• contato@autismos.com.br

Arquivo por autor

Deficiência, Diferença e Inclusão ( Fátima de Kwant, parceira e colaboradora do grupo)

DEFICIÊNCIA, DIFERENÇA E INCLUSÃO – um ato de justiça e igualdade

 

Imaginem um mundo onde todos tivessem uma diferença; algumas delas visíveis, outras não. Imaginem que este mundo seja o nosso, somente não nos tenhamos dado conta. Ou pior, damo-nos conta das diferenças óbvias e não daquelas que todos nós, seres humanos possuímos.

Somos todos diferentes e, de algum modo, deficientes.

Deficientes sensoriais, físicos, mentais, emocionais, sociais e até espirituais – o único tipo ruim de todas as deficiências.

A deficiência caracteriza-se conforme o conceito de perfeição que pessoas não deficientes insistem em manter. Quando se fala em deficiência, pensa-se em limitações, raramente em habilidades.

Esse pensamento errôneo foi, infelizmente, adotado pela sociedade, tornando o portador de tal limitação um pária. Como se não bastasse a falsa percepção do que uma deficiência compreende, a pessoa com deficiência pode sofrer dessa imagem que o mundo a seu redor mantém sobre ele.

Afinal, uma pessoa deficiente aprende, desde a mais tenra idade, que não é perfeita, não é normal, portanto não tem valor.

Precisamos mudar este jeito de pensar. Precisamos não somente aumentar a autoestima das crianças diferentes, como ensiná-las (e ao mundo) que elas têm muito a contribuirem.

Crianças, adolescentes e adultos com o que é considerado deficiência, seja esta física ou mental, são cidadãos aptos a colaborarem muito com a comunidade onde vivem, estudam ou trabalham. Não é possível que uma única limitação possa superar um número incontável de várias habilidades! Pois é o que todo cidadão deficiente geralmente possui: um leque de (outras) possibilidades.

 

Todos os deficientes (e suas respectivas famílias) sabem que poderiam contribuirem com a sociedade. Devemos então perguntar o que esta (a sociedade) pode fazer para promover tal contribuição.

Neste sentido é preciso que abandonemos a maneira tradicional de pensarmos, e reciclemos nossa concepção do que é justiça e igualdade – dois dos pilares de uma país desenvolvido.

Justiça significa respeito à igualdade de todos os cidadãos. 

Igualdade é um princípio segundo o qual todos os cidadãos têm capacidade para os mesmos direitos. Dois conceitos muito utilizados – principalmente na política – mas pouquíssimo executados, em geral.

É justo que um cidadão, em pleno domínio de sua capacidade mental, seja preterido por ser cadeirante, por exemplo? Não somente é injusto quanto vai de encontro ao que entendemos por um sistema igualitário.

 

Uma nação desenvolvida é uma nação que protege todos seus cidadãos, sem distinção. Tenha este um handicap ou não, e independente de sua raça, religião e natureza sexual, todo cidadão deve receber o mesmo cuidado e merecer o respeito do seu governo, do município onde reside, da empresa onde trabalha, da escola em que estuda e da comunidade que frequenta. Porque todo cidadão tem algo a oferecer. A sociedade brasileira ainda carece de meios para criar um ambiente que favoreça os deficientes, mas isso tem solução e não é utopia.

 

O planejamento da sociedade a fim de propiciar tais condições favoráveis, deve contar com três etapas fundamentais:

1- Conscientização: conhecimento sobre a deficiência, as limitações habilidades individuais de cada uma.

2- Intenção: o desejo de criar ambientes (escolas, empresas, adaptação de estabelecimentos de estudo, trabalho, locais públicos e o preparo de profissionais que viabilizem a participação da pessoa deficiente em ambientes públicos).

3- Realização: criação de leis que protejam os direitos do deficiente e a introdução de uma Secretaria Nacional do Deficiente, cuja tarefa seria a execução (controle) do cumprimento de tais leis, a concretização de projetos que viessem a beneficiar o deficiente, o estímulo às empresas com vistas à contratação de deficientes pelas mesmas, além do incentivo destas na introdução da prestação de serviço desde o lar – uma estrutura de sucesso comprovado já em muitos países europeus.

 

Hipoteticamente, poderíamos irmos mais além e discutirmos a ideia da criação de um partido político que se incumbisse, estritamente, da proteção e vigília dos direitos (humanos) das pessoas com uma forma de deficiência – ou do que é considerado, oficialmente, uma deficiência física ou mental.

