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Arquivos por mêssetembro 2020

Texto Autista Adulta – Naty Souza

É muito difícil fazer a sociedade entender sobre autismo adulto.

Difícil entenderem que crescemos e fazemos coisas de adultos e também envelhecemos.

Vejo que a maioria dos colaboradores dessa ideia errônea de que autista é só criança vem do fato de que muitos profissionais só escrevem, falam, palestram e se especializam apenas em crianças.

Por que será?!

Será que eles tentam mascarar que autistas crescem?

Acham que autismo desaparece?

Acham que se ajudarem o autista a superar as dificuldades ele nunca mais precisará de ajuda?

Por que os adultos são infantilizados e tratados como bebezinhos por toda vida?

Por que a criança parece lindinho de tratar e depois que vira adulto é desinteressante?

Escrevo a dois anos e continuarei a falar que autismo é para vida toda.

Autistas crescem, passam pela adolescência, pela puberdade, pela explosão de hormônios, pela necessidade de se estimularem sexualmente, alguns menos comprometidos pensam em casar, terem filhos e terem uma profissão.

Mas como seguirmos a vida se somos esquecidos?

Como adaptarmos a vida adulta se tudo é apenas direcionado à criança?

Precisamos falar disso! Autistas adultos mesmo os comprometidos sentem necessidades naturais do corpo humano e passam pelo processo natural da vida adulta, se masturbam, mestruam, têm ciclos hormonais, coisas naturais da vida de qualquer ser humano.

É importante vê o autista como ser humano e que passa por todo o processo desde do nascimento até a 3° idade.

Precisamos nos preparar para mudarmos o futuro para as novas gerações, que eles tenham suporte e apoio para toda a vida.

Escolas e/ou centros especializados em atenderem esses adultos, centros de qualificação e encaminhamento de empregos, casas assistenciais para aqueles que chegam à vida adulta e os pais morrem, e muitas vezes não têm amparo dos familiares.

Precisamos combater essa ideia que os profissionais colocam de autismo infantil sem progressão.

Autismo é por toda vida.

Tá na hora desses profissionais começarem falar mais disso e entenderem um pouco mais de nós, adultos.

 

Naty Souza

 

Texto – A inclusão escolar do aluno com autismo e saúde mental

A INCLUSÃO ESCOLAR DO ALUNO COM AUTISMO E A SAÚDE MENTAL
A Educação Inclusiva compreende a Educação Especial dentro da escola regular e transforma a escola em um espaço para todos. Ela favorece a diversidade na medida em que considera que todos os alunos podem ter necessidades especiais em algum momento de sua vida escolar.
A Lei 13.146/2015 no Art. 2.º considera pessoa com deficiência aquela que tem impedimento de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, em interação com uma ou mais barreiras, pode obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas.
Conhecer e saber como realizar os cuidados para este público com olhar e cuidado biopsicossocial, e principalmente sem preconceito, abordando suas necessidades educacionais e de saúde em cada momento do seu desenvolvimento.
Percebe-se que se a inclusão não acontece, o aluno autista, por exemplo, pode ter sua saúde mental alterada.
Muitos dos profissionais que os acompanham não conseguem compreender os comportamentos característicos do autismo, as estereotipias, necessidade de auto regulação, necessidade de ambular pelos espaços.
Isso altera a rotina da sala de aula pode levar a situações de crise para o aluno autista. Pois, como a maioria das pessoas se tem uma imagem do autista de uma criança isolada no seu canto, balançando o corpo e olhando incansavelmente para seus dedinhos a se mexer, é um exemplo clássico.
Essa cena até ilustra, em parte, pessoas com esse tipo de funcionamento mental, mas, como estereótipo, é capaz de deixar marcas e estigmas.
Com esta visão generalizada não se percebe o ser humano que está em sua frente necessitando de um olhar e cuidado biopsicossocial e principalmente sem preconceito capaz de compreender a suas necessidades educacionais e de saúde naquele momento.
Compreender esse transtorno pode ser relativamente simples quando estamos dispostos a nos colocar no lugar do outro, a buscar a essência mais pura do ser humano e a resgatar a nobreza de realmente conviver com diferenças.
E talvez seja esse o maior dos nossos desafios: aceitar o diferente e ter a chance de aprender com ele.
Assistir a criança com TEA constitui-se em um grande desafio.
Esta é a motivação para relatarmos a atuação do profissional de saúde e do professor frente ao atendimento à criança autista. Dados estatísticos e pesquisas têm mostrado a prevalência de crianças com Transtorno do Espectro Autista o que evidencia a necessidade das escolas se adaptarem a este perfil de alunos, das equipes de saúde melhor se prepararem para a integralidade e saúde mental desta clientela.
Gisele Cristina Manfrini Fernandes. Universidade Federal de Santa Catarina,
Gizela Leite. Prefeitura Municipal de Blumenau/CEMEA
Raquel Nogueira Leite. Hospital Baia Sul
REFERÊNCIA: BRASIL, LEI Nº 13.146, DE 6 DE JULHO DE 2015. Lei Brasileira de Inclusão.
Descrição da imagem: #PraCegoVer
Card com fundo azul marinho com faixa branca centralizada e escrito em azul marinho: AutismoS & Convidados. Na parte inferior à direita, está a logo do Grupo AutismoS: 4 mãos coloridas: amarela, vermelha, azul clara e azul escura; logo abaixo das mãos, há escrito: autismoS em azul escuro; e na sequência, grupo de apoio educacional.

