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Depoimento de Lidiane Kriger

Depoimento de Lidiane Kriger, administradora e mãe do Arthur, 5 anos, autista.
Após muitos anos de união, percebemos que estava na hora de buscarmos a experiência de sermos pais.
Depois de algumas tentativas frustradas, finalmente recebemos o tão esperado beta positivo.
A gravidez transcorreu bem e em janeiro de 2014 nascia nosso bem mais precioso, saudável e perfeito.
Nesta época, morávamos em uma cidade, onde todos os bebês faziam um acompanhamento de desenvolvimento infantil de forma gratuita numa entidade anexa à APAE.
Durante o primeiro ano do Arthur estava tudo caminhando de maneira normal. Quando ele estava com 1 ano e meio, aproximadamente, em uma dessas consultas nessa entidade, relatei que ele: quase não atendia quando era chamado; não fazia tchau e nem jogava beijinho; não gostava de ambiente com muito barulho, fica assustado e chorava muito com um Parabéns em festas de aniversário. Mas meu relato foi em resposta às perguntas que a neuropsicopedagoga fazia, e não por uma desconfiança minha.
Aproximadamente com 1 ano e 10 meses retornamos a essa entidade para a consulta e também para um exame de audiometria.
Nesse exame, como já era esperado, não havia nenhum problema de audição. Mas nos disseram que pelas observações feitas na unidade e com base nos meus relatos, meu filho possuía características do espectro autista.
Acredito que aquele foi o dia mais difícil da minha vida. Naquele momento nem conseguia sentir meu corpo. Demorei para processar o que estava acontecendo, o que estava ouvindo. Chorei muito. Fiquei com muito, muito medo do futuro. Fui procurar informações na internet e só piorou meu estado. Sorte que, duas semanas mais tarde, conseguimos a primeira consulta com uma neuropediatra (dezembro de 2015) e ela nos tranquilizou um pouco. Orientou-nos  para que fizéssemos acompanhamento com uma fonoaudióloga, pois Arthur falava pouquíssimas palavras, e essas somente nós (pai e mãe) entendíamos. Em contrapartida, Arthur já conhecia as cores e numerais até 10.
Em janeiro do ano seguinte completou 2 anos e em fevereiro iniciou sua vida escolar. Em março daquele ano quando retornamos a neuropediatra, ele havia progredido espantosamente, e já conseguia falar mais palavras. Embora ainda soltas, mas bem mais claras. Inclusive falava o nome das cores e os números. Continuamos com a fonoaudióloga durante todo o ano e em dezembro ele teve alta, com um vocabulário diverso compatível com sua idade. O desenvolvimento dele a partir da escola e das intervenções foi fantástico. E aos 3 anos e meio foi fechado o diagnóstico como Autismo Leve de funcionalidade (grau I).
No momento, Arthur tem 5 anos, já fez terapia ocupacional por um período e atualmente faz terapia comportamental. A maior dificuldade agora é a rigidez de pensamento (teimosia, rs) e a falta de empatia.
Dificuldades, incertezas e medos sempre existirão.
Hoje, não sofro mais por antecipação.
Busco sempre fazer o melhor por ele todos os dias, para que consigamos resultados positivos no futuro.
É com certeza, um trabalho de formiguinha… devagar e constante. Mas muito, muito recompensador.
Arthur é um menino amoroso, sorridente, falante, inteligente, curioso, questionador e argumentativo. Adora a escola e os amigos. Adora ir ao shopping, ao cinema, brincar com eletrônicos e assistir televisão. Fala inúmeras vezes no dia que me ama… me enche de beijos e abraços. Conversamos muito, e espero que ele tenha em mim sempre um lugar de aconchego, de amor, de apoio, de confiança.
À noite, antes dele dormir, sempre conto histórias. E algumas vezes, a história é sobre a chegada dele em minha vida.
E digo sempre que Jesus escolheu o melhor menino que ele tinha para ser meu filho e que o amo muito, muito, muito e mais um pouco.
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Quando as pessoas acham que ser AUTISTA é um peso

Quando as pessoas acham que ser AUTISTA é um peso.

Quando eu noivei, todos estavam preocupados comigo, mas também demais preocupados com meu ex-noivo.

