interruptor que “apaga a luz” e transforma crianças em a-lunas e a-lunos?

(…) A mente entra com os dois pés na porta, sem bater. Impondo um pensar, um pesar.

Quando isso acontece minha fisiologia
muda. Meus movimentos já não fluem com
a música. (…) 8

É apenas a presença ou ausência de alunxs que consolida a diferença entre a educação formal (da escola), e a educação informal (no contexto familiar e social)? Se pensarmos nos anos iniciais do Ensino Fundamental, de quem é a tarefa do “ensino formal”? E se considerarmos as instituições de educação infantil, qual é seu papel primordial? Poderia mesmo ele ser transposto para as casas das crianças? Ou estamos diante de um ponto de bifurcação?

(…) A criatividade é uma propriedade
inerente a todos os sistemas vivos. Todos os
sistemas vivos são criativos, porque eles têm
a capacidade de alcançar e criar a partir do
velho, algo novo. Mas é a falta de equilíbrio,
a desordem, que nos possibilitam chegar em
pontos de bifurcação e mudar. (…) 17

A tarefa “pedagógica” ou “escolar” não é da família; e as professoras e os professores não têm conhecimento nem tecnologia para, do dia para a noite, criarem toda uma metodologia diferenciada por meio de ambientes de aprendizagem virtuais. A maioria delas e deles ainda não é da geração de nativas e nativos digitais; e também não se pode desconsiderar que o Brasil é muito vasto e desigual, e nem todxs têm bons acessos, ou repertório suficiente para propor desafios que vislumbrem algum mistério e incitem a curiosidade. Muitas vezes, a experiência de EAD atual acaba por se alicerçar em uma concepção superada (será?) de ensino-aprendizagem, com propostas: que muitas vezes mais se assemelham a um amontoado de atividades, desconectadas entre si, e que subestimam a autonomia intelectual das crianças; que possibilitam apenas respostas únicas que não acolhem o pensamento divergente, tampouco a criatividade e a autoria; com foco exclusivo nos resultados e não nos processos; e tendo a pressa e a rapidez como pontos privilegiados sobre a reflexão e a construção de hipóteses… entre outros problemas.

Tampouco as crianças dos anos iniciais têm instrumentos ou disciplina para EAD – imaginem as da Educação Infantil! E menos ainda os familiares têm condições apropriadas (ou conhecimentos específicos) para criar essa pretensa “rotina escolar” em casa, tendo que acumular todo o cuidado com as crianças, o trabalho do funcionamento da casa, e o trabalho profissional agora majoritariamente instalado em home office…

Isso não é tentar adaptar o inadaptável? Estariam as instituições educativas, nesse momento, sofrendo de paralisação diante da perda de suas identidades, e por isso, forçando uma situação que as distancia cada vez mais da realidade?

Desconstruo-me. Não pertenço. Não
identifico. Não reconheço. Não vejo.
Não sinto.

(…) As peças não se encaixam mais.

E agora? Perdi alguma coisa?

(…) O que está sendo montado? Perdi minha
ID. Como saberás quem sou? Como me
reconhecerá? Como me encontrará?

Procuro instruções do quebra-cabeça.
Assisto tutoriais, mas não reconheço como
própria a montagem alheia. O manual não é
meu. Como (des)escrever algo que nunca
montei?(…) 7

 

Qual é a realidade de grande parte das pessoas hoje? Crianças confinadas em casas tensas, com rendas familiares diminuídas, onde o medo do desconhecido reina, e com o risco de a indefinição do amanhã levar à angústia, depressão, violência… portanto, nesse momento tão delicado, me parece só trazer maior dose de tensão nas relações vislumbrar que o que escolas e instituições de educação infantil devem fazer seja transferir para mães e pais as tarefas escolares… não estaríamos, assim, também criando mais um novo fake: um vai fingir que ensina; e o outro vai fingir que aprende… é isso que quer a Educação?

(…) Queria remontar alguns quebra-cabeças,
usar novos encaixes.

Mas nesse resgate, nessa coleta (ou seria,
colheita?), me deparei com um problema: o
que queria montar? Qual exatamente o
sonho que queria sonhar?