Considerando-se que, atualmente, por volta de 45,6 milhões de cidadãos brasileiros possuem uma incapacitação, não é absurdo que esse segmento seja legitimado com o surgimento de um partido que cuide de seus interesses e necessidades.

Antes de considerarmos algo impossível de ser realizado, falemos sobre o assunto, pois tudo que é falado, passa a existir.

Que sejam realizadas pesquisas, com o propósito de entender o que os deficientes (ou seus representantes legais) esperam da sociedade; que estes sejam ouvidos e lidos; que seja respeitada suas vontades, alcançados seus objetivos e acatados seus direitos.

 

A inclusão dos deficientes é algo inédito, e tudo o que é novo pode dar medo. O receio de que não vá dar certo, que o novo empreendimento acarrete em muito trabalho e poucas compensações, faz com que a haja resquícios na contratação de um deficiente no ambiente de trabalho ou na matrícula de uma criança ou adolescente com algum tipo de deficiência numa instituição educacional. Na verdade, são poucas as adaptações diante das inúmeras vantagens que tal processo de inclusão ocasionará.

 

Uma sociedade que inclui o ser humano diferente, é uma sociedade progressiva. Incluir todo e qualquer cidadão, sabendo usar bem seus talentos individuais, exige alguma criatividade, investimento e adaptação, mas atesta a grandeza de um país e de seus governadores; coloca em prática os desígnios humanitários das escrituras de toda e qualquer religião; enriquece o espírito de união, fraternidade e igualdade entre os filhos de uma mesma nação; inspira toda uma comunidade a dar e ser seu melhor.

 

Lutemos pelo que é justo.

A inclusão é um ato de justiça.

Lutemos pela Inclusão.

 

Link consultado: https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/periodicos/94/cd_2010_religiao_deficiencia.pdf

 

*Fatima de Kwant

Mãe de um autista adulto

Jornalista

Especialista em Autismo & Desenvolvimento e Autismo & Comunicação

Ativista Internacional em defesa das pessoas autistas

www.autimates.com

www.facebook.com/AutimatesBrasil

www.youtube.com/AutimatesFatimadekwant

@FatimadeKwant

 

 

autismos

É tempo de vestirmos azul…

02
Por Adriana Ferreira

É tempo de sermos vistos e ouvidos, de sermos lembrados e respeitados.
Convivemos com pessoas com autismo e somos seus aprendizes, pois nos ensinam a nos comunicarmos com a mais pura forma: o amor.
É tempo de amarmo-nos!

É tempo de deixarmos de lado todos os olhares tortos, risadas escondidas, atitudes indiferentes e julgamentos preconceituosos.
É tempo de perdoar!

É tempo de soltarmos nossa voz e compartilharmos tudo o que aprendemos com nossas experiências.
Nossas lutas, nossos medos e nossos desafios são diários, mas nossas conquistas, por menores que sejam, são gigantes!
É tempo de comemorá-las!

É tempo de todos vestirmos a mesma camisa e levarmos informações, conhecimentos, vivências e afetividades a todos.
É tempo de vestirmos azul!

autismos

Vista Azul: 02 de abril

02 de abril: vista azul!

Em tempos tão estranhos, tem coisa melhor do que vestirmos aquela camiseta azul que está no armário, postarmos uma selfie ou foto em família e sabermos que estamos contribuindo com algo genuíno e necessário?
Vestirmos azul no dia 02 de abril é apoiarmos uma causa mundial, é mostrarmos nossa representatividade aos líderes políticos e, principalmente, motivarmos aqueles que abraçam essa causa diariamente.
#autismos

autismos

OS (DE)GRAUS DO AUTISMO

OS (DE)GRAUS DO AUTISMO

No momento do diagnóstico os pais desejam saber que grau o filho tem e o que vai acontecer no futuro. Duas coisas difíceis de prever porque o autista cresce e evolui. Quanto mais tratamento adequado para ele, mais chances de “passar de grau”, de subir um degrau.
O grau de autismo se refere à funcionalidade na idade cronológica. Isso quer dizer que vai ser considerado leve, moderado ou severo de acordo com a funcionalidade nas áreas de identificação do autismo: comunicação, socialização e comportamento na idade apropriada (em comparação com o desenvolvimento neurotipico). Com a nova denominação de graus leve, moderado e severo, muitos médicos encontram dificuldades no diagnóstico.
Ainda que ouça que seu filho tem grau leve, não deixe de tratar. Ainda que ouça que o grau não é leve, não perca a esperança de mudar de grau.
É importante saber que a funcionalidade de uma criança determina o grau e não se é “quieta” ou agitada, como muitos médicos definem o autismo infantil quando a criança tem o grau bem limitado de funcionalidade mas mantém um comportamento calmo, sem crises ou agitação.

