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Arquivos por mêsjunho 2020

Inclusão Já ( Naty Souza, autista, influenciadora digital, escritora, ativista)

INCLUSÃO JÁ!
Eu fico indignada em ter que relatar casos como de Bruno Alenquer, autista, universitário, certamente lutou e luta bastante para realizar seus sonhos e alcançar seus objetivos, mas meu coração se parte, ao ver o que ele relata sobre sua vida na faculdade.
“Eu fui chamado de demente na faculdade por uma professora, que era para estar lá para ajudar, ensinar. Isso me destruiu, fora o que alguns alunos também fazem, já pensei muito em abandonar a faculdade.”
Não existe inclusão para Bruno, é assim a realidade de João, Maria, José, e tantos e outros Autistas.
Creio que uma solução para que essa política de inclusão aconteça é, criar um polo de apoio aos Autistas, na verdade que represente todos os deficientes, dentro das escolas e faculdades, assim como existem os grêmios estudantis, que possam existir um representante para defender os deficientes, dentro das escolas e faculdades.
Assim com existe representante dos direitos humanos, que possam haver representantes dos direitos dos deficientes dentro desses núcleos, que são onde mais sofremos descaso, escola, posto saúde, faculdades, que tenham um número que possamos ligar e fazer denúncias, como já existem números específicos, para abuso contra mulher e crianças, possa haver um órgão que cuide apenas de denúncias contra os Autistas.
Precisamos de núcleos que possam fazer a lei sair do papel e se tornar real e eficaz.
Se sofremos preconceito, que possamos recorrer a esse núcleo de apoio, fazer a denúncia e ver de fato as pessoas serem penalizadas, isso iria ajudar a diminuir tantos abusos cometidos pelas pessoas aos Autistas.
Quando as pessoas perceberem, que assim como injúria racial, preconceito racial e gênero, quem faz preconceito com o AUTISTA também é punido e existe um representante para receber a denúncia, investigar e responsabilizar os agressores pelos seus atos, teremos de fato uma política real para nós, os Autistas.
Quanto isso, tudo ainda é, apenas, utopia.
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O adulto autista, por uma autista

Olá, eu sou a Juliana, tenho 32 anos e sou Asperger.
Sempre quando se fala ou se procura informações sobre autismo, quase todos os dados são sobre crianças.
É como se autistas não crescessem!
Para nós que recebemos o diagnóstico tardiamente há uma carência de informações.
Mas o que posso dizer sobre mim?
Sempre fui uma criança quieta, que não sorria como as outras crianças e que tinha muita dificuldade em fazer amizades.
Na escola era a aluna exemplar da classe, que só tirava boas notas. Passei desapercebida, todos esses anos.
Para quem estava de fora, eu era a filha exemplar, sem reclamações na escola, inteligente e educada.
A versão da história sob meu ponto de vista é um pouco diferente.
Eu era a criança sozinha, que tentava se misturar com outros coleguinhas após “estudá-los” por um tempo para saber como ser do grupo.
Era a menina que sofria bullying todos os dias, que não sabia se defender e nunca se defendeu, que mesmo quando estava com outras pessoas não se sentia parte, se sentia diferente.
A Juliana cresceu e foi trabalhar.
Tinha que falar no telefone e eu odiava, mas minha rigidez de pensamento dizia que eu tinha que trabalhar e tinha que aprender a lidar com essas dificuldades.
Fiz faculdade e conclui emocionante desgastada.
Trabalhei por anos em outros lugares, com a mesmas dificuldades, porém trazendo todas essas tempestades apenas dentro de mim.
Aprendi a me camuflar muito cedo, mas os estragos que isso traz cobrou o seu preço.
Após muitos anos, após mais um meltdown (hoje eu sei) li uma matéria sobre a síndrome de Asperger em mulheres e foi como se lesse o roteiro da minha vida. Percebi que toda essa minha dificuldade em vários aspectos, poderia ser por isso.
Busquei ajuda profissional, falei das minhas desconfianças e o diagnóstico veio.
Foi um alívio enorme!
Pude entender toda a minha vida, as  minhas dificuldades e também pude me perdoar em muitas coisas.
Estou em meu processo de autoconhecimento e aprendendo a respeitar os meus limites!
Mas nessa caminhada percebi que, assim como eu, centenas de mulheres passam a vida sem saber ou com o diagnóstico tardio.
Há muitas diferenças entre homens e mulheres Asperger e isso deveria ser melhor estudado e mais divulgado.
Precisamos falar sobre o autismo em mulheres, em adultos e cuidar dessa gigantesca parcela da população que cresceu sem um diagnóstico e que sem dúvida, nessa caminhada ainda “ganhou” outras comorbidades.
Juliana Monique Santos
Bióloga, designer e ilustradora