Indo além, percebi que não tinha respostas
às muitas perguntas, tinha que me
satisfazer por ser, apenas, capaz de
formulá-las.

Mas nessa pesquisa interna, em meio aos
vendavais, percebi um ponto crucial: até
onde me autorizaria a ir? Ou, pior: por qu
não me autorizaria realmente a mudar? (…)

Era o medo da mudança, o medo de
conseguir? De chamar atenção?

De ser jugada? De não ser aceita? Seria o
medo de ser responsável, de fato, pelo
resultado, seja qual for?

Seria o medo de perder a bengala
imaginária que diz simplesmente: não dá?!

Afinal, se é externo, me isento da culpa de
dar certo (e errado)?! (…) 14

Educação em diferentes tempos: antes, durante e depois da pandemia…

O que esperamos da Educação? Não deveria a Educação ser a mola propulsora de mudanças no mundo? A força de transformação? O impulso pelo novo? O desafio constante ao estabelecido? O fomento permanente à curiosidade e aos diferentes olhares? Um campo que acolhe as diferenças e as coloca em diálogo? Uma área em permanente ebulição, ciente da impermanência da vida e de suas verdades? Uma área de ação política (nunca reduzida à partidária), porque sempre em prol de um modelo de sociedade?

(…) Aquela que não tem medo de criar
novos caminhos, de recomeçar.

Aquela que tem coragem de ser feliz, de
brilhar, chamar atenção, dançar e
gargalhar. (…)

É aquela cujo movimento é tão verdadeiro e
profundo que é capaz de sentir em todos os
poros a volúpia dos estados impermanentes
da vida (…) 9

Mais do que nunca, entendo que na Educação não há espaço ou tempo para a dualidade “eles e nós”: somos todas e todos sujeitos do mesmo barco, navegando em direção à Ilha Desconhecida, de Saramago. Todas e todos aprendendo na carne a vaticinação de Fernando Pessoa: navegar é preciso, viver não é preciso! Quem somos nós, educadoras e educadores, sujeitos pensantes e atuantes nessa/dessa Educação?

(…) Existem momentos em que
simplesmente você entra num ponto de
bifurcação, num ponto de mudança, que
como num passe de mágica lhe
transformam. E foi um momento importante
que me despertou para novas perguntas e,
portanto, novas possibilidades. Foi o
pontapé inicial para encontrar minha
autenticidade, para reencontrar-me. Na
época, me perguntei: quem sou? Quem sou
em essência? Escrevi: ‘Sou múltipla, sou
dinâmica, sou conexão, sou movimento, sou
dança, sou sangue, sou ar, sou intensa, sou
leve, sou um pouco de você, das árvores e
das estrelas; sou árida, sou fértil, sou a
imensidão do mar’ (…) 10

É nessa imprecisão do viver – ainda mais acirrada nos dias de hoje – que mora a grande oportunidade de fazer a fogueira das caixas! Por que tentar reproduzir o “velho normal”? Rompamos barreiras e construamos, todas e todos, um “novo normal”! Não seria essa uma oportunidade ímpar de exercitarmos o “olhar estrangeiro” e nos aproximarmos com outros óculos, por outros ângulos, e sob nova ótica para a Educação de maneira geral, e para as escolas e instituições de educação infantil de forma particular? Por que isso se mostra tão difícil para nós? Medo de abrir mão do estabelecido, mesmo quando sabemos que o estabelecido não se sustenta mais em pé?

O que há nessa mala pesada?

– Apenas minha identidade.

Por que tantas coisas?

– Medo de não me encontrar, de não
encontrar o que me infinita, trago meu
pequeno infinito (…).3

“Períodos sabáticos” são espaços de tempo comumente destinados a execução de um projeto – uma quebra com o transcurso da vida e a busca de novos caminhos, outras paragens. Assim sendo, que tal assumir que estamos num “período sabático” com as crianças em casa, justamente gestando uma nova escola? Gestando uma nova relação família-escola? Gestando uma nova perspectiva do que seja a Educação a partir da reflexão crítica sobre que sociedade podemos ajudar a formar? Imaginem a fogueira das caixas!

Deixe que as ideias escapem. Há tempos
elas tentam. Fazem motim, protestam, mas
você as mantêm num padrão.