Embora ainda eu não tivesse diagnóstico, tinha toda uma história de limitações e crises, dificuldades e singularidades, coisas bem diferentes de todos as outras em minha volta.
Todos me enchiam de perguntas e isso me sufocava.
– ELE SABE DE VOCÊ?
Se referindo as minhas dificuldades.
– JÁ EXPLICOU PARA ELE SEU PROBLEMA?
Como se fosse carregar um peso para o resto da vida.
– CONTOU SOBRE SEU JEITO?
Como se o que eu sou de fato fosse algo muito muito sério ao ponto de não merecer uma vida como todo mundo.
Já tentei explicar que sou DIFERENTE, que tenho limitações, que não serei uma mãe comum e que não serei uma mulher como todas as outras, mas que sou amiga, parceira, que tenho valores, responsabilidade e compromisso.
As pessoas viam como se meu ex-noivo fosse uma boa pessoa amando uma pessoa igual a mim, que talvez ninguém mais iria me aceitar, sabe o que é pior?
Por alguns momentos também pensei isso. Mas na verdade era que eu que estaria fazendo um “FAVOR” a ele.
Um homem de 30 anos, imaturo, mimado, não sabia fazer nada sem a mamãe, nunca teve compromissos na vida, responsabilidades.
E, eu, a “ANORMAL”, estava muito amadurecida, com responsabilidade de cuidar dos meus pais, de sustentar minha família, de cuidar das dispersas, finanças e problemas reais de adultos.
Vi que eu teria sérios problemas, pois eu estava evoluída demais.
Sentei com ele disse: – Não poderei ser sua mãe. Infelizmente terás que crescer para me acompanhar. Estou disposta a lhe ajudar no seu crescimento. Serei sua esposa, amiga, parceira, mas jamais mãe, estamos entendidos?!
Quando temos uma deficiência seja ela qual for, as pessoas tendem a achar que os parceiros, SEM DEFICIÊNCIA, é que levam toda a carga, que terão que lidar com o peso e responsabilidade da nossa deficiência e limitações, nos colocam como peso e impotentes diante de tudo.
Na verdade ter uma deficiência e namorar, casar com alguém sem, não é para ser colocado no parceiro um rótulo de ” Ele (a) é incrível por aceitar sua deficiência “.
Pessoas deficientes podem ser tão capazes e preparadas para uma relação que o parceiro (a) sem deficiência pode ser o problema, sério problema. Pois, acontece que pelas nossas limitações aprendemos a lutar, se adaptar e superar, amadurecer e nos tornamos fortes, enquanto o outro que nunca teve dificuldades se torna limitado e imaturo. Bem sério isso.
Acho que as perguntas e preocupações deveriam ser DIFERENTES, não sobre MEU ex está preparado para casar com uma pessoa com deficiência, mas se eu estava preparada para casar com alguém que não tinha estrutura nenhuma para me acompanhar, pois estava muito a frente dele em Tudo.

P.S: Ser deficiente não nos torna menos que ninguém.

Naty Souza, 33 anos, escritora e autista.

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Depoimento de Graziella de Souza

Graziella de Souza, dona de casa, mãe dos gêmeos de 5 anos, Brenda e Bernardo, menino autista e com surdez moderada.

– Parabéns papai e mamãe são gêmeos! Foram as palavras do meu obstetra no primeiro ultrassom. Meu esposo quase caiu da cadeira e eu não sabia se era realidade ou um sonho, nos pegou tão desprevenidos. Saímos do consultório agradecendo a Deus e ligando para todo mundo para darmos a boa notícia.

Foi uma gestação muito tranquila, porém Bernardo e Brenda vieram ao mundo com 29 para 30 semanas. Muito prematuros e pesando pouco mais que 1200 kg.

Foram longos cinquenta dias na UTI até ganhar alta e virmos pra casa.

Tudo corria muito bem até que com seis meses de vida a pediatra notou que havia algo diferente e me pediu para repetir o teste da orelhinha. O exame da Brenda deu normal e o do Bernardo apresentou perda auditiva.

– Mas como assim meu filho não escuta? Isso mesmo teve diagnóstico de surdez moderada a severa.

Meu coração de mãe ficou despedaçado, mais não tive tempo para lamentar ou reclamar. Juntei todas as minhas forças e parti para reabilitação.

Tudo caminhando como tinha que ser, Be já estava usando os aparelhinhos auditivos, escutando e logo começaria a falar. Mas não foi bem assim. Os profissionais que o acompanhavam tinham inúmeras dúvidas:

– Mãe,  acho que ele não olha porque não escuta. Vamos darmos mais um tempo. Falar demora mesmo e tem ainda o tempo da privação. Ele só é agitado porque não ouve bem.

