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Arquivos por mêsabril 2020

Gratidão AZUL

O azul te solta, te acalma, te ajuda a respirar
O azul refresca, dá asas, mata a sede e ajuda a sonhar
Azul é além do que se vê
Azul mescla o céu com o mar
Azul não tem fim
Tem cor que é mais que cor
Tem palavra que é mais que palavra
Tem tanta coisa que é azul e nem nos damos conta

Como explicar gratidão? Só mesmo dizendo que é azul.

Por Juliane Santa Maria
Presidenta do Grupo

Educação

Em defesa da fogueira das caixas na Educação! 1

Escrevo, pois não caibo mais em mim. (…)
Acima de tudo escrevo porque decidi compartilhá-las e seguir esse caminho de busca. Minhas memórias mostrarão quem fui e junto com momentos atuais contarão quem sou… 2

As ideias vêm matutando aos poucos. Vygotsky há tempos me ensinou: a linguagem organiza o pensamento! Decidi, então tentar colocar as ideias soltas e desamarradas no papel e, assim, costurá-las, bordá-las. Colocá-las em caixas? Justo o contrário! Venho matutando uma fogueira de caixas!
A escola é feita de caixas – tempos organizados em planilhas e tabelas; espaços divididos por grupos e horários; conteúdos especificados por grades curriculares; crianças vistas em suas etapas de desenvolvimento… cada coisa no seu quadrado, cada um na sua caixa.

Claro que as caixas não são necessariamente herméticas e incomunicáveis – há muitas vezes respiros e porosidades. Mas o “sistema” se pensa como uma caixa, um tipo de “organizador”, cheio de divisórias, etiquetas e hierarquias – desde Ministério ditando parâmetros, Secretarias dizendo o que deve ser feito, passando por Projetos Político Pedagógicos esmiuçando como deve ser feito, até Sindicatos patronais e de empregados movendo peças nesse intrincado tabuleiro, ditando as normas, regras e leis que regem essas tantas e tantas e tantas divisórias devidamente etiquetadas, classificadas e ordenadas.

A Arte, em suas diversas expressões, é um dos mais potentes dutos de ventilação das escolas – e por isso sua convivência no espaço escolar é, desde sempre, tão complexa. A escola nasce normalizadora; e a Arte é essencialmente transgressora. A tensão fica assim (ex)posta desde o início. Mas os tempos atuais, entretanto, expuseram ouuuttttrrrras fraturas, outros rasgos e rusgas que há tempos ficavam meio esfumaçados e, agora, bem nítidos.

O que é a escola senão o coletivo de personagens que a habita? A energia vital da escola está fora do prédio, longe dos materiais, independente dos conteúdos e métodos – a vida da escola está fora de seus conjuntos de conhecimentos e de suas verdades. Está além muros, no mundo, nas pessoas, na natureza, na Cultura, na Arte, na impermanência da vida.

Mais do que nunca, essa perspectiva da fragilidade da vida escolar se consolidou de forma transparente. As escolas e creches estão vazias, coisa morta, habitadas por ecos e memórias, por materiais inertes e silenciosos. E é da minha escuta e do meu olhar (que se nutrem, sintonizam e sincronizam com muitos outros olhares e escutas) para esse vácuo, para esses fantasmas e sombras, que brotam essas reflexões desalinhadas, em busca de novos pontos e arremates.

(…) O mapa. O registro. A história.
Que desmancha, mancha, borra.
Sem memória, sem registro, me perco.
Quem sou? 5

Escolas e creches em tempos de pandemia

A incerteza paira no ar diante do desconhecido. Quanto tempo permaneceremos sem levar as crianças para as instituições educativas? Ninguém sabe ao certo. O que imediatamente pensamos em fazer? Tal qual o ditado que diz “Se Maomé não vai à montanha, montanha vai à Maomé”, muitas escolas e creches começaram o trabalho de tentar replicar a escola fora de seus perímetros e dentro das moradias das meninas e meninos que costumavam povoar seus pátios, parques, quadras, salas e laboratórios.

