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AS 15 PRINCIPAIS MODALIDADES TERAPÊUTICAS

AS 15 PRINCIPAIS MODALIDADES TERAPÊUTICAS

AS 15 PRINCIPAIS MODALIDADES TERAPÊUTICAS
 
Dr. Gustavo Teixeira, M.D. M.Ed.
Diretor Executivo do CBI of MIAMI
O tratamento moderno para os transtornos do espectro autista é baseado em estudos científicos controlados e realizados há décadas em diversos centros de pesquisa das mais respeitadas e renomadas instituições acadêmicas dos Estados Unidos, Canadá e Europa.
Intervenções conjuntas englobando psicoeducação, suporte e orientação de pais, terapia comportamental, fonoaudiologia, treinamento de habilidades sociais, medicação, dentre outras modalidades ajudam na melhoria da qualidade de vida da criança, proporcionando uma melhor adaptação no meio em que vive.
Destaco a seguir as 15 principais intervenções utilizadas no tratamento dos transtornos do espectro autista atualmente. Essa lista é um conjunto de referências terapêuticas dos principais guidelines mundiais sobre o tema, além das recomendações da Academia Americana de Psiquiatria da Infância e Adolescência, Academia Americana de Pediatria e do Centro de Controle de Doenças e Prevenção (CDC).
ORIENTAÇÃO FAMILIAR E PSICOEDUCAÇÃO
            A orientação familiar e oferecimento de material psicoeducativo deve ser a primeira intervenção terapêutica. Normalmente, o momento de informar sobre o diagnóstico da criança e de conversar sobre o plano individual de tratamento é carregado de emoção, preocupações, dúvidas e muita ansiedade por parte dos pais.
            O médico deverá ser acolhedor, atencioso e esclarecer todos os aspectos referentes ao diagnóstico e sobre o plano individual de tratamento.
            Todo universo de dados sobre a psicopatologia envolvendo o autismo deve ser explicado. Livros, folhetos, websites e toda forma de conteúdo psicoeducacional deve ser fornecido à família da criança.
            O trabalho psicoeducativo e de orientação aos pais será fundamental para aumentar a adesão ao tratamento e para gerar expectativas realistas sobre a evolução da criança ao longo do tempo.
ENRIQUECIMENTO DO AMBIENTE
Essa modalidade de tratamento é baseada em uma intervenção simples, mas com resultados muito positivos. Trata-se de expor a criança à um ambiente doméstico rico em diferentes estímulos sensoriais. Essa possibilidade de estimulação passou a ser estudada após a observação de que crianças pouco estimuladas vivendo em orfanatos romenos durante o governo do ditador Nicolae Ceaușescu nas décadas de 1970 e 1980 desenvolviam alguns sintomas autísticos no que foi chamado síndrome autística pós-intitucional.
Estudos com modelos animais também demonstraram que aqueles animais que viviam em ambientes ricos de estímulos, se desenvolviam melhor, quando comparados com animais privados de estimulação.
Para esse enriquecimento do ambiente existem alguns protocolos de intervenção que incluem, por exemplo: duas exposições diárias (manhã e tarde) a diferentes fragrâncias de perfumes; escutar diferentes ritmos musicais durante o dia; realizar diferentes atividades motoras e assim por diante. Basicamente a criança é estimulada diariamente com pelo menos 30 exercícios combinandos com estímulos diferentes envolvendo os cinco sentidos (olfato, tato, paladar, visão e audição).
O que os estudos científicos estão nos mostrando é que esse enriquecimento do ambiente através dessa estimulação sistematizada produz uma melhora significativa de sintomas autísticos em crianças e adolescentes. Importante destacar que essas intervenções apresentam sucesso quando realizadas em crianças com até quatro anos de idade.
MEDICAÇÃO
Não existem medicações que possam tratar especificamente o autismo, entretanto algumas medicações podem ser utilizadas quando identificamos “sintomas-alvo”, isto é, alguns sintomas comportamentais que atrapalham o funcionamento global da criança e que podem ser melhorados com medicamentos especificos.
Por exemplo, uma criança que apresente comportamentos agressivos, auto-agressivos, agitada, inquieta, ansiosa, com movimentos repetitivos ou estereotipias pode se beneficiar de uma intervenção farmacológica.
Outras crianças que apresentem diagnósticos associadas como o transtorno de ansiedade generalizada, o transtorno de déficit de atenção/hiperatividade, o transtorno de humor, dentre outras também podem fazer uso de medicação objetivando a melhoria dos sintomas da patologia associada.
TERAPIA COGNITIVO COMPORTAMENTAL
Uma das intervenções mais utilizadas para o tratamento do autismo, a terapia cognitivo comportamental ajuda a criança a reconhecer seus sentimentos e regular suas emoções; controlar ansiedade, reduzir a impulsividade e melhorar seu comportamento social.
O terapeuta objetiva também reduzir comportamentos repetitivos e estereotipados, controlar acessos de raiva e ensinar novas habilidades à criança ou adolescente.
 
TREINAMENTO EM HABILIDADES SOCIAIS
O treinamento em habilidades sociais é uma modalidade terapêutica fundamental para o tratamento do autismo, pois as principais dificuldades dessas crianças estão relacionadas com a esfera social.
O terapeuta tem o objetivo de ensinar e treinar habilidades sociais importantes para a comunicação e interação social da criança, como olhar nos olhos, reconhecer gestos faciais, iniciar e manter uma conversa, por exemplo.
Ele pode contar histórias e envolver a criança em situações sociais simuladas. Posteriormente a criança poderá treinar o comportamento desejado engajando-se em situações reais dentro de um grupo de habilidades sociais envolvendo também outras crianças com as mesmas dificuldades.
Em uma terceira etapa, as crianças podem treinar comportamentos sociais em situações práticas do dia a dia, comprando um sorvete na sorveteria ou conversando com um novo amigo na escola, por exemplo.
 
