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Arquivos por mêsagosto 2020

Voluntariado, quem se Habilita?

VOLUNTARIADO, QUEM SE HABILITA ?
Por Giovani Ferreira

Embora a palavra voluntariado seja um substantivo masculino, não tem nada a ver com sexo, gênero, religião, cor de pele, poder aquisitivo, etc. Muito pelo contrário, todos estão aptos!

Afinal, voluntário é justamente alguém que se dedica a alguma coisa sem ter obrigação de fazê-lo, ponto que nos leva a algumas características dele: é feito sem constrangimento, com a alma livre; é espontâneo, e isso que o torna especial para quem trabalha e para quem desfruta desse trabalho.

Ser voluntário em qualquer causa é algo nobre, pois normalmente a remuneração é um sorriso, é um estômago que já estava vazio há algum tempo, agora estar saciado, é ver a satisfação de um pai e de uma mãe por poder ter uma refeição em família.

Ser voluntário é fazer parte do divino, é se doar sem pensar nas consequências. Muitas vezes, uma pessoa é voluntária para uma missão sabendo que terá problemas, prejuízos, etc. No entanto, ela entende que isso faz parte do trabalho.

A dor, a ingratidão, a solidão e a frustração muitas vezes acompanham o voluntariado, mas talvez seja nesses momentos em que o voluntariado atua de forma mais poderosa entre aqueles que estão juntos por uma causa, uns apoiando os outros. Ou seja, existe a parte linda do voluntariado, mas também existe a parte mais feia. Vamos encontrar pessoas que somente querem aparecer, às vezes, até ganharem votos, satisfazerem seus egos, aliviarem suas consciências… Mas isso não impede que o lado necessitado receba o que precisa receber, e causas e pessoas sejam abençoadas!

Afinal de contas, “FAZER O BEM, FAZ BEM “! Ser voluntario é ser um vencedor! Creio com todas as minhas forças que estamos neste mundo para sermos voluntários uns para com os outros, e o mundo será melhor quando entendermos isso.

Não vai faltar nada para ninguém, pois existe o básico para todos. Se todos partilharmos o que temos, mesmo que seja pouco, não faltará a ninguém.

Você pode pensar que sou um sonhador… CLARO QUE SOU! Pois sou um voluntário de coração e de atitude, mesmo já conhecendo o desgaste que isso traz e não pretendo desistir!

Romeu Sá Barreto

Amar e cuidar dos nossos filhos (as) autistas não é só pagar as contas. Vai muito mais além do que isso.
É dar amor de verdade, cuidar, levar para as terapias, receber feedback na escola, ou seja, participar, ativamente, da vida do nosso maior tesouro.
Ser pai presente faz bem para o coração, para a saúde mental e até para a alma.
É muito triste ler matérias sobre pais de autistas e de outras crianças neuroatípicas, que abandonam seus filhos, após os diagnósticos.
Pense nisso!!! #paipresente

Corpo na Infância

Corpo na Infância
Por Pedro Ferreira
Psicólogo

Quando nascemos somos nossos sentidos. Integramos o mundo como se tudo fosse um só, não há distinção. O peito materno, as luzes no teto, o colo familiar, o calor das roupas e a fome, trazem tudo que temos durante o início da primeira infância (0 a 3 anos) – as impressões que o corpo encarna e seus efeitos ainda não ditos.
ㅤ Assim, iniciamos puro corpo até que somos tomados pela linguagem, somos inseridos na cultura que dá significado ao que antes era apenas sentido. Essa é a relevância da compreensão da corporeidade como irredutível – o corpo humano toma forma de linguagem. Sejam crianças neurotípicas ou neuroatípicas, é a partir do ensino da palavra com corpo que somos inseridos como participantes da cultura.
ㅤ Criança faz barulho porque o corpo é barulhento. Sejam olhares, sinais, gestos ou frases, não silencie o corpo porque é ele quem diz e através dele que dizemos, pois o que somos.