Como numa espécie de mimetismo, o sistema educativo busca se “teletransportar” e adentra os lares por meio de tablets, laptops e computadores de todo tipo. A crença parece ser uníssona e reverbera como palavras de ordem: a escola não pode parar! Há conteúdos a cumprir! As crianças precisam aprender e não podem perder tempo! Sem a escola, as crianças se desinteressarão por aprender! Rotina é necessária! Pelo lado dos familiares (leia-se: os clientes), há pressão pela “prestação de serviço” contratada (mesmo que seja uma escola pública)… enfim! São inúmeras questões que desaguam numa mesma direção: produtividade, eficiência, resultado, eficácia… tempo!

Volto ao padrão, piloto automático. Gosto,
exagero e desgosto. Me esgoto. Crio um
ciclo não sustentável. (Des)humanizo. Visto
uma armadura. Deixo de sentir, me perco,
viro máquina…

Tic, tac. Corre, corre. Produz, produz.
Trabalha, trabalha.

(Visto camisa)

Meta, meta. Foco, foco. Rápido, rápido.
Café, café.

(Prendo xixi)

Atenção, atenção. Data, data. Equipe,
equipe. Mais café, café.

(Me esgoto)

Reunião, reunião. Solução, solução.
Atenção, atenção.

(Cadê eu?)

POP, POP. Planilha, planilha. Formulário,
formulário.

(Me perco)

Resultado, resultado. Limite, limite.
Números, números.

Viro máquina. 15

 

Seria mesmo possível (e desejável?) a escola, tal como é concebida hoje, tal como funciona, se deslocar para dentro das casas e tentar ali se consubstanciar?

O termo “homeschooling” é usado para designar uma forma de estudos alternativa à escola, que se desenvolve em casa, mediada por alguém da família, ou que more com a criança. Ele é fruto de um debate sobre a instituição escola e seu papel, e é resultante de uma opção da família. Certamente, não é nisso que as escolas poderiam se espelhar nesse momento, pois a situação é bem outra.

Há escolas e creches que estão buscando a solução pela chamada “Educação à Distância (EAD)”. E assim, de repente, professoras e professores saem gravando aulas em casa, e enviando muitas tarefas, até com rigidez de prazo e cobranças, e algumas até mesmo preconizando o uso do uniforme escolar para reestabelecer a rotina – mas, afinal, de que rotina estamos falando? Não seria o uniforme um símbolo identitário de pertencimento e elemento de padronização em busca de diluir diferenças socioeconômicas no espaço escolar? O que nos faz crer que ele seja indício privilegiado de uma rotina? Seria o uso do uniforme uma espécie de interruptor que “apaga a luz” e transforma crianças em a-lunas e a-lunos?

(…) A mente entra com os dois pés na porta, sem bater. Impondo um pensar, um pesar.

Quando isso acontece minha fisiologia
muda. Meus movimentos já não fluem com
a música. (…) 8

É apenas a presença ou ausência de alunxs que consolida a diferença entre a educação formal (da escola), e a educação informal (no contexto familiar e social)? Se pensarmos nos anos iniciais do Ensino Fundamental, de quem é a tarefa do “ensino formal”? E se considerarmos as instituições de educação infantil, qual é seu papel primordial? Poderia mesmo ele ser transposto para as casas das crianças? Ou estamos diante de um ponto de bifurcação?