Com o tratamentos e intervenções corretas para a criança, ela pode evoluir até outro grau mais moderado ou até mais leve. Isso não é regra. Alguns autistas sempre serão considerados severos, da infância a vida adulta. Mas ainda assim podem progredir muito dentro desse quadro.
Cada autista é único.
Suas limitações são únicas e seus talentos também.
Nunca haverá um igual ao outro, nem se desenvolverão iguais aos outros. ◦ Seguir lutando para que sejam o mais independentes, saudáveis e felizes possível, é o melhor que podemos fazer. Terapias, intervenções multidisciplinares, aprendizado adequado e o empenho dos pais podem fazer milagres.

Fatima de Kwant
Jornalista
Especialista em Autismo & Desenvolvimento e Autismo & Comunicação
Ativista Internacional pela Autismo www.autimates.comwww.facebook.com/AutimatesBrasil
@fatimadekwantautismo

autismos

ULTRAPASSANDO OS LIMITES DA SÍNDROME DE DOWN

ULTRAPASSANDO OS LIMITES DA SÍNDROME DE DOWN

            A minha vontade de cursar Educação Física nasceu do incentivo que tive na Escola de Educação Básica da URI/ ERECHIM, onde estudei  desde minha infância e que além das aulas regulares a Escola oferece diferentes esportes entre eles o Judô. Comecei a praticar Judô com 10 anos e pratico até hoje  e neste ano busco conquistar a faixa preta. 

E foi por causa da prática do Judô e de ótimos exemplos de Professores de psicomotricidade e de Educação Física que este escolhi cursar a  faculdade de Educação Física. 

Decidido isto, tinha que enfrentar o vestibular e fazer a prova igual a todos os outros candidatos sem deficiência. A Universidade que fiz vestibular não previa nada  de prova diferenciada a única coisa foi que fiz a prova separado dos outros com uma monitora que podia me explicar as questões que eu não entendia. Eu estava tranquilo porque havia treinado muito fazendo provas e redações de vestibulares anteriores. Fui mais ou menos bem no vestibular fique suplente e entrei no II semestre do ano de 2015.

Até aqui foram muitos desafios, mas aprendi com a filosofia do Judô que mais importante do que cair é aprender a levantar. Sempre tive incentivo de minha família para seguir em frente e eu seguia porque eles estavam comigo.

Não sabia direito o que ia enfrentar na faculdade, mas o meu maior medo era não conseguir acompanhar as explicações das aulas  e se meus colegas e  professores iam entender minhas dificuldades e meu jeito de aprender. 

Mas como minha mãe é professora, todo início de semestre ela conversava com os professores e me acompanhava nos estudos e trabalhos e com isto me sentia mais seguro. 

O maior desafio era entender o conteúdo de algumas matérias, por exemplo Anatomia e Fisiologia. Eu estudava muito, estudo repetitivo, tinha que achar um jeito para entender o conteúdo, por exemplo através de paródias. Mas graças a este esforço eu consegui aprovação em todas as matérias.

Nesta caminhada tive professores compreensivos e sensíveis . O apoio da coordenação do curso foi fundamental para os que os professores me entendessem e adaptassem as provas quando necessário.

Meus objetivos não encerram com a formatura.  Pretendo ser professor de psicomotricidade e dar aulas de Judô. E continuarei estudando. Em 2020 cursarei Educação Física Bacharelado.

