Esta semana eu transformei uma fita antiga de vídeo para ver momentos do passado.
Estávamos nesta fita em Cabo Frio. Meu filho Filipe que tem autismo, era filmado por uma parente que insistia que ele falasse. Ele começou a chorar com a insistência. Era notória a cara de sofrimento que ele fazia ao pronunciar seu nome de forma forçada no vídeo.
Aquele choro e sofrimento poderiam ter sido evitados se minha parente tivesse mais sensibilidade.
Mas ela achava que estava ajudando. Forçar algo nunca foi bom. Manipular o outro, também não.
Quem não lembra da borboleta que alguém tentou ajudar sair do casulo antes da hora?
A borboleta não conseguiu voar após isso, suas pernas ainda não haviam amadurecido e ficado fortes o suficiente para voar pela vida.
O mesmo acontece com a flor que tem o botão fechado e precisa estar aberta para um buquê.
Pode-se usar a técnica de mergulhar o cabo da flor em água quente e depois na água gelada.
A flor que é forçada e manipulada para abrir antes da hora, tem um resultado não muito natural. As pétalas ficam com uma textura muito fraca, parecendo polpa de coco fina e não amadurecida. As pétalas ao invés de se alongarem para fora, encolhem para dentro.
E assim acontece com a fala.
Ela precisa vir de dentro para fora.
Não forçada de fora para dentro.
A fala é um sentimento.
Uma expressão do eu interior de alegrias, tristezas e de amor.
Precisa ser aguardada com calma e paciência.
E o melhor meio para isso é buscar ajuda do neurologista e do otorrino. Exames serão feitos, para ver qualquer impedimento. Ou se existe problemas de surdez. Depois disso, os médicos encaminharão a criança para uma fonoaudióloga. Ela saberá como fazer todos os exercícios necessários que possam promover a fala do autista.
A maioria dos autistas falam tardiamente. Mas um dia falam! Tenha fé!
Mais do que ver o autista falar é preciso ter a paciência necessária para vê-lo voar e desabrochar naturalmente sem ter sido forçado.
Ray Gonçalves Melo (Mãe de Filipe Melo autista pintor #arteautismofilipemelo)