Texto Dr. Caíque Raphael Vieira

Mães, pais, terapeutas e professores já presenciaram ou ouviram falar de casos assim, algumas vezes a perseguição e sofrimento tornam-se tão intensos que pode até culminar no suicídio da criança/adolescente com autismo. Primeiramente devemos lembrar que o autismo não define quem a pessoa é, mas é uma importante característica formadora de seu caráter, em segundo lugar reforçar que NÃO EXISTE PROBLEMA em estar dentro do espectro autista, por último devemos ver como doença a falta de inclusão e empatia da sociedade para com quem “foge ao padrão”.
Os danos psicológicos para as crianças e adolescentes com autismo é imenso, podendo levar a perda de habilidades, isolamento, aparecimento de comportamentos agressivos e vergonha por ser quem é. Nossa sociedade está cheia de preconceito, mesmo entre muitos que se dizem advogados da inclusão e paladinos da justiça social, cabe a nós, pais, terapeutas, professores e pessoas portadoras de autismo, usarmos nossas vozes para que esses comportamentos não ocorram mais, para que não seja tolerado e receba punição. O dano para a criança no espectro é gigante, e, na maioria das vezes, o agressor sai impune, justificando como “era só uma brincadeira” ou, pior ainda, culpando o autista pelo ocorrido.
Eu digo basta, chega de ver as crianças sofrendo por preconceitos e ignorância de outros pais e filhos mal educados, chega de omissão de pedagogos e tutores nas escolas, chega familiares passando panos quentes para pessoas preconceituosas e cruéis.
Quem já viu as lágrimas de seus filhos sabe o quanto dói, e, para mim, todos os pacientes são como filhos e digo para todos NÃO É VERGONHA SER PORTADOR DE AUTISMO, TENHA ORGULHO DE SER QUEM VOCÊ É, O AUTISMO TORNA VOCÊ MAIS ESPECIAL E MAIS HUMANO.
Peço que defendam as crianças, TODAS elas, e que o bullying seja punido e erradicado das nossas escolas.
A verdadeira inclusão só existe quando não olhamos para a diferença, aprendemos com ela.
Dr. Caíque Raphael Vieira

Você é um bom pai?

Todos os pais de autistas têm momentos em que se indagam sobre o que estão fazendo. Chega uma hora em que eles questionam a si mesmos se estão sendo um “bom pai”. Acredito que o mesmo já deve ter acontecido com você. Deixe-me fazer algumas perguntas que podem lhe ajudar a tirar essa dúvida:
Você está agindo por amor?
Você está tentando fazer seu melhor?
Você avalia a coisas que está fazendo?
Você procura conselhos e tenta aprender mais para melhorar o apoio?
Você está preocupado em ser um bom pai/mãe? .
Responder sim para essas perguntas faz de você um bom pai!
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Isso significa que você sempre toma a decisão certa, nunca fica frustrado com seu filho, nunca se sente culpado por querer ficar algum tempo sozinho, ou ter outras pessoas concordando com você? Não!
Você nem sempre vai tomar as decisões certas – ninguém o fará. Raramente, porém, as decisões momentâneas que você toma terão efeitos drásticos ou de longo prazo em seu filho. Agora, se você fosse um “mau pai”, você:
Em primeiro lugar, não estaria lendo este post;
Raramente questionaria o que está fazendo;
Raramente se sentiria culpado pelo que fez;
Raramente procuraria conselhos;
Raramente iria se preocupar se você está sendo um “bom pai”. .
O fato de que você está aqui lendo esse post já é a prova de que está sendo um bom pai!
Respire fundo, segure as mãos um do outro, ria e chore um com o outro, e acredite que todos vocês são pessoas especiais e pais amorosos.

 