(…) A criatividade é uma propriedade
inerente a todos os sistemas vivos. Todos os
sistemas vivos são criativos, porque eles têm
a capacidade de alcançar e criar a partir do
velho, algo novo. Mas é a falta de equilíbrio,
a desordem, que nos possibilitam chegar em
pontos de bifurcação e mudar. (…) 17

A tarefa “pedagógica” ou “escolar” não é da família; e as professoras e os professores não têm conhecimento nem tecnologia para, do dia para a noite, criarem toda uma metodologia diferenciada por meio de ambientes de aprendizagem virtuais. A maioria delas e deles ainda não é da geração de nativas e nativos digitais; e também não se pode desconsiderar que o Brasil é muito vasto e desigual, e nem todxs têm bons acessos, ou repertório suficiente para propor desafios que vislumbrem algum mistério e incitem a curiosidade. Muitas vezes, a experiência de EAD atual acaba por se alicerçar em uma concepção superada (será?) de ensino-aprendizagem, com propostas: que muitas vezes mais se assemelham a um amontoado de atividades, desconectadas entre si, e que subestimam a autonomia intelectual das crianças; que possibilitam apenas respostas únicas que não acolhem o pensamento divergente, tampouco a criatividade e a autoria; com foco exclusivo nos resultados e não nos processos; e tendo a pressa e a rapidez como pontos privilegiados sobre a reflexão e a construção de hipóteses… entre outros problemas.

Tampouco as crianças dos anos iniciais têm instrumentos ou disciplina para EAD – imaginem as da Educação Infantil! E menos ainda os familiares têm condições apropriadas (ou conhecimentos específicos) para criar essa pretensa “rotina escolar” em casa, tendo que acumular todo o cuidado com as crianças, o trabalho do funcionamento da casa, e o trabalho profissional agora majoritariamente instalado em home office…

Isso não é tentar adaptar o inadaptável? Estariam as instituições educativas, nesse momento, sofrendo de paralisação diante da perda de suas identidades, e por isso, forçando uma situação que as distancia cada vez mais da realidade?

Desconstruo-me. Não pertenço. Não
identifico. Não reconheço. Não vejo.
Não sinto.

(…) As peças não se encaixam mais.

E agora? Perdi alguma coisa?

(…) O que está sendo montado? Perdi minha
ID. Como saberás quem sou? Como me
reconhecerá? Como me encontrará?

Procuro instruções do quebra-cabeça.
Assisto tutoriais, mas não reconheço como
própria a montagem alheia. O manual não é
meu. Como (des)escrever algo que nunca
montei?(…) 7

 

Qual é a realidade de grande parte das pessoas hoje? Crianças confinadas em casas tensas, com rendas familiares diminuídas, onde o medo do desconhecido reina, e com o risco de a indefinição do amanhã levar à angústia, depressão, violência… portanto, nesse momento tão delicado, me parece só trazer maior dose de tensão nas relações vislumbrar que o que escolas e instituições de educação infantil devem fazer seja transferir para mães e pais as tarefas escolares… não estaríamos, assim, também criando mais um novo fake: um vai fingir que ensina; e o outro vai fingir que aprende… é isso que quer a Educação?

(…) Queria remontar alguns quebra-cabeças,
usar novos encaixes.

Mas nesse resgate, nessa coleta (ou seria,
colheita?), me deparei com um problema: o
que queria montar? Qual exatamente o
sonho que queria sonhar?

Indo além, percebi que não tinha respostas
às muitas perguntas, tinha que me
satisfazer por ser, apenas, capaz de
formulá-las.

Mas nessa pesquisa interna, em meio aos
vendavais, percebi um ponto crucial: até
onde me autorizaria a ir? Ou, pior: por qu
não me autorizaria realmente a mudar? (…)

Era o medo da mudança, o medo de
conseguir? De chamar atenção?

De ser jugada? De não ser aceita? Seria o
medo de ser responsável, de fato, pelo
resultado, seja qual for?

Seria o medo de perder a bengala
imaginária que diz simplesmente: não dá?!