 

Pedro Henrique Baidek, 22 anos

Graduado em Educação Física- Licenciatura

Atleta de Judô, filiado a Federação Gaúcha de Judô

 

autismos

Olhar além do diagnóstico é planejar sabendo que na sala de aula existe…

Olhar além do diagnóstico é planejar sabendo que na sala de aula existe a diversidade.
Nós somos iguais na diferença, portanto, pensar a sua aula para atender as necessidades diversas de seus alunos é o que vai te levar a ter sucesso na inclusão.
É claro que algumas crianças com diagnóstico precisarão de materiais adaptados, de apoio e até de uma avaliação diferenciada, porém, todos os alunos merecem um olhar para sua necessidade.
Pode ser que José seja uma criança mais ativa e necessite de você ao lado dele.
Ou pode ser que Mariana seja uma menina super inteligente, mas que esteja passando por questões de insegurança.
Também, pode ser o caso de João, que tem Asperger e não tem habilidades de se comunicar e expressar com clareza suas dificuldades.
Viu como em sala de aula você pode ter perfis diferentes de necessidades especiais?
Portanto, quando for planejar sua aula, conheça seus alunos e pense nas necessidades individuais deles.
Pense também na maneira como eles serão avaliados.
Todos merecem oportunidades de mostrar seu potencial.
Você está lapidando diamantes.
O que você faz agora deixa marcar por toda a vida de seus alunos.

Renata Batista
Psicopedagoga

autismos

Meu filho tem um banco

Meu filho tem um banco.

Meu filho tem 17 anos e faz pouco tempo que ele lancha na escola sem supervisão. 

Foi uma conquista para todos, principalmente para ele. 

Uma conquista pela qual ele zela, deixa claro que não quer ninguém conferindo como está nesse período. 

Ele sai da sala, pega a merenda no refeitório e depois de comer pega seu suco e corre feliz para o seu banco. 

Todos os dias.

Já sabia dessa rotina mas nunca a tinha presenciado. 

Hoje precisei buscá-lo na escola porque teve um mal-estar. Quando cheguei o vi de longe, sentado em seu banco. 

Durante o percurso que caminhei do carro até ele, cerca de 300m, o vi estereotipando, sem cessar. Batia com a palma da mão na coxa, depois com o antebraço na cabeça e assim sucessivamente. 

Confesso que me deu uma pontada de tristeza, pensei: – Olha ele lá isolado…

Quando me aproximei mais, percebi que estava sorrindo, nesse instante a dor foi embora. 

Avistei a professora de apoio, que não quis ficar longe por ele não estar bem, e ela me avisou que seria melhor esperar o sinal, afinal ele preza muito esse momento dele. 

Enquanto esperava percebi, em frente ao banco, encostada em um pilar uma menina de cerca de 8 anos. Me disseram que ela vai lá todos os dias também, faz companhia pra ele. Ela só fica ao lado dele e sorri. De vez em quando dá uma voltinha, volta com mais uma amiga, mas está sempre lá, com ele.

Na saída cruzamos com ela novamente, perguntei porque ela fazia companhia a ele no recreio, ela disse: 

– Ele pisca, ri. Ele é legal, ele é meu amigo.

Foi bem difícil ele ter um banco, levou tempo, precisou de empenho. 

Precisou que oportunizássemos para ele. E por ele ter um banco, ele tem uma amiga.

Ser mãe de uma criança especial é isso, ao mesmo tempo que se zela e cuida temos que oportunizar, dar asas. 

Algo tão simples mas que faz acordar pra todo um mundo de possibilidades. 

Se eu quero que ele vá, tenho que deixa-lo ir.

Que ele vá!

Juliane Santa Maria, depoente voluntária do grupo .

Imagem do escritor e ilustrador Paulo Brabo @saobrabo 

autismos

Um texto para a gente refletir a importância das Funções Executivas

Um texto para a gente refletir a importância das Funções Executivas.

