O estímulo é fator determinante na caminhada dentro do Espectro Autista. Apesar de a condição do autismo ser crônica, ou seja, não se pode ser mais ou menos autista conforme os anos passam, o estímulo condiciona a melhor relação do autista com o ambiente em que convive! Neste sentido, proporcionar uma gama de vivências variadas, divertidas ou até mesmo desafiantes é imprescindível.

Em minha vida, sempre encarei as situações com olhos de aprendiz. Valor que minha mãe e meu pai puderam incutir em minha personalidade. Em meio a vivências fui aprendendo a ter mais iniciativa… Em princípio eu tive medo de arriscar, medo de não ter previsibilidade no dia a dia, de que as energias se esvaiam em meio a uma profusão de rotinas: Pessoas neurotípicas migram a atenção nas diferentes áreas do cérebro e desta forma conseguem reter muitas sutilezas, como conversar com várias pessoas ao mesmo tempo, discernir pequenos gestos e olhares e entender certos vícios de linguagem ou maneirismos. Para mim, assim como para muitos autistas a vivência deve ser pontuada por momentos de previsibilidade, mesmo assim é duro conviver com estímulos rompantes como buzinas, latidos ou luzes coloridas.

Mesmo com minhas dificuldades em meio a um dia a dia que nem sempre posso explicar, o estímulo sempre foi uma “arma” para que pudesse mitigar preconceitos e especulações. Através do treinamento em reorganização neurológica provido pelo método Doman, ficou em mim o valor da resiliência! Meu dia a dia, por mais que assuste, também prova que sou resiliente e autônomo, pois ao longo de várias vivências aprendo obtenho meus horizontes. Na maioria deles, obtenho aprendizados e posso ponderar muitas coisas, principalmente como utilizar o hiperfoco para aprender.

Meu aprendizado com os sons e a música me mostrou que sim, dá para se desafiar e obter a partir de tais desafios a coragem para lançar-se em novas empreitadas, empreender na vida! O autismo refreia experiências imprevisíveis, porque as mesmas provocam desorganização sensorial, mas, não significa que o autista não possa contornar estes episódios e lançar-se em novas empreitadas! Demora um pouco mais para que eu, ou qualquer autista acostume-se com tantas rotinas acontecendo simultaneamente ao redor, porém, com vivências desafiadoras oferecidas pelo pai e pela mãe e por eles mediadas, pode-se desenvolver tolerância e flexibilidade em questão de vivência.

No dia 02 de abril consagrou-se o dia mundial do autismo justamente para que reflitamos e divulguemos o quanto os autistas podem prosperar, produzir, criar e acima de tudo ter autonomia. Tal autonomia é conquistada por muitos, pouco a pouco. Mas para isso ser de fato enfático, precisamos das vozes de todos engajadas em levantar a bandeira azul, fazer saber dela!

Marcos Petry