Afinal, se é externo, me isento da culpa de
dar certo (e errado)?! (…) 14

Educação em diferentes tempos: antes, durante e depois da pandemia…

O que esperamos da Educação? Não deveria a Educação ser a mola propulsora de mudanças no mundo? A força de transformação? O impulso pelo novo? O desafio constante ao estabelecido? O fomento permanente à curiosidade e aos diferentes olhares? Um campo que acolhe as diferenças e as coloca em diálogo? Uma área em permanente ebulição, ciente da impermanência da vida e de suas verdades? Uma área de ação política (nunca reduzida à partidária), porque sempre em prol de um modelo de sociedade?

(…) Aquela que não tem medo de criar
novos caminhos, de recomeçar.

Aquela que tem coragem de ser feliz, de
brilhar, chamar atenção, dançar e
gargalhar. (…)

É aquela cujo movimento é tão verdadeiro e
profundo que é capaz de sentir em todos os
poros a volúpia dos estados impermanentes
da vida (…) 9

Mais do que nunca, entendo que na Educação não há espaço ou tempo para a dualidade “eles e nós”: somos todas e todos sujeitos do mesmo barco, navegando em direção à Ilha Desconhecida, de Saramago. Todas e todos aprendendo na carne a vaticinação de Fernando Pessoa: navegar é preciso, viver não é preciso! Quem somos nós, educadoras e educadores, sujeitos pensantes e atuantes nessa/dessa Educação?

(…) Existem momentos em que
simplesmente você entra num ponto de
bifurcação, num ponto de mudança, que
como num passe de mágica lhe
transformam. E foi um momento importante
que me despertou para novas perguntas e,
portanto, novas possibilidades. Foi o
pontapé inicial para encontrar minha
autenticidade, para reencontrar-me. Na
época, me perguntei: quem sou? Quem sou
em essência? Escrevi: ‘Sou múltipla, sou
dinâmica, sou conexão, sou movimento, sou
dança, sou sangue, sou ar, sou intensa, sou
leve, sou um pouco de você, das árvores e
das estrelas; sou árida, sou fértil, sou a
imensidão do mar’ (…) 10

É nessa imprecisão do viver – ainda mais acirrada nos dias de hoje – que mora a grande oportunidade de fazer a fogueira das caixas! Por que tentar reproduzir o “velho normal”? Rompamos barreiras e construamos, todas e todos, um “novo normal”! Não seria essa uma oportunidade ímpar de exercitarmos o “olhar estrangeiro” e nos aproximarmos com outros óculos, por outros ângulos, e sob nova ótica para a Educação de maneira geral, e para as escolas e instituições de educação infantil de forma particular? Por que isso se mostra tão difícil para nós? Medo de abrir mão do estabelecido, mesmo quando sabemos que o estabelecido não se sustenta mais em pé?

O que há nessa mala pesada?

– Apenas minha identidade.

Por que tantas coisas?

– Medo de não me encontrar, de não
encontrar o que me infinita, trago meu
pequeno infinito (…).3

“Períodos sabáticos” são espaços de tempo comumente destinados a execução de um projeto – uma quebra com o transcurso da vida e a busca de novos caminhos, outras paragens. Assim sendo, que tal assumir que estamos num “período sabático” com as crianças em casa, justamente gestando uma nova escola? Gestando uma nova relação família-escola? Gestando uma nova perspectiva do que seja a Educação a partir da reflexão crítica sobre que sociedade podemos ajudar a formar? Imaginem a fogueira das caixas!

Deixe que as ideias escapem. Há tempos
elas tentam. Fazem motim, protestam, mas
você as mantêm num padrão.

Liberte as ideias. Deixe-as mudarem. Deixe
as mutarem. Metamorfosearem você.

(…) Não reaja, não emita resposta, não
tenha pressa. Nem tudo precisa ser
imediato.

…(suspiro)

Calma, aprenda a relaxar, esvaziar a mente
(…) 6

 

Sob esse prisma, o que podemos fazer já?

 

(…) Aceitar minha pequenez talvez
signifique desistir de que eu possa ser o
motivo da mudança do outro.

(…) Aceitar minha pequenez talvez
signifique perceber que não posso prender
ninguém.