Orgulho Autista

Não é uma luta tão simples. Entre comorbidades, exclusão, preconceito, bullying, a falta de conhecimento, conscientização e tratamento existe uma linha com infinitos pontos que tentamos lidar diariamente.
Não é o romantismo do anjo azul, da pureza, da singeleza e ingenuidade. É o mundo bombardeado de todos os lados.
Não é o mundo da facilidade, do acolhimento, da compreensão e humanismo. É um mundo cheio de competitividade, do conflito, do industrializar o autismo, do ganhar status com a luta, do ganhar visibilidade com a palavra AUTISMO, ESPECTRO, TEA, NEURODIVERSIDADE.
Mas mesmo em um mundo onde tudo parece ir contra, tudo parece conflitante e as vezes desgastante demais. É o único mundo que eu conheço, Meu mundo Autista.
Onde eu me quebro e me conserto, onde eu choro e aprendo sorrir, onde me descubro e me reinvento.
Se eu não fosse autista, parte de mim não existiria, parte do que sou e quem sou não teria a mesma essência. Autismo não me define por inteiro, mas modela parte, quase que total, de quem sou.
Não é me orgulhar das minhas dificuldades e limitações, é me orgulhar da minha força, da minha capacidade de seguir mesmo fraguimentado pelo preconceito.
Orgulhar-me da minha vontade de vencer em um mundo que me sufoca. Orgulhar-me da minha diferença que me torna única, é poder dizer: Eu existo! Eu sou NORMAL! Sou DIVERSIDADE!
Naty Souza

 

Eu criei um mundo quando eu não tinha amigos – Depoimento 11-Naty Souza

Eu criei um mundo quando eu não tinha amigos
Embora muitos autistas tenham dificuldade de imaginar e brincar de faz de conta, por outro lado existem muitos outros que vivem no mundo imaginário.
No meu mundo eu criei cidades, amigos, cenários, vida. Era quase impossível viver no mundo real, eu vivia quase o dia inteiro viajando pela minha imaginação. Falava e brincava sozinha, falo sozinha até hoje, na verdade rio sozinha até hoje, me divirto sozinha também.
O lado positivo e negativo de se ter um mundo imaginário é como equilibrar isso.
O lado positivo é que evoluímos muito mais interagindo com nosso mundo do que com pessoas reais. Eu tinha um amigo imaginário que gostava de debater temas de livros que líamos, na minha família e roda de amigos ninguém lia e nem suportava me ouvir falando de livros.
O lado negativo é que nosso mundo passa ser tão interessante que nos isolamos ainda mais, no meu caso eu queria fugir das pessoas, passeios, encontros em família para ir viver meu mundo e meus amigos imaginários.
O ponto de equilíbrio, só consegui isso na vida adulta, interagir com as pessoas do mundo real entendendo que fazemos parte desse mundo que muitas vezes é obsoleto e mesmo que muitas coisas sejam desinteressantes, faz parte de nós estarmos no mundo.
E me permitir ir no meu mundo imaginário, pois é parte de mim, criar, viver aventuras, construir sonhos, ter interações que nos levam a outro nível de evolução humana.
Só para constar o mundo imaginário do autista não é fuga de realidade, não é esquizofrenia, não é para ser negado.
Falamos sozinhos, brincamos sozinhos, nos divertimos sozinhos com nosso imaginário, isso é parte de nós e parte do nosso funcionamento.
Muitas vezes falamos sozinhos para gravar algumas coisas, para reviver algum diálogo que não terminamos, para treinar para próximas interações e conversas, porque desde criança criamos esse hábito pelo fato de não conseguir interação e brincar com outras crianças.
Naty Souza
Autista, influenciadora digital, escritora e ativista
P.S. Falo sozinha até hoje. Tem dias que falo mais, principalmente, os dias que estou em conflitos e ansiosa.