Liberte as ideias. Deixe-as mudarem. Deixe
as mutarem. Metamorfosearem você.

(…) Não reaja, não emita resposta, não
tenha pressa. Nem tudo precisa ser
imediato.

…(suspiro)

Calma, aprenda a relaxar, esvaziar a mente
(…) 6

 

Sob esse prisma, o que podemos fazer já?

 

(…) Aceitar minha pequenez talvez
signifique desistir de que eu possa ser o
motivo da mudança do outro.

(…) Aceitar minha pequenez talvez
signifique perceber que não posso prender
ninguém.

(…) Lidar com a minha pequenez talvez seja
necessário para alcançar a tal grandeza que
dizem que carrego e nunca enxerguei. 4

Que tal, como educadoras e educadores, nos unirmos às mães e pais em seu cotidiano educativo familiar e buscarmos ajudá-lxs – não a torná-lxs professoras ou professores, tampouco instigando que desenvolvam grandes habilidades manuais e criem milhões de “brinquedos criativos” (leia-se: iguais aos modelos). Falo de ajudar famílias a terem mais presença e inteireza, mais tranquilidade, mais paciência… mais calma e sabedoria para enfrentar o novo e o desconhecido!

Estava presa, enclausurada há tempos. (…)

O longo tempo virou esse instante. (…)

Sinto a liberdade urgir e um deslumbre
in des cri tí vel.

Sim, sou uma borboleta saindo do casulo.
Sentindo cada lepis da minha asa pela
primeira vez, de uma vez só. O que trará de
novo? A nova realidade que se molda, um
novo mundo que surge. 11

Podemos ajudar às mães e aos pais a perceberem o quanto são importantes para seus filhos e filhas do jeito que são, que certamente estão se esforçando para fazer sua melhor versão de mãe e de pai, e que esse momento junto com as crianças pode ser pleno de afeto e cooperação mútua. Devemos dizer a elas e eles que estamos juntxs, e que as crianças são muito potentes! Que as crianças se sairão bem. Que elas precisam ter a oportunidade de desenvolver mais e mais sua autonomia, e assim poderão assumir mais tarefas em casa e auxiliar no cuidar de si, do outro, da casa, das plantas, dos pets, da comunidade circunvizinha, do planeta.
Podemos ajudar às mães e aos pais a sentirem que também serão capazes de ensinar, por meio de suas próprias ações como exemplo, que podemos ter mais paciência, escuta e olhar atentos, empatia, acolhimento e respeito às diferenças, cooperação, e amor uns pelos outros… e assim, infinitaremos!!

(…) Escrevi os cheiros. Senti os sons. Ouvi o
chão. Falei com as árvores. E entrei.

Senti nitidamente a transição. Minha
entrada em outra dimensão. (…)

Me infinitei… 13

Podemos ajudar às mães e aos pais a oportunizarem às crianças um mais amplo acesso à cultura – múltipla e plural –, criando uma espécie de curadoria, e disponibilizando essa seleção feita por nós para as crianças, em meio a tantas coisas sem qualidade que lhes chegam virtualmente…
Podemos ajudar às mães e aos pais a perceberem encantamento nos detalhes, no miúdo, em como as crianças aprendem com mínimas experiências, que passam desde os cinco sentidos, à simples observações de flores em vasinhos, de suas próprias sombras, ou de nuvens pela janela – como apreciam o muitas vezes não visto por nós…

(…) Demorei a ver que as armaduras são
meu escudo e minha prisão. São como um
gesso colocado em um braço quebrado que,
no início, tem o papel protetor, reparador,
mas que quando mantido em um braço já
saudável o limita. (…) 16

Podemos ajudar às mães e aos pais a não se sentirem sós nessa tarefa de educar, e entenderem que, mesmo distantes fisicamente, estamos juntxs – pois estamos no mesmo barco, lutando por uma sociedade mais justa, inclusiva, igualitária e humana. Podemos dizerlhes o quanto nos importamos com elas e eles, podemos falar/escrever/ouvir sobre assuntos pertinentes, temas que emerjam delxs, que a(o)s aflijam…

Podemos ajudar às mães e aos pais a manter vínculos de afetos entre as crianças do grupo, e delas com a escola. Assim, podemos centralizar o recebimento de vídeos e fotos das crianças do grupo, e socializar. Podemos cantar para as crianças. Podemos contar histórias para elas. Podemos apenas sorrir-lhes. Podemos enviar vídeos de toda a comunidade escolar dando conta de que estamos bem, e com saudades! Mantermos, juntxs, aceso o brilho nos olhos!