TERAPIA ABA
Um tipo de tratamento comportamental que tem ganhado destaque atualmente pelo sucesso de suas intervenções é chamado Análise do Comportamento Aplicado ou ABA (Applied Behavior Analysis).
A terapia ABA é praticado por psicólogos experientes e consiste no estudo e na compreensão do comportamento da criança, de sua interação com o ambiente e com as pessoas com quem ela se relaciona.
A partir do conhecimento e do funcionamento social global da criança, são desenvolvidos estratégias e treinamentos específicos para corrigir comportamentos problemáticos e estimular comportamentos assertivos e práticos.
A utilização de reforçadores positivos são estratégias amplamente utilizadas para auxiliar no sucesso do método e o progresso da criança pode ser mensurado e estudado de forma detalhada.
Dentro da terapia ABA existem diversas técnicas comportamentais que podem ser utilizadas, objetivando a aprendizagem, a motivação, estimulando a comunicação e o ensinamento de habilidades verbais.
FONOAUDIOLOGIA
O trabalho do fonoaudiólogo é muito importante na estimulação das habilidades de comunicação verbal e não-verbal. Quando corretamente estimuladas, essas crianças apresentam ganhos muito significativos fala, na linguagem não verbal, na interação social, no ganho de autonomia e melhoria de sua qualidade de vida e de sua autoestima.
TERAPIA OCUPACIONAL
A terapia ocupacional objetiva o ensinamento de habilidades de vida diária para tornar a criança mais independente possível. As habilidades treinadas podem incluir: se vestir, se alimentar, tomar banho, ensinar a criança a pedir auxílio e a se relacionar com outras crianças ou cuidadores. A busca por algum grau de autonomia é um dos objetivos da terapia ocupacional.
TERAPIA DE INTEGRAÇÃO SENSORIAL
A terapia de integração sensorial objetiva auxiar a criança à lidar com as informações sensoriais do ambiente. Comumente, crianças com autismo apresentam dificudade de lidar com questões sensoriais, como sons, luzes e odores. Desta forma, a intervenção poderia ajudar, por exemplo, crianças que apresentam dificuldades para lidar com o toque, ou com a textura de uma roupa nova, ou que se incomoda com o barulho dos carros na rua ou com o perfume da mãe.
MÉTODO TEACCH
O método TEACCH (Treatment and Education of Autistic and related Communication-handicapped Children) ou tratamento e educação de crianças com autismo e dificuldades de comunicação é uma metodologia amplamente utilizada na aprendizagem de crianças com autismo. O método utiliza pistas visuais para o ensinamento de habilidades, por exemplo: cartões ou figuras que ensinem a criança a se vestir a partir de informações quebradas em pequenos passos e ilustradas em diferentes cartões.
MÉTODO PECS
O PECS (Picture Exchange Communication System) ou Sistema de comunicação por figuras utiliza cartões com símbolos para a aprendizagem de habilidades de comunicação. A criança é treinada para usar os cartões para perguntar ou responder à perguntas e para manter uma conversação.
MÉTODO FLOORTIME
       O Floortime foca no estímulo ao desenvolvimento emocional e relacional da criança. O método busca entender os sentimentos da criança e sua relação com seus cuidadores e também na maneira como a criança se relaciona com os órgãos do sentido (olfato, audição, visão, tato e paladar).
MEDIADOR ESCOLAR
Um profissional importante no tratamento e no processo pedagógico dessa criança será o mediador escolar. Ele funcionará de elo entre educadores, pais e o estudante.
Nos Estados Unidos esse profissional é chamado de shadow (“sombra” em inglês). O motivo dessa denominação é para reforçar que o mediador não deve trabalhar como um facilitador de tarefas, e sim como uma sombra da criança.
O mediador escolar trabalhará auxiliando a criança na sala de aula e em todos os ambientes escolares, como um “personal trainer”, mediando e ensinando regras sociais, estimulando a comunicação e sua participação em sala, acompanhando a interação social dela com outras crianças, corrigindo rituais e comportamentos repetitivos e acalmando o estudante em situações de irritabilidade e impulsividade.
Um ponto importante no trabalho do mediador escolar é que seu trabalho deve ocorrer apenas após a intervenção do psicólogo comportamental que identificará as limitações da criança, seus potenciais e poderá coordenar e orientar o trabalho do mediador escolar.
A orientação ao mediador escolar proporcionará uma constante evolução da criança, atendendo às necessidades do estudante e criando oportunidades e metas de desenvolvimento à serem alcançadas.
O mediador escolar desse ser treinado para documentar diariamente a evolução do estudante. Desta forma, pais, psicólogo comportamental e escola podem trabalhar juntos na identificação de comportamentos e situações problemáticas para realizar adaptações e mudanças de suporte e auxílio para nutrir a evolução acadêmica e comportamental da criança ou adolescente.
Encontros regulares entre o orientador escolar, professores, mediador, psicólogo comportamental e pais ajudam na constante elaboração de metas e implementação de novas estratégias para ajudar o estudante.
Lembre-se, o objetivo final do mediador escolar será ensinar a criança autista a se tornar independente na escola.
 
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