Ser Pai por Caíque Raphael Marques de Marcelo Vieira

Ser pai
Por Caíque Raphael Marques de Macedo Vieira

Ser pai é poder amar incondicionalmente, é estar presente, é crescer com seu filho, é cuidar, é dedicar seu tempo e é sacrifício.
Não se pode falar de pais sem mencionar o nosso Pai, que por amor a todos os filhos e para redimi-los, deu sua vida.
Ser pai é isto, é acordar de manhã com força total para desempenhar todas as suas funções pensando nos filhos, é encontrar forças nos sorrisos dos pequenos e seguir batalhando.
Não, não é fácil ser pai, há dias que sentem cansaço, há dias que só desejam descansar, há dias que a tristeza e angústia invadem a mente e sofrem com o medo do futuro desconhecido.
Ser pai é função de tempo integral, ser pai é saber que seu tempo não é apenas seu, ser pai é ter uma pequena vida pela qual se é responsável e irá zelar por ela até o último suspiro.
É uma batalha cotidiana contra o desconhecido, contra as inseguranças e incertezas com apenas um farol, que é o amor dos filhos. E que lindo amor, um pai é um exemplo para seu filho, é o modelo de integridade e caráter, é uma forma que vai se desfazendo conforme os filhos crescem e nutrem-se dela e no final sobra apenas o amor e a ternura.
Nós, filhos, devemos honrar nossos pais, pois o pai é uma bússola rumo ao destino que está encoberto pelo véu do futuro.
Nosso pai também é porto seguro, onde podemos retornar de nossas expedições ao desconhecido para relatar as descobertas e encontrar conforto e ternura em seus conselhos.
Não há palavras que descrevam o significado que um pai tem para seu filho, não há limites para seu esforço para prover-nos de amor, carinho, segurança e conforto. Sofrem para que nós não soframos, e quando nós, eventualmente, sofremos sentem nossas dores em dose dobrada, pois nossas lágrimas pesam seus corações e almas.
Pais são nobres e devotos aos seus filhos e famílias, com a imponência que encontramos no rei das savanas e com todo o respeito do mitológico cuspidor de fogo medieval. São figuras que nos auxiliam e nos guiam como estrelas e constelações.
Por tudo que são e fazem dizemos apenas:
OBRIGADO PAI, POR SER MEU NORTE, POR SER MEU CAMPEÃO E PROTETOR.
AMO VOCÊ.

Texto por Marcelo Rodrigues

Ser pai de uma criança com autismo leva a maioria das mães e pais a um território emocional inexplorado. Criar uma criança com desafios traz sentimentos poderosos que talvez não tenham experimentado anteriormente da mesma maneira: culpa, ressentimento, ansiedade, raiva. Os pais costumam descrever que se sentem frustrados por não poderem se conectar com seus filhos.
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Cuidar de uma criança com autismo não significa que você precise ser um santo. Todos somos humanos. Nossos sentimentos são naturais e legítimos. Os pais não precisam ser exigentes consigo mesmos. Nem devem tentar controlar o que está além do controle deles.
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O quê significa ser um bom pai? Significa sempre tomar a decisão certa, nunca ficar frustrado com seu filho, nunca se sentir culpado por querer algum tempo sozinho? Não! Normalmente não há uma resposta certa, e há muita coisa que não sabemos neste campo. Você nem sempre vai tomar as decisões certas – ninguém o fará. Raramente, porém, as decisões momentâneas que você toma têm efeitos drásticos ou de longo prazo em seu filho. Respirem fundo, segure as mãos um do outro, ria e chore um com o outro, e tenham certeza que todos vocês são pessoas especiais e pais amorosos.
0900

Por que sou um pai com coração materno?

Por que sou um pai com coração materno?
Romeu Sá Barreto foi criado pela sua Pãe (aquela heroína, que o criou sozinha, desde o seu nascimento, sendo – lhe mãe e pai ao mesmo tempo), que lhe ensinou muito bem como um filho (a) deve ser tratado sob o manto do amor incondicional.
Hoje, Romeu Sá Barreto reproduz com sua filha autista, o mesmo amor incondicional que lhe foi ofertado pela sua divina Pãe.
O diagnóstico do T.E.A. (Transtorno do Espectro Autista) da sua filha, Maria Clara, aconteceu aos 3 (três) anos de idade, passando apenas por 2 (dois) dias de reflexão. Migrou da reflexão para a luta em apenas 2 (dois) dias).
Procurou estudar o autismo na sua forma mais multidisciplinar possível, passando a mergulhar de corpo e alma nos estudos dos direitos dos autistas. Encontrou uma quase infinidade de direitos, pois são mais de 100 (cem) direitos específicos e passou a atuar, também, de corpo e alma na defesa dos direitos dos autistas.
Procuro exercer a minha paternidade atípica da forma mais plena possível, pois ser pai não é somente pagar as contas. Costumo dizer, que pela minha Clarinha, essa fortuna divina, que Deus me deu, eu só não fiz dar de mamar. Mas, fora a mama (impossível de se fazer), perdi noite, levei para médico, participei de reuniões escolares, brinquei, levei para passear, botei para dormir, desabafei com ela, sendo minha grande parceira e amiga, mesmo com tão pouca idade.
O amor incondicional pela minha filha, fez -me mergulhar na luta pelos direitos dos autistas no direito, na parte social e na política.
Romeu Sá Barreto desenvolve um projeto social de atendimento jurídico gratuita para pessoas com câncer, doenças raras, autismo e demais deficiências para as pessoas carentes.
Romeu Sá Barreto é coautor de projetos de leis em prol das pessoas com deficiências.
Luta e ativismo, que nasceram do grande e imenso amor por uma fortuna divina chamada FILHA.
Eis o porque, minha Pãe e minha esposa dizem que sou um pai com coração materno.
Grandioso abraço,
Romeu Sá Barreto – @advogadodosautistas