(…) Tenho convicção de que busquei o
tempo todo o brilho nos olhos e por essa
busca seguirei uma nova estrada. Levo
comigo muito do que aprendi até aqui. Sou
a curiosidade, a racionalidade, o controle, a
exigência, o estudo, a excelência, o foco, a
criatividade, a conexão, a observação, a
loucura, a dedicação, a sensibilidade, a
interferência, a emoção, o desapego, o
empreendedorismo, a vaidade, as sinapses
(e tantas outras coisas) que todas essas
experiências me trouxeram.

Mas quis outras coisas…

Me aventurei por novos horizontes, outros
paradigmas. Vi o mundo com outras lentes,
me fiz novas perguntas, e hoje quero
responde-las de outras maneiras. Depois de
tantos questionamentos externos, me
permiti me questionar… (…) 12

Quem sabe essas ajudas não sejam melhores do que nos preocuparmos com os “conteúdos escolares”? Quando teremos outra chance de reinventar a escola/instituição de educação infantil e revisitar o porquê de existir a Educação?
Creio que assim teríamos mais chances de chegarmos ao final desse “sabático” mais sábia(o)s e irmanada(o)s. Será?

Por Maria Isabel Leite – abril/2020
Contatos:
relicariosdeideias@gmail.com – instagram: @relicariosdeideias – wpp: 21-98850-7296

NOTAS:
1 – Todos os textos em itálico, inseridos à direita, pertencem ao livro “Mulheres que Soul” (SC: O Livreiro das Rosas, 2019). A autora, Dani Leite, é Doutora em Fisiologia, com Pós-Doutorado em Farmacologia, e há alguns anos atrás trocou esta faceta da cura, por outra, buscando integrar as energias feminina e masculina, ajudando mulheres a se reconectarem consigo mesmas e a se expressarem de forma autêntica na vida pessoal e profissional – contato: leitedani@gmail.com
2 – Quem sou – p.22 e 23
3 – Minha bagagem – p.21
4 – Minha pequenez: reflexões sobre a minha arrogância – p.27 e 28
5 – Inundação – p.38
6 – Conversa mental – p.44 e 45
7 – Desconstrução – p.49 e 50
8 – Transe mental – p.57
9 – Quem é ela? – p. 59
10 – O mundo das possibilidades – p.78
11 – Metamorfose – p.79
12 – Sobre escolhas – p.85 e 86
13 – Trilhas a mim – p.92 e 93
14 – Você se autoriza a ser diva? – p.99 e 100
15 – (Des)humanizo – p.128 e 129
16 – Diva no divã – p.160
17 – À procura do equilíbrio – p.172

Ecolalia

Ecolalia

Na literatura sobre o assunto, o médico Itard (1825) é o responsável por introduzir o termo ecolalia, ou seja, um “eco na fala”. E então desde esse tempo, pesquisadores e clínicos voltaram-se para a busca do entendimento da sua ocorrência. Chama a atenção também a diversidade de quadros clínicos nos quais a ecolalia é sintoma como: afasias, lesões do mesencéfalo e também em quadros como a esquizofrenia e autismo infantil. Diante disso não é surpresa esse campo de estudo ser de diversas áreas. Não há dúvidas sobre a heterogeneidade das repetições e seus significados, mas então porque pensamos muitas vezes que a repetição em alguns momentos pode ser um ponto positivo (aquisição) e em alguns momentos negativos ( patológico). O que faz de uma repetição algo que se qualifique patológico?  Procuram “codificá-la”, classificá-la ao se colocar a tarefa de descrever essa fala e estabelecem “identidades patológicas”.  Acontece que cada pessoas é singular e a diversidade é notável e notada mesmo que as semelhanças possam ser reconhecidas.  O problema é que cada fala é sempre expressão de um singular e deixa sempre um resto inapreensível e resistente a qualquer um que tenha uma observação codificadora. Não há divergências também entre os pesquisadores quanto ao valor da intenção comunicativa ou o significados dessas produções.  Então se há uma variedade indefinível de falas ecolalicas não se pode dizer que uma criança é ecolálica, porque a ecolalia pode não ser o todo de uma fala, mas sim um acontecimento possível e mesmo que reconhecidas como patológicas há sempre singularidades a considerar e são essas diferenças que devemos considerar.