Enfim, foram muitas opiniões que se confrontavam. Bernardo não fazia contato visual, não falava e nem respondia a chamados, não brincava de forma funcional e me usava como ferramenta o tempo todo para conseguir o que queria, não interagia nem socializava com as outras crianças e era um pouco seletivo na alimentação.

E aos dois anos e nove meses fechou-se o diagnóstico de autismo com surdez associada. Este ao mesmo tempo em que tirou meu chão, transformou-me em uma muralha e me fez uma fortaleza para recuperar o meu filho amado.

Começamos com todas as intervenções possíveis, muito estímulo, paciência, amor e principalmente muita fé em Deus. E hoje posso dizer com convicção que o autismo não nos venceu. Mês que vem eles completam cinco anos. Be já escuta e compreende quase tudo, está aprendendo a nadar, falando e se comunicando muito bem, desfraldado e quase iniciando a alfabetização.

Ainda teremos inúmeros desafios. Mas conto com uma família empenhada, com uma maninha tagarela, carinhosa e decidida a ajudar o irmão nas suas dificuldades. Com um pai carinhoso, companheiro e pulso firme para ensinar e educar da forma mais correta. Com avós que não se cansam de paparicar, abraçar e beijar os netos, que para eles, são tudo. E, conto, também, com uma equipe multidisciplinar que trabalha com muito empenho amor e dedicação.

Poderia ter presente de aniversário melhor que esse?! Gratidão a Deus por me escolher para essa linda jornada, meus filhos são dádivas, meus tesouros mais preciosos e amo minha família!

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Ensino com Empatia – Eugênio Cunha

Ensino com empatia

Eugênio Cunha

Enquanto você está lendo as primeiras palavras deste texto, seu cérebro está processando sensações, informações, sentimentos e dando significado a tudo que é percebido pelos seus canais sensoriais. Num fugaz momento, ativa-se diversas regiões do córtex cerebral para produzir conhecimento.

Podemos não perceber, mas isso acontece todos os dias, em todos os momentos. Trata-se de aprendizagem. Independentemente de dificuldades ou deficiências, todos, ao seu modo, têm capacidade de realizar essa dinâmica cognitiva complexa e sofisticada.

Penso que o desconhecimento desses processos sinápticos, tem trazido entraves à inclusão escolar e social, pois há ainda quem ache que algumas pessoas não são capazes de aprender.

Resolvi escrever sobre esse assunto, porque vejo ainda que muitos autistas, bem como pessoas com outras deficiências ou dificuldades, impedidas de terem acesso ao ensino comum, porque se questiona sistematicamente suas condições de aprendizagem.

Em muitos casos, mesmo aqueles estudantes que têm altas habilidades são considerados incapazes, porque não se adequam ao sistema escolar.

Fato corriqueiro da educação infantil ao ensino superior.

Para que a educação ocorra, é preciso que haja empatia em quem aprende e, principalmente, em quem ensina.

Ter empatia significa ter a capacidade de impregnar-se da humanidade do ofício educativo; de partilhar emoções e significados.

Em outras palavras, colorir e fazer parte do mosaico da vida, dos matizes que nos permitem estabelecer relações de equidade.

É possível que o autista desenvolva suas competências em sala de aula, desde que – como já dizia Paulo Freire – as práticas pedagógicas estejam impregnadas de sentidos.

Não se deve desprezar a inteligência de ninguém, mesmo nos casos de maiores comprometimentos intelectuais.

Pesquisas mostram que a capacidade cognitiva e o comportamento são os dois fatores mais determinantes para a exclusão escolar.

As instituições educacionais e a sociedade precisam entender que a inteligência é da natureza humana. Trata-se de uma indelével condição biológica.

Ninguém está destituído desse especial atributo.

Ademais, educar o aluno com autismo é construir um percurso pedagógico, em que primeiramente aprendemos e depois ensinamos.

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Vamos falar de símbolos? – Naty Sousa

Vamos falar de símbolos?