(…) Lidar com a minha pequenez talvez seja
necessário para alcançar a tal grandeza que
dizem que carrego e nunca enxerguei. 4

Que tal, como educadoras e educadores, nos unirmos às mães e pais em seu cotidiano educativo familiar e buscarmos ajudá-lxs – não a torná-lxs professoras ou professores, tampouco instigando que desenvolvam grandes habilidades manuais e criem milhões de “brinquedos criativos” (leia-se: iguais aos modelos). Falo de ajudar famílias a terem mais presença e inteireza, mais tranquilidade, mais paciência… mais calma e sabedoria para enfrentar o novo e o desconhecido!

Estava presa, enclausurada há tempos. (…)

O longo tempo virou esse instante. (…)

Sinto a liberdade urgir e um deslumbre
in des cri tí vel.

Sim, sou uma borboleta saindo do casulo.
Sentindo cada lepis da minha asa pela
primeira vez, de uma vez só. O que trará de
novo? A nova realidade que se molda, um
novo mundo que surge. 11

Podemos ajudar às mães e aos pais a perceberem o quanto são importantes para seus filhos e filhas do jeito que são, que certamente estão se esforçando para fazer sua melhor versão de mãe e de pai, e que esse momento junto com as crianças pode ser pleno de afeto e cooperação mútua. Devemos dizer a elas e eles que estamos juntxs, e que as crianças são muito potentes! Que as crianças se sairão bem. Que elas precisam ter a oportunidade de desenvolver mais e mais sua autonomia, e assim poderão assumir mais tarefas em casa e auxiliar no cuidar de si, do outro, da casa, das plantas, dos pets, da comunidade circunvizinha, do planeta.
Podemos ajudar às mães e aos pais a sentirem que também serão capazes de ensinar, por meio de suas próprias ações como exemplo, que podemos ter mais paciência, escuta e olhar atentos, empatia, acolhimento e respeito às diferenças, cooperação, e amor uns pelos outros… e assim, infinitaremos!!

(…) Escrevi os cheiros. Senti os sons. Ouvi o
chão. Falei com as árvores. E entrei.

Senti nitidamente a transição. Minha
entrada em outra dimensão. (…)

Me infinitei… 13

Podemos ajudar às mães e aos pais a oportunizarem às crianças um mais amplo acesso à cultura – múltipla e plural –, criando uma espécie de curadoria, e disponibilizando essa seleção feita por nós para as crianças, em meio a tantas coisas sem qualidade que lhes chegam virtualmente…
Podemos ajudar às mães e aos pais a perceberem encantamento nos detalhes, no miúdo, em como as crianças aprendem com mínimas experiências, que passam desde os cinco sentidos, à simples observações de flores em vasinhos, de suas próprias sombras, ou de nuvens pela janela – como apreciam o muitas vezes não visto por nós…

(…) Demorei a ver que as armaduras são
meu escudo e minha prisão. São como um
gesso colocado em um braço quebrado que,
no início, tem o papel protetor, reparador,
mas que quando mantido em um braço já
saudável o limita. (…) 16

Podemos ajudar às mães e aos pais a não se sentirem sós nessa tarefa de educar, e entenderem que, mesmo distantes fisicamente, estamos juntxs – pois estamos no mesmo barco, lutando por uma sociedade mais justa, inclusiva, igualitária e humana. Podemos dizerlhes o quanto nos importamos com elas e eles, podemos falar/escrever/ouvir sobre assuntos pertinentes, temas que emerjam delxs, que a(o)s aflijam…

Podemos ajudar às mães e aos pais a manter vínculos de afetos entre as crianças do grupo, e delas com a escola. Assim, podemos centralizar o recebimento de vídeos e fotos das crianças do grupo, e socializar. Podemos cantar para as crianças. Podemos contar histórias para elas. Podemos apenas sorrir-lhes. Podemos enviar vídeos de toda a comunidade escolar dando conta de que estamos bem, e com saudades! Mantermos, juntxs, aceso o brilho nos olhos!