Singulares são as falas dos pacientes que, mesmo apresentando a característica de serem “repetição da fala do outro” apresentavam um sujeito. Devemos considerar a singularidade da criança e sua comunicação para além dos sintomas. Porque até na mesmice há diferenças nas falas como uma entonação atípica, uma fala sincopada que o outro não produziu.

Considerar então as diversidade e singularidades para que uma relação entre criança e terapeuta motivada pelo imprevisível de uma fala. Sem isso, a criança é apagada esua incontornável singularidade-em favor da relação do clínico que já supõe saber antes mesmo de encontrar o paciente.

Fonoaudióloga, Ana Maria Philipps dos Santos

REFERÊNCIAS: OLIVEIRA.T.M.Distúrbios da Comunicação,São Paulo,14(2):351-360,jun2003.

 

Vamos falar de inclusão!

Vamos falar de inclusão!
 
O tempo todo precisamos falar de inclusão, pois caso contrário o público da educação especial corre o risco de ser esquecido. Por isso precisamos fazer inclusão todos os dias e não somente pensar nas datas comemorativas, mas sim a inclusão na sua essência, na prática cotidiana.
Incluir é mais do que lembrar, aceitar, classificar, é ACREDITAR!
Somos uma sociedade excludente, de raça, cor, etnia, gênero e da pessoa com deficiência, todos os espaços que hoje acolhem a diversidade humana, passaram por lutas constantes para garantir um lugar numa sociedade padronizada.
Ser lembrado, demanda muita luta, portanto, datas como essa são espaços de discutir para pensarmos numa sociedade mais inclusiva, seja no âmbito educacional ou social.
Por isso, mês de conscientização é muito mais do que uma data comemorativa, é um momento de repensarmos se nossas ações são inclusivas, se de fato estamos incluindo e avançar sempre, em busca de uma sociedade mais equitativa.
A busca pela equidade de direitos, está pautada na justiça, ou seja consiste nas adaptações em casos específicos, para tornar qualquer situação o mais justo possível.
Para incluir, se faz necessário flexibilizar, adaptar, adequar, para garantir o acesso e permanência em qualquer ambiente com qualidade e igualdade de direitos constitucionais.
Agora, se você acha que incluir é simplesmente aceitar ou estar no mesmo espaço, então é hora de repensar sobre suas concepções e práticas que provavelmente foram baseadas num conceito histórico que ter uma “deficiência” é sinônimo de incapacidade.
Lembre-se, o primeiro passo para qualquer mudança é acreditar, só você pode fazer a transformação para uma sociedade mais inclusiva.
Tatila Cilene L. de Oliveira, Gerente de Educação Especial – CEMEA
Secretaria Municipal de Educação – SEMED

Disgrafia

Disgrafia

Ei, essa letra que você diz ser feia pode ser sinal de disgrafia.
Essa é uma questão psicomotora onde a criança manifesta dificuldades específicas na reprodução dos sinais alfabéticos e numéricos, podendo ser na fluência, na junção e ordem de palavras ou até na força para escrever.
Não tem relação com as regras ortográficas.
Não confunda letra com caligrafia, aliás, treinar em cadernos de caligrafia só é um método chato para tentar melhorar a letra, quando na verdade a criança pode ter uma questão motora especifica e precisar de apoio para adquirir a habilidade.
CALIGRAFIA: arte de apresentar a letra escrita.
LETRA: sinais gráficos.
Se você perceber que seu filho ou aluno faz maior esforço para manter uma letra legível e não consegue nem seguir a linha do caderno, procure um psicomotricista para avaliar e treinar as habilidades.
É importante destacar também que a letra é um traço da personalidade e portanto não existe um padrão.

Renata Batista
Psicopedagoga