Depoimento – Vanessa Kraieski Jung

Como foi receber o diagnóstico?
 
A nossa história não foi muito diferente de tantas outras “famílias azuis”…
Johann teve um desenvolvimento absolutamente típico ou “normal” até o seu 1º aninho de vida … muito sorridente, atendia sempre quando chamado pelo nome, apontava, falava várias palavrinhas (inclusive papai e mamãe), se alimentava super bem, pedia colo, interagia com tudo e todos…logo após seu aniversário de 1 ano começamos a notar algumas mudanças sutis no seu comportamento, o que mais nos intrigava era o fato dele não olhar quando o chamávamos pelo nome, realmente parecia surdo.
Os dias foram passando e os sinais começavam a se tornar mais aparentes e preocupantes: ele parou de falar, passou a ficar fascinado por objetos que giravam, começou a andar nas pontas dos pés, passou a dormir muito mal, não se importava quando eu ficava o dia fora de casa, não pedia colo, poderia aparecer um monstro gigante na frente dele que nem dava bola, não chorava de fome ou sede, ou se estava sujo, passou a rejeitar vários alimentos que comia…
Enfim, começamos a ficar realmente preocupados. Assim que completou 1 ano e 6 meses ouvimos pela primeira vez a palavra AUSTIMO, numa consulta de rotina com a pediatra, saindo de lá já ligamos para o Neuropediatra indicado, e no dia seguinte já estávamos com o laudo em mãos.
Como muitas mães, passei a noite revirando o google em busca de depoimentos, tratamentos, especialistas, cura…etc.. e todos os sintomas de comportamento, manias e estereotipias que meu filho apresentava se encaixaram no Autismo.
Foi uma dor muito grande, momento de luto mesmo, vários dias chorando e me perguntando o porquê??
Mas com muita informação, apoio da família, amigos, excelentes profissionais, professores e grupos de apoio de mães de Autistas da região, superamos essa fase difícil e tocamos o barco… partimos para as terapias, palestras, seminários, cursos e muito aprendizado.
Por conta do diagnóstico do TEA já passamos por várias situações de sofrimento, de crises, de deitar no chão com ele e chorar junto, de não saber como agir, de olhares insensíveis, de várias situações de constrangimentos nos quais não sabia se ria ou chorava (quando ele desceu “peladão” do escorrega do parque (LOTADO!) dos Dinossauros em Pomerode, ou em outra ocasião, quando me ligaram do parque do shopping, enquanto estava no mercado, avisando que ele havia tirado a roupa e estava pelado mergulhando na piscina de bolinhas, ou veio do banheiro do restaurante comendo o rolo do papel higiênico como se fosse uma maça…Meu Deus!!) entre várias outras situações cômicas…risos…
O AUTIMO às vezes faz a gente chorar sim, mas arranca muitas gargalhadas também…
Hoje eu diria que uma palavra que define o Autismo em minha vida é TRANSFORMAÇÃO, pois com o diagnóstico do meu filho eu realmente me transformei, me adaptei a ele… aprendi a refletir mais, não julgar tanto as pessoas e me tornar uma pessoa melhor, mais sensível, tolerante, empática e paciente.
Me encontrei também profissionalmente como futura Pedagoga em Educação Especial e INCLUSÃO (adoro essa palavra), estou simplesmente AMANDO essa fase da minha vida, tendo a oportunidade de estudar, poder ajudar meu filho e, futuramente, poder contribuir para o desenvolvimento de outras crianças com TEA e também outras deficiências.
Hoje Johann está com 5 anos, já fala muito, como um papagaio ainda (ecolalia), mas vai chegar lá… Ele tem uma coordenação motora corporal muito boa graças as aulas de ginástica e natação do programa Paradesporto de Blumenau, está tendo um ótimo desenvolvimento cognitivo devido a um belíssimo trabalho realizado pelo CEMEA – Centro de Educação Especial, onde ele frequenta desde 1 ano e 8 meses, e contribui muito para as habilidades que ele já alcançou hoje.
Sou muito grata a esses dois projetos sociais gratuitos ofertados pela Prefeitura de Blumenau, ambos acolheram tão bem meu filho e promovem lindamente a Inclusão e o desenvolvimento de todos seus alunos com necessidades especiais.
Agradeço ao Grupo AutismoS a oportunidade de poder compartilhar um pouco da minha história e parabenizá-los pelo importantíssimo e exemplar trabalho voluntário de formação, sensibilização e a conscientização sobre o TEA, que vocês realizam com tanto amor e dedicação lutando sempre pela Inclusão.
Um grande abraço.
Vanessa