(…) Tenho convicção de que busquei o
tempo todo o brilho nos olhos e por essa
busca seguirei uma nova estrada. Levo
comigo muito do que aprendi até aqui. Sou
a curiosidade, a racionalidade, o controle, a
exigência, o estudo, a excelência, o foco, a
criatividade, a conexão, a observação, a
loucura, a dedicação, a sensibilidade, a
interferência, a emoção, o desapego, o
empreendedorismo, a vaidade, as sinapses
(e tantas outras coisas) que todas essas
experiências me trouxeram.

Mas quis outras coisas…

Me aventurei por novos horizontes, outros
paradigmas. Vi o mundo com outras lentes,
me fiz novas perguntas, e hoje quero
responde-las de outras maneiras. Depois de
tantos questionamentos externos, me
permiti me questionar… (…) 12

Quem sabe essas ajudas não sejam melhores do que nos preocuparmos com os “conteúdos escolares”? Quando teremos outra chance de reinventar a escola/instituição de educação infantil e revisitar o porquê de existir a Educação?
Creio que assim teríamos mais chances de chegarmos ao final desse “sabático” mais sábia(o)s e irmanada(o)s. Será?

Por Maria Isabel Leite – abril/2020
Contatos:
relicariosdeideias@gmail.com – instagram: @relicariosdeideias – wpp: 21-98850-7296

NOTAS:
1 – Todos os textos em itálico, inseridos à direita, pertencem ao livro “Mulheres que Soul” (SC: O Livreiro das Rosas, 2019). A autora, Dani Leite, é Doutora em Fisiologia, com Pós-Doutorado em Farmacologia, e há alguns anos atrás trocou esta faceta da cura, por outra, buscando integrar as energias feminina e masculina, ajudando mulheres a se reconectarem consigo mesmas e a se expressarem de forma autêntica na vida pessoal e profissional – contato: leitedani@gmail.com
2 – Quem sou – p.22 e 23
3 – Minha bagagem – p.21
4 – Minha pequenez: reflexões sobre a minha arrogância – p.27 e 28
5 – Inundação – p.38
6 – Conversa mental – p.44 e 45
7 – Desconstrução – p.49 e 50
8 – Transe mental – p.57
9 – Quem é ela? – p. 59
10 – O mundo das possibilidades – p.78
11 – Metamorfose – p.79
12 – Sobre escolhas – p.85 e 86
13 – Trilhas a mim – p.92 e 93
14 – Você se autoriza a ser diva? – p.99 e 100
15 – (Des)humanizo – p.128 e 129
16 – Diva no divã – p.160
17 – À procura do equilíbrio – p.172

Ecolalia

Ecolalia

Na literatura sobre o assunto, o médico Itard (1825) é o responsável por introduzir o termo ecolalia, ou seja, um “eco na fala”. E então desde esse tempo, pesquisadores e clínicos voltaram-se para a busca do entendimento da sua ocorrência. Chama a atenção também a diversidade de quadros clínicos nos quais a ecolalia é sintoma como: afasias, lesões do mesencéfalo e também em quadros como a esquizofrenia e autismo infantil. Diante disso não é surpresa esse campo de estudo ser de diversas áreas. Não há dúvidas sobre a heterogeneidade das repetições e seus significados, mas então porque pensamos muitas vezes que a repetição em alguns momentos pode ser um ponto positivo (aquisição) e em alguns momentos negativos ( patológico). O que faz de uma repetição algo que se qualifique patológico?  Procuram “codificá-la”, classificá-la ao se colocar a tarefa de descrever essa fala e estabelecem “identidades patológicas”.  Acontece que cada pessoas é singular e a diversidade é notável e notada mesmo que as semelhanças possam ser reconhecidas.  O problema é que cada fala é sempre expressão de um singular e deixa sempre um resto inapreensível e resistente a qualquer um que tenha uma observação codificadora. Não há divergências também entre os pesquisadores quanto ao valor da intenção comunicativa ou o significados dessas produções.  Então se há uma variedade indefinível de falas ecolalicas não se pode dizer que uma criança é ecolálica, porque a ecolalia pode não ser o todo de uma fala, mas sim um acontecimento possível e mesmo que reconhecidas como patológicas há sempre singularidades a considerar e são essas diferenças que devemos considerar.