Muitas deficiência possui seu próprio símbolo , isso facilita identificar qual é a deficiência da pessoa. Os que não possuem, são representados pelo simbolo do cadeirante. Porém três símbolos precisam de um olhar mais amplo e esclarecimento.
1- Laço do autismo: Ele é para identificar a pessoa autista, e está cada vez mais sendo aceito pela sociedade e fazendo parte de placas, ajudando assim a identificar a pessoa autista e a facilitar atendimento e em na necessidade de apoio..
2- O símbolo da NEUROdiversidade: Ele engloba deficiência ligadas à mente (precisei esclarecer essa parte de neurodiversidade também), é muito lindo e interessante. Porém e válido lembrar que todo autista é NEUROdiverso, mas nem todo NEUROdiverso é autista. Então, uma hora teríamos que ser representados por algum desses outros símbolos de deficiência.
3- Símbolo cadeirante: Esse símbolo já inclui várias deficiências e doenças, entre elas renal crônico e pessoas com outras doenças invisíveis. Então, se sua cidade ainda não aderiu o laço, não se desespere , o símbolo ♿ já representa todas as pessoa com deficiência.

Eu gosto do laço, me identifico com ele. Sou feliz por fazer parte de uma geração de autistas que lutam pela VOZ AUTISTA e pela minoria. Assim me sinto segura de dizer que gosto do laço, mesmo que eu seja minoria. Pois vão respeitar minha VOZ AUTISTA e minha escolha. Que cada um siga feliz com o símbolo que se achar representando, representatividade não é imposta, é quando algo ou alguém tem algo que nos identificamos. Ah eu gosto do azul também, sei que foi colocado gênero nas cores, azul menino e rosa menina, mas na minha opinião, Voz autista, cor não tem gênero. Então posso gostar de qualquer cor sem que isso afete meu gênero.
Eu também aceito todos com suas cores e símbolos, desde que isso não venha prejudicar ninguém.

Mas uma vez vou falar, se você quer infinito, use, eu apoio você.
Se você quer quebra cabeça, use, eu apoio você.
Se você quer verde, lilás, roxo, amarelo, cinza, use, eu apoio você. Como falei faço parte da geração que luta para que você tenha Voz, mesmo que seja minoria, mesmo que você seja o único a pensar assim, afinal, NADA sobre nós, sem Nós!

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Naty Souza

Influenciadora digital,
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Afazeres domésticos e o autismo – por Adriana Ferreira

Afazeres domésticos e o autismo

Não faz muito tempo, que me atentei o quanto é importante para um atípico ou melhor para todas as pessoas, sentirem-se úteis e valorizados com os afazeres domésticos. O como é importante para ele, pedirmos ajuda, e também, para estimular sua autonomia e responsabilidade.
Algumas tarefas domésticas repasso para o João, como passar aspirador no sofá e tapetes, e o faz melhor do que eu. Cuidadoso com cada detalhe, inclusive percebi sua iniciativa de afastar o sofá e limpá-lo atrás.
Coisas que foram sendo geradas com o tempo. E como ele fica feliz em fazer, e em sentir-se útil.  Ele se sente muito orgulhoso: “João, você faz melhor que muita gente, inclusive até melhor do que eu”.
O ajudou muito na questão da iniciativa, ele não tinha iniciativa para nada, e hoje me pergunta se preciso de ajuda.
Não que eu não acreditasse em sua capacidade, mas sou muito chata em relação à casa. Gosto de fazer do meu jeito e acabo me sobrecarregando. Mas a partir do momento que eu também me libertei, acabei gerando no João a iniciativa de me ajudar.
Outra coisa que João tem prazer em fazer é plantar, isso o deixa muito feliz, e tudo que ele planta nasce lindamente e ele senti-se muito orgulhoso. Falo que ele tem uma mão boa e ele abre um lindo sorriso.
E ajudar na cozinha, é algo que ele adora, fomos fazer um rolo de frango, que por sinal são várias as etapas: fazer a massa; abrir; cobrir com queijo; rechear; colocar cream cheese em cima do recheio e enrolar. Fomos trabalhando as etapas uma a uma. E como ele ficou feliz em poder contribuir e fez tudo perfeitamente (fizemos 4 rolos).
Uma das características e deficiência do João é esquecer a sequência logo em seguida, e pasmem me surpreendi, quem esqueceu algumas etapas foi eu (rs).
Na hora de forrar a massa com queijo ele faz delicadamente e assimetricamente, super organizado.
Passei a receita de um bolo também para ele, e fui falando os ingredientes, e o bolo ficou lindo, grande, macio, e gostoso, e nós dois, claro, orgulhosos.
Em tudo isso cheguei a uma conclusão, trabalhamos a questão motora, emocional, autoestima, percepção, autonomia e a comunicação.
Ah, e claro, a felicidade também. Como ele fica feliz em comer o que ele faz e de falar para as pessoas que foi ele quem fez .
Alguns simples serviços diários, como levar as roupas para lavar, recolher os chinelos que estão pela casa, colocar o reciclado no saco, estender as toalhas no sol, ajudar a preparar refeições podem, sim, serem feitos pelas mães com a ajuda dos filhos.
Esses pequenos gestos fazem com que eles aprendam noções de responsabilidade, organização e se integrem ainda mais com a gente.
É importante manter altas expectativas em relação a eles, mas é essencial deixá-los desenvolverem todos os passos no próprio tempo, e esse era o motivo pelo qual tardei em deixá-lo me ajudar: entender e respeitar o seu tempo.
Isso será importante para toda a vida dele, pois vai conseguir perceber as habilidades e se tornar independente.
Seja paciente porque mais importante do que ensinar uma criança a escovar os dentes é fazer com que ele aprenda a fazer isso sozinha. Resumindo é uma linda terapia em família.