Descrição da imagem: #PraCegoVer
Card com fundo azul escuro com faixa branca centralizada e escrito em azul escuro: AutismoS & Depoimento. Na parte inferior à direita, está a logo do Grupo AutismoS: 4 mãos coloridas: amarela, vermelha, azul clara e azul escura; logo abaixo das mãos, há escrito: autismoS em azul escuro; e na sequência, grupo de apoio educacional

Sobre discriminar o autista, Prof Tatiana Takeda

SOBRE DISCRIMINAR O AUTISTA

Todas as negativas sociais direcionadas às pessoas com deficiência, em especial às que estão dentro do espectro autista, possuem, como pano de fundo, o preconceito e a discriminação.
Independente da situação a ser examinada quando se trata de uma pessoa com autismo: educação, saúde, lazer, trabalho… a sociedade, automaticamente, tende a lançar um olhar questionador e repleto de julgamento sem “conhecimento de causa” aos que são “diferentes”, ou seja, aos que não se encaixam ao que, em regra, vê-se como “normal”.
Infelizmente, o ser humano, no decorrer de sua trajetória, vai absorvendo o que há de bom e ruim ao seu redor. Já na fase adulta, ele percorreu um longo caminho em que conviveu com diversas situações em que percebeu ser o mundo um “filtro” que seleciona, em regra, os “perfeitos”.
O preconceito é aquilo que vem de dentro. É aquele “pré-conceito” de algo não devidamente conhecido. Aquela concepção que nem sempre sabemos ser a daquela pessoa ao nosso lado. Por sua vez, a discriminação é o ato da pessoa preconceituosa. É a exteriorização, a conduta.
O Decreto nº 3.956/2001, que promulgou a Convenção Interamericana para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Pessoas Portadoras de Deficiência, dispôs que estas “têm os mesmos direitos humanos e liberdade fundamentais que outras pessoas e que estes direitos, inclusive o direito de não ser submetidas a discriminação com base na deficiência, emanam da dignidade e da igualdade que são inerentes a todo ser humano”.
Em seguida, houve a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (CDPD), que também dispôs sobre a discriminação em seu artigo 5º, e a Lei nº 12.764/2012 (Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista) que, no § 2º do artigo 1º, estabeleceu que “a pessoa com transtorno do espectro autista é considerada pessoa com deficiência, para todos os fins legais”.
Assim, o autista passou a ter seus direitos amplamente reconhecidos, tendo a Lei nº 13.146/2015 (Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência) estabelecido sanções aos que discriminarem as pessoas com deficiência
A discriminação com base na deficiência é assunto recorrente e pauta de convenções internacionais, dada sua relevância. Outrossim, no Brasil, essa discriminação é praticada por todo tipo de brasileiro, independente de gênero, credo, raça, opção sexual ou classe social.
É muito importante que todos os autistas e suas famílias tenham ciência de seus direitos, em especial relativos aos empregados como consequência de atos de discriminação.
A pessoa que discrimina deve ser penalizada, conforme disposto no artigo 88 da Lei nº 13.146/2015, após ser denunciada, julgada e condenada.
No caso de discriminação disseminada por meios de comunicação, como as redes sociais, a pena para a pessoa que cometeu este crime é de 2 a 5 anos de reclusão e multa, nos moldes do § 2º do artigo 88 da citada norma. Portanto, discriminação no instagram/facebook ou em outra rede social é passível de punição.
A lei que pune o agente que discrimina a pessoa com deficiência existe e deve ser aplicada quando houver essa prática delituosa. Para isso, a vítima ou seus representantes devem, com as devidas provas, denunciar. Levar o fato ao conhecimento das autoridades responsáveis pela apuração do ocorrido é a primeira ação a ser tomada por aquele que foi constrangido.