Eles Crescem

Nossa série “Minuto da Inclusão” é um sucesso!(Quem não acompanhou ainda pode assistir no nosso canal do YouTube autismoS Grupo de apoio educacional).

Estamos aqui para anunciar que, após tantos retornos positivos,começaremos outra série:

“Eles crescem…”
A nova temática foi escolhida, porque se fala muito do autismo na infância; mas onde e como vivem os jovens, os adultos e os idosos?
Apesar de não figurarem como centro da maioria das discussões sobre autismo, eles crescem!
Assim, nossa série ressaltará a importância de estruturar as muitas vertentes da vida que a pessoa com autismo transpõe ao longo de seu desenvolvimento: AutismoS & Juventude; AutismoS & Vida Adulta; AutismoS & 3a idade. Além disso, visa colocar em evidência a relevância de se pensar a vida adulta ainda na infância.
Portanto, a partir de hoje, faremos dois posts semanais: domingos e quartas-feiras.
Esperamos que os posts de nossos convidados: pessoas com autismo, seus familiares e terapeutas façam diferença na vida de vocês.

Vamos juntos vivenciarmos essas experiências?

Depoimento de Marcelo Rodrigues

Em 2008, dois anos após o diagnóstico de Peu, eu e Cau (a mamãe dele) fomos a um congresso para pais de autistas e nos surpreendemos com a abordagem positiva e humanista para o autismo que os organizadores nos apresentavam. Até então só tínhamos nos deparado com terapias de poucos resultados e com pouca perspectiva de evolução para Pedro.
Foram 3 dias com muitos conteúdos e trocas de experiências entre os pais. Dentre todos os ensinamentos, teve um que ficou bastante marcado para mim, uma frase que ouvimos logo no primeiro dia do encontro. Ela dizia: “O primeiro passo para a melhora da criança é amá-la e aceitá-la.” Pensei comigo mesmo, “amar é fácil, eu amo muito o meu filho!” (qual pai que não ama?) e aceitação eu pensei, “é pelo visto vou ter que me conformar com a condição do autismo de Peu.” Como eu estava enganado!
Levaram alguns meses para eu entender o verdadeiro significado daquelas duas simples palavras. Diariamente eu ainda penso nelas e procuro colocá-las em prática com Peu.
Amar é muito mais do que dizer “Eu te amo, meu filho!”, principalmente se for nos momentos em que ele estiver arrumadinho, bonitinho e feliz, ou quando faz alguma coisa que mereça nosso carinho e afeto. Demonstramos o verdadeiro amor quando estamos ao seu lado também nos momentos difíceis, quando precisamos ser pacientes e resilientes, quando ele estiver sem conseguir dormir ou quando acordar no meio da madrugada e não dormir mais, quando ele tiver uma crise, quando ele jogar-se ao chão recusando-se a fazer algo ou até quando trocamos nossos momentos de descanso para poder brincar alegremente com ele.
Nosso amor também é demonstrado quando o levamos para as terapias ou para escola, não como uma obrigação, mas como uma forma de contribuir para o seu desenvolvimento.
Já aceitação, significa abraçar o seu jeito de ser, não ver suas diferenças como fraquezas ou deficiências, mas como uma forma peculiar dele experimentar o mundo, incentivar os seus pontos fortes e interesses. Em vez de tentar impor, exigir e pressionar, ser o seu parceiro para que ele confie em você como um guia.
Por isso, com muita certeza posso dizer, eu amo e aceito meu filho!