Adriana Ferreira

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Depoimento de Anita Wolter Hansen

Anita Wolter Hansen, técnica de saúde bucal, mãe de Délis, 25 anos e Lucas, 18 anos.

Lucas nasceu no ano de 2000. Teve um desenvolvimento normal, frequentou a pré-escola, e somente quando iniciou o Ensino Fundamental que percebemos algumas dificuldades de aprendizagem. Fizemos consulta com Neurologista e o diagnóstico médico foi TDAH.

No ensino fundamental Lucas contava com o auxílio de professora de apoio o que o ajudava na sua falta de atenção. Nem de longe se tornou menos capaz de realizar suas atividades e seus sonhos.

A convite de um amigo de escola, começou a participar de treinos de tênis de mesa. E desde que começou se identificou e se apaixonou por este esporte. A partir de então não largou mais a raquete. Nos seus jogos tem se saído muito bem e seu foco é total na hora  do jogo. Com o diagnóstico de TDAH ele poderia competir em jogos paralímpicos e com a indicação de sua professora de apoio concordamos em inscrevê-lo nesta categoria. A princípio ficamos um pouco receosos, pois não sabíamos de sua reação, mas hoje vemos que foi a melhor decisão.

Ele ama este esporte, tem bastante afinidade com os atletas que competem com ele. Pessoas muito especiais das quais só podemos aprendermos algo para nossa vida.

O esporte o ajudou a superar algumas dificuldades. Como família sempre o apoiamos.

Ele já alcançou muitas vitórias ao longo destes anos:  2017 foi Pentacampeão brasileiro da classe 11 (DI) das Paralimpíadas Escolares; 2018 conseguiu o Primeiro Lugar no Ranking Brasileiro da sua categoria; e teve sua classificação para os jogos Parapan- americanos que acontecerão em 2019.

Em 2018, também concluiu o Ensino Médio e em 2019 iniciou o Curso a Distância em Educação Física na Uniasselvi de Timbó.

Ele também serve na Igreja como liderança do Grupo de Adolescentes e Crianças. Canta na banda da juventude e seu compromisso com este ministério é muito importante para ele.

As conquistas no esporte são importantes, mas o que o deixa muito feliz são as amizades que faz com muita facilidade nestes eventos.

Agradeço a Deus pela vida do Lucas. Ele é um milagre e um presente maravilhoso do Senhor.

Ele é responsável e dedicado ao esporte e as outras atividades que assume, independente de dificuldades que às vezes surgem.00

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Crescer sem Diagnóstico – Naty Souza

Crescer sem diagnóstico
Muitas vezes somos levados ao extremo de tantas dores, crescer autista sem entender nada de mim mesmo foi como cair em uma buraco negro no espaço.
Eu vivia perdida sem entender o porquê tudo em mim não tinha respostas e por que todas as minhas perguntas não eram respondidas de forma lógica.
Que eram estas pessoas? Quem era esta família? Que mundo era este que eu caí? Por que estou aqui?
Eram as perguntas que eu me fazia todos os dias.
Somente um autista vai entender minha dor, minhas questões e minha solidão.
Nem mãe, nem pai, nem médico, nem o mais especialista sobre autismo vai poder ir no mais profundo de tudo que há em mim, pois uma mente neurotípica sempre terá a visão baseada no seu universo típico.
Somos pertencentes ao mesmo planeta, espaço, cosmo, mas autistas e neurótipicos  são mentes que se expandem em universos paralelos.
Crescer sem saber do autismo foi como seguir sem bússola, sem mapa, sem setas, sem caminho…
Claro que adoeci, tive depressão e tentei suicídio. Pois, alguém consegue seguir sem rumo? Sem norte? Sem rota?