Minuto de Inclusão

Estávamos preparadas para um ano diferente e desafiador, só não imaginávamos que seria tanto!

Nossos planos foram alterados como os de muitos de vocês. Estávamos preparadas para concretizar nosso 3º Seminário em abril e para darmos continuidade em nossas formações presenciais já no Módulo III.

No entanto, nosso seminário anual precisou ser transferido para outubro, e nossas agendas foram alteradas como um todo.

A partir de hoje, faremos dois posts semanais, domingos e quartas-feiras. Serão vídeos curtos de nossos formadores, colaboradores e depoentes, com assuntos abordados em nossas formações.

Chamaremos esses posts de Minuto de Inclusão, e a necessidade de sua criação surgiu como resposta a inúmeros desafios que 2020 tem nos trazido. Um deles é fazer com que informações importantes ajudem a dar leveza às situações que temos vivenciado da forma mais objetiva possível, atuando como agentes efetivos de mudanças atitudinais.

Afinal, o caminho mais curto para a inclusão é a informação! Ok

Grupo autismoS

Escola Ideal para alunos com autismo leve (S.A.) 

Escola Ideal para alunos com autismo leve (S.A.)
Devido as características da pessoa portadora do autismo leve, principalmente da Síndrome de Asperger, o ideal seria termos instituições de ensino que pudessem atender as necessidades plenas desses alunos.
Com o foco em satisfazer plenamente estas particularidades, é importante que todo um conjunto de fatores estejam em funcionamento pleno e eficaz.
A instituição deve apresentar ações contínuas e sucessivas, com a finalidade de assegurar um maior preparo ao portador da Síndrome de Asperger, preparando-o para ser um ser sociável e independente em sua vida.
Dentre estas ações, podemos listar:
– Monitorar;
– Avaliar resultados;
– Rever estratégias;
– Progressos;
– Redefinir condutas;
– Implementar novos recursos e assim sucessivamente.
A instituição de ensino tem como meta as seguintes etapas de avaliação aos seus alunos:
– Sintomas autísticos;
– Habilidades cognitivas e seu desenvolvimento;
– Linguagem;
– Comunicação social;
– Habilidades de autossuficiência pessoal e social;
– Nível intelectual.
Estas etapas são concluídas da seguinte forma:
– Descrição das características de aprendizagem;
– Perfil e ritmo do progresso do estudante;
– Avaliações de resoluções específicas dos problemas de aprendizagem de determinados comportamentos.
Devemos avaliar o contexto escolar, onde deve apresentar:
– Métodos de instrução;
– Qualidade de interações professor-aluno;
– Oportunidades de participação;
– Ritmo de aula;
– Análise das respostas minuciosamente;
– Correção de erros;
– Duração de engajamento do aluno;
– Efetividade da condução dos comportamentos inadequados;
– Evolução dos comportamentos pós sociais;
– Uso de escalas de avaliação na qualidade na sala de aula, temos que ter alguns cuidados a fim de proporcionar um ambiente favorável ao aluno autista, sempre respeitando suas particularidades;
– Suporte visual: imagens claras e diretas de rotinas;
– Modificações de ambiente: prevenir comportamentos antissociais e estimular atividades de compartilhamento;
– Sistemas de reforçamento: recompensas e benefícios;
– Suporte de comunicação: figuras, materiais, cartas, sons do meio ambiente e pinturas categóricas;
– Sessões de múltiplas abordagens: salas especiais, materiais multi sensoriais, etc.
Como toda entidade que se determina a obter êxito num foco, todas partes devem ter o máximo de rendimento, e, para que isso ocorra com precisão, uma escola para Asperges possui uma equipe de avaliação e de apoio. Sendo estas:
– Psicólogo escolar: avaliação cognitiva, comportamental e aspectos da saúde mental;
– Pedagogo especial: condução de testes formais e informais acadêmicos e monitorização da adaptação curricular;
– Fonoaudiólogo: desenvolvimento de intervenções na linguagem em geral, pragmática e aplicada à necessidade social;
– Terapeuta ocupacional/ educador físico: aplicação sensorial, motora e adaptativa a atividades de lazer e recreação.
Professor Prates, Marcos Baptista