Singulares são as falas dos pacientes que, mesmo apresentando a característica de serem “repetição da fala do outro” apresentavam um sujeito. Devemos considerar a singularidade da criança e sua comunicação para além dos sintomas. Porque até na mesmice há diferenças nas falas como uma entonação atípica, uma fala sincopada que o outro não produziu.

Considerar então as diversidade e singularidades para que uma relação entre criança e terapeuta motivada pelo imprevisível de uma fala. Sem isso, a criança é apagada esua incontornável singularidade-em favor da relação do clínico que já supõe saber antes mesmo de encontrar o paciente.

Fonoaudióloga, Ana Maria Philipps dos Santos

REFERÊNCIAS: OLIVEIRA.T.M.Distúrbios da Comunicação,São Paulo,14(2):351-360,jun2003.

 

Vamos falar de inclusão!

Vamos falar de inclusão!
 
O tempo todo precisamos falar de inclusão, pois caso contrário o público da educação especial corre o risco de ser esquecido. Por isso precisamos fazer inclusão todos os dias e não somente pensar nas datas comemorativas, mas sim a inclusão na sua essência, na prática cotidiana.
Incluir é mais do que lembrar, aceitar, classificar, é ACREDITAR!
Somos uma sociedade excludente, de raça, cor, etnia, gênero e da pessoa com deficiência, todos os espaços que hoje acolhem a diversidade humana, passaram por lutas constantes para garantir um lugar numa sociedade padronizada.
Ser lembrado, demanda muita luta, portanto, datas como essa são espaços de discutir para pensarmos numa sociedade mais inclusiva, seja no âmbito educacional ou social.
Por isso, mês de conscientização é muito mais do que uma data comemorativa, é um momento de repensarmos se nossas ações são inclusivas, se de fato estamos incluindo e avançar sempre, em busca de uma sociedade mais equitativa.
A busca pela equidade de direitos, está pautada na justiça, ou seja consiste nas adaptações em casos específicos, para tornar qualquer situação o mais justo possível.
Para incluir, se faz necessário flexibilizar, adaptar, adequar, para garantir o acesso e permanência em qualquer ambiente com qualidade e igualdade de direitos constitucionais.
Agora, se você acha que incluir é simplesmente aceitar ou estar no mesmo espaço, então é hora de repensar sobre suas concepções e práticas que provavelmente foram baseadas num conceito histórico que ter uma “deficiência” é sinônimo de incapacidade.
Lembre-se, o primeiro passo para qualquer mudança é acreditar, só você pode fazer a transformação para uma sociedade mais inclusiva.
Tatila Cilene L. de Oliveira, Gerente de Educação Especial – CEMEA
Secretaria Municipal de Educação – SEMED

Depoimento Kenia Diehl

Eu sou uma pessoa descontraída, que
adora piadas, gosta de brincar como criança, mas também adora refletir sobre a
vida, conversar sobre os mistérios do mundo e navegar sobre as emoções
humanas…

Amo ler, amo escrever, adoro me exercitar
e tenho paixão por tecnologia. Também sou o tipo de pessoa “grudenta”, que se
apega fácil e dá a vida por aqueles a quem eu amo. Chego a perder a razão e
cometo exageros, como dar presentes, agrados e mensagens de carinho. Não raro
as pessoas se assustam e se afastam, porque elas não têm condições de receber
esse amor sem imaginar que estou com segundas intenções.

