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A Questão do Diagnóstico – Pedro Ferreira

A Questão do Diagnóstico – Pedro Ferreira

A QUESTÃO DO DIAGNÓSTICO.

Ocupar o próprio corpo sem se compreender não é propriedade da adolescência, mas autoria da humanidade. Quando braços esbarram em seus limites e pernas encontram suas alturas, o crescimento ainda está apenas se mostrando. O invisível de cada um e cada uma não é o pensamento, mas o desejo de ser maior do que a carne e os ossos permitem. Então, desenfreados, nos estranhamos buscando tatear as bordas de nossos possíveis.

Seguimos esbarrando em relacionamentos que nos entortam, escolhas infelizes que amedrontam e bicando quinas que nos cortam. Sem agenda e, tão pouco, controle, a vida acontece enquanto acontecemos, sem intervalo ou arrego, costuma ser puro desassossego. É difícil de entender.

Costumamos dar nome para tudo, dizem ter sido essa nossa vocação desde a criação do planeta em que vivemos. Nomeamos para que entendamos, através de palavras alegamos conhecimento e compreensão. Assim, nomes são dados e nomenclaturas vão sendo formuladas para aqueles e aquelas que querem dizer com pressa. Entretanto, sempre há o que não cabe em palavras, aquilo que resta e escorre pelas bordas das letras.

É quando surgem os diagnósticos que constatações tomam forma de lei e destino, pois autoridades intentaram contra o ser, na tentativa de colar pessoas em desígnios clínicos. O mal dos diagnósticos clínicos não está em sua existência, mas no ato de quem se utiliza da ciência para limitar as vivências – temos diagnósticos, não somos diagnósticos. Pessoas são muito mais.

Pedro Ferreira, psicólogo, escritor e palestrante.

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