Vamos pensar a Dama como o Aprendizado?
Ontem meu amiguinho chegou todo animado porque tinha aprendido a jogar Dama, ele tinha tanto foco para fazer a Dama e ganhar o poder de andar muitas casas para comer as peças que ele só conseguia pensar nisso.
Se a gente pensar pelo lado do aprendizado, podemos dizer que não basta aprender, tem que saber o que fazer com o conhecimento.
A área que precisa ser estimulada para que o seu conhecimento seja usado em todas as possibilidades é a Função Executiva.
As funções executivas permitem que você planeje e execute as atividades diárias usando estratégias e recursos para tal realização.
Nesse sentido, é preciso ir além da leitura e dos conceitos matemáticos.
Nós precisamos ser capazes de planejarmos, fazermos uma estratégia, interpretarmos a situação, pensarmos em novas soluções caso seja necessário.
Sabe aquela pessoa que lê muito e até tira notas boas, mas nas situações do dia a dia não tem jogo de cintura para resolver os pequenos problemas diários e muitos deles se tornam grandes problemas?
Então, em parte as funções executivas têm responsabilidade por isso, e é claro que a educação emocional também é importante.
Ficar focado em ganhar o jogo sem pensar nas estratégias te leva ao erro.
Assim como decorar a matéria não é o mesmo que aprender o conteúdo.
Na psicopedagogia vemos isso quase que diariamente, crianças que aprendem, mas não sabem o que fazerem com o aprendizado.
A psicopedagogia não trabalha somente com a dificuldade, nós também ajudamos o indivíduo a potencializar suas habilidades e conhecimentos utilizando recursos de estimulação que permitem vivenciar situações que trabalhem as funções executivas.
Da próxima vez que você for jogar pense nisso: não basta fazer a Dama, você tem que saber o que fazer com o poder que ela te dá.

Renata Batista
Psicopedagoga

autismos

Naty Souza, autista, influenciadora digital, escritora e ativista ( Eu não queria ter TOD)

Eu não queria ter TOD
Eu não queria ter um transtorno
Não é fácil perder o controle
Não é fácil sentir a fúria explodindo feito vulcão em erupção
Me sinto descontrolado e totalmente julgado
Sou de tudo transtornado, mal educado, desobediente alguém que não sente
Essa é a visão que todos tem mim
Talvez eu me sinta mesmo uma criança ruim.
Dizem que eu coloco a culpa em tudo mas na verdade e que tudo tem influência sobre mim
Alguém que grita comigo, alguém que fala tom de voz ríspido, alguém que impõe ordem com tirania como se eu fosse alguém inferior, claro que vou me opor. Eu não controlo a impulsividade gerada pela superioridade das pessoas.
Grito: Tu não manda em mim!
Grito: Não vou te obedecer!
Tirania não funciona para mim.
Dizem que eu não gosto de obedecer regras como se eu fosse alguém sem valores e padrões morais
Na verdade não sabem nada sobre mim.
Eu sou a favor das regras mas sou contra a forma abusiva que as pessoas tentam colocar sobre mim.
Peça minha colaboração e não me trate como seu pequeno escravo nem como seu fantoche sem opinião.
Tenho minha própria compreensão de mundo.
Dizem que vivo me irritando como se eu fosse alguém que vive com raiva
Na verdade é que tudo me tira paz e me descontrolo
Não coloco a culpa em todo mundo é o mundo que coloca a culpa em mim
A visão das pessoas está distorcida isso elas não avaliam
Eu sofro com o TOD mas poucos vêem assim.
Já pensaram alguma vez na vida que o TOD na verdade é alguém revolucionário
Um pequeno rebelde a regras abusivas e a ditadura dos pais e a herarquia sem permissão?!
Eu obedeço com prazer todos que conquistam minha admiração.
Eu obedeço com alegria todos que conquistam meu respeito.
Tudo que for abusivo, autoritário, ditador, falado com tom de voz ameaçador, ríspido e com olhar fechado eu piro, surto e explode dentro de mim a fúria que nem eu e nem quem está minha volta controla.
Eu não queria ter TOD, ficar explodindo assim, sempre que alguém tenta mandar em mim.
As vezes sinto que ninguém me ama,que tudo sobre mim são críticas e que toda descrição é negativa.
Já tentou crescer assim?
Minha vida foi marcada por rótulos ruins, as pessoas assassinaram minha auto estima tudo porque a culpa é sempre minha.
Alguma vez na vida, além de me rotularem, tentaram ser eu por um minuto?!
Se TOD é difícil para quem está perto de mim imagine como é viver com transtorno e sofrer seus reflexos e ser julgado pela perspectiva de quem só sabe as consequências, que foi ferido, que foi machucado, mas que não sabe o peso que levo e levarei por toda vida.
Ps:.: Me tornei adulta mas os rótulos da infância ainda continuam. Sempre falam de mim, A Naty era terrível, cerca e viva com isso e depois me diga como é destruidor crescer ouvido o pior de si.
Ps.:. Minha primeira poesia sobre TOD
Naty Souza
autismos

Notícia 3 seminário no blog Jaime

Blumenau sedia 3ª edição de seminário sobre autismo.

autismos