É como viver perdido mas tentando chegar a um lugar.

Naty Souza, 33 anos, escritora e autista.

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Depoimento de Eliane Schmidt – AMA Gaspar

Eliane Schmidt, cabelelereira e co-fundadora da AMA Gaspar.
Mãe de Marcos Antônio 9 anos, João Victor 7 e o Matheus 4 anos, meninos autistas.
Quando o Marcos Antônio estava com dois anos e meio descobrimos o autismo.
Como ele era nosso primeiro filho demoramos a notar alguns sinais.
O mundo virou de  cabeça pra baixo, tivemos que correr muito pra obter informações, conhecer caminhos de um mundo que nos era estranho.
Nosso segundo filho, João Victor já havia nascido e aí veio a preocupação, será que também é autista?
Como o autismo dele é muito mais leve que o do Marcos, só aos 3 anos, é que foi diagnosticado.
E tivemos nosso terceiro filho, o Matheus, que também, logo aos dois anos foi diagnosticado autista.
São três crianças completamente diferentes uma das outras.  O Marcos é não verbal, o João fala pelos cotovelos e o Matheus fala muito em casa, mas é tímido com estranhos.

Ouvimos muito de como deve ser difícil criarmos filhos autistas.

Não sabemos se é difícil, para nós é a vida normal. A correria para levar na fonoaudióloga, terapeuta Ocupacional, na estimulação precoce. AEE virou cotidiano, não lembramos mais como é viver sem isso.
Coisas simples, como a primeira vez que nosso filho comeu sozinho ou a primeira apresentação na escola sem chorar, tomam uma proporção muito maior e aprendemos que não há um tempo determinado para as conquistas deles acontecerem, mas quando acontecem são muito comemoradas.
Ao longo do tempo fomos somando a nossa vivência a militância, somos co-fundadores da AMA Gaspar onde podemos dividir nossas experiências com pais mais experientes e outros que acabam de descobrir esse mundo azul, além da luta pela conscientização e manutenção dos direitos dos autistas em nosso município.
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Idosos autistas – texto Fátima de Kwant

“IDOSOS AUTISTAS

Essa noite eu tive um sonho. Um homem de idade me seguia. Onde eu ia, lá ele estava. Já preocupada com o “stalker”, eu ia fugir quando ele disse: “Me ajuda. Eu sou autista.” O sonho mexeu comigo. Se é alguma premonição, ou aviso, não sei. Mexeu porque me lembrou que não falo sobre eles, os autistas da terceira idade, as crianças autistas dos anos 30/40; os adolescentes dos anos 40/50; os jovens adultos dos anos 60… os idosos. 

ONDE ESTÃO AGORA? 

Onde vivem as pessoas que passaram décadas sem diagnóstico? Os chamados esquizofrênicos (naquele tempo era comum confundir autismo com esquizofrenia), os “doentes mentais (autismo também era confundido com doença mental), os estranhos da vida, os loucos, os gênios que nunca chegaram à faculdade… Como é triste pensar que não tiveram chances. Como é triste não saber onde estão. 

Se você encontrar uma pessoa idosa que não pareça normal, não julgue; cogite se ela pode ser autista. Pode ser um mendigo, um prisioneiro (muitos viveram e morreram em prisões), em manicômios. Eles também são filhos de Deus. 

Hoje, meu carinho e minhas preces vão para os velhinhos e velhinhas autistas que não usufruíram dos tratamentos e possibilidades que temos hoje. 

Deus os abençoe, onde quer que estejam 🙏🏼🌹❤️

 

Fatima de Kwant

Jornalista

Especialista em Autismo & Desenvolvimento e Autismo & Comunicação

Ativista Internacional pela Autismo www.autimates.comwww.facebook.com/AutimatesBrasil

@fatimadekwantautismo

 

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