Tatiana Takeda é Mãe do Theo Luiz e da Ana Teresa, Professora do Curso de Direito da PUC Goiás e de cursos de pós-graduação; Advogada e Consultora Jurídica em Direito Educacional; Membro da Comissão dos Direitos da Pessoa com Deficiência da OAB/GO; Vice-Presidente da Comissão de Inclusão Social e Defesa da Pessoa com Deficiência do Instituto Brasileiro de Direito de Família (IBDFAM/GO); Assessora da Presidência do TCE/GO; Blogger na Plataforma Ludovica (Blog “Viva a Diferença!”); Mestre em Direito, Relações Internacionais e Desenvolvimento; Pós-graduada em Direito Civil, Processo Civil, Gestão Ambiental, Direito Imobiliário, Ensino Estruturado para Autistas e Direito Educacional; Autora da Coleção de Ebooks “Viva a Diferença! – O que você precisa saber sobre Autismo – Por Tatiana Takeda”; Coautora do Livro Inclusão, Educação e Sociedade, volume 2; Coautora da Cartilha Direitos dos Autistas – Uma história contada (Jujuba); Revisora da Cartilha dos Direitos da Pessoa com Deficiência da OAB/GO; Redes Sociais: “Direitos e Inclusão das Pessoas com Deficiência – Prof. Tatiana Takeda” (facebook), @direitoeinclusao (instagram), Professora Tatiana Takeda (youtube) e site www.tatianatakeda.com.br (site).

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Depoimento – Ariana Alberti (educadora física )

Desde pequena eu já tinha contato com essas pessoas especiais.
Eu tinha duas amigas surdas que me convidaram pra fazer parte de um grupo de danças de surdas, e eu prontamente aceitei com o intuito de auxiliá-las nas coreografias.
Os anos foram se passando e o contato foi aumentando.
Na faculdade sempre fazia trabalho com cegos, pois ninguém se prontificava.
Até que comecei a entender que eu gostava de estar perto de pessoas especiais, pois elas tinham um jeito diferente e amável de viver a vida; aprendia demais com eles.
É foi assim que tive a rica oportunidade de trabalhar com autista e down.
Onde me apaixonei tanto ao ponto de pessoas me procurarem por indicação profissional.
Tive o privilégio de conviver com profissionais de mais áreas e estudar e me aprofundar mais dentro de cada especificidade
do aluno.
E entender o poder que cada um tinha dentro de si e simplesmente mostrar a eles com muito amor, paciência e persistência.
No judô foi onde eu vi de perto que não há limitação, onde há amor força de vontade e superação!
Pois eu sendo saudável e perfeita às vezes não entendia o que eles com todas as dificuldades me ensinaram a entender!
A força que vem do coração!
Entendi que eles só precisavam de alguém que acreditassem no potencial e sentissem da mesma forma que eles sentiam.
Eu, como professora, acredito no poder de transformação e que somos influenciadores nas atitudes e que podemos sim explorar os potenciais e descobrir talentos dentro de suas limitações.
É simplesmente olhar para o todo com muito amor e a consequência será a vitória de todos!
E o ingrediente principal sempre será: O amor💗

Ariana Alberti – Educadora Física.

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Card com fundo azul escuro com faixa branca centralizada e escrito em azul escuro: AutismoS & Depoimento. Na parte inferior à direita, está a logo do Grupo AutismoS: 4 mãos coloridas: amarela, vermelha, azul clara e azul escura; logo abaixo das mãos, há escrito: autismoS em azul escuro; e na sequência, grupo de apoio educacional.