Eu acho o mundo e as pessoas muito
estranhas, não sei o que é ter segundas intenções, pois eu só faço o que eu
falo e eu sempre falo o que eu faço. Se estou pensando algo eu verbalizo, e é
exatamente aquilo que eu quis dizer. Se eu amo, quero agradar, fazer feliz,
demonstrar meu amor…

Às vezes me sinto como um cachorrinho
abandonado que fica mendigando atenção, de repente aparece alguém que me dá um
carinho e então eu sigo sendo fiel àquela pessoa e não percebo que ela não me
quer mais por perto. É triste viver assim e cada vez que isso acontece eu prometo
para mim mesma que nunca mais vou me deixar iludir, vou me proteger para não me
ferir. Mas ao primeiro sinal de simpatia por parte das pessoas eu logo me apego
e esqueço tudo o que anteriormente já vivi.

Não gosto de falsidade, sinto de
longe a maldade e me afasto de quem tem no coração a maldade. Não consigo reter
mágoas, não guardo vivas na memória as lembranças ruins e sei que tudo o que é
bom, belo e sincero sempre volta para mim.

Acredito em mundo melhor, adoro
conhecer o que há de mais lindo no coração das pessoas e luto incansavelmente
por inclusão. Ainda não tive oportunidade para falar em um grande canal de
comunicação, mas sei que esse dia irá chegar e então poderei disseminar todo o
amor que trago em minha mente, em minha alma e em meu coração.

Não sou uma menina qualquer, sei que
não sou “normal”, sou autista, sou guerreia, sou esposa, sou mãe e sou
escritora, não duvide do meu potencial, tem muitas coisas que não posso fazer,
mas aquilo que sei fazer ninguém é capaz de fazer melhor.

KenyaDiehl®️
Autismo é vida – me ame como sou
AutismoMake
Faça com amor, faça como um autista!

Disgrafia

Disgrafia

Ei, essa letra que você diz ser feia pode ser sinal de disgrafia.
Essa é uma questão psicomotora onde a criança manifesta dificuldades específicas na reprodução dos sinais alfabéticos e numéricos, podendo ser na fluência, na junção e ordem de palavras ou até na força para escrever.
Não tem relação com as regras ortográficas.
Não confunda letra com caligrafia, aliás, treinar em cadernos de caligrafia só é um método chato para tentar melhorar a letra, quando na verdade a criança pode ter uma questão motora especifica e precisar de apoio para adquirir a habilidade.
CALIGRAFIA: arte de apresentar a letra escrita.
LETRA: sinais gráficos.
Se você perceber que seu filho ou aluno faz maior esforço para manter uma letra legível e não consegue nem seguir a linha do caderno, procure um psicomotricista para avaliar e treinar as habilidades.
É importante destacar também que a letra é um traço da personalidade e portanto não existe um padrão.

Renata Batista
Psicopedagoga

Dia Nacional da Luta

Das muitas vivências, muitos saberes …

Saberes profissionais, afetivos e experenciais.
Dos muitos saberes, muitas visões de mundos…
Visões feitas de realidades para quem as vê e para quem as internaliza.
Das muitas visões, muitas ações…
Ações informativas, construtivas e inclusivas.
Das muitas ações, muitas reflexões…
Reflexões de acreditar que educação engloba tudo com abundância e que a palavra inclusiva é pura redundância.

Mas temos que entrar em concordância; ela ainda precisa ser nominada para ressaltar sua importância: viva a Educação Inclusiva

 

Grupo autismoS

Hoje comprei uma camiseta pro Victor e me dei conta de que ele usa…

Hoje comprei uma camiseta pro  Victor e me dei conta de que ele usa o mesmo tamanho de 12 anos atrás.
Passamos por várias fases no que diz respeito a alimentação dele mas na época não sabia sobre  Transtorno Sensorial e que acomete a maioria esmagadora das pessoas com autismo. Era feeling, tentativa e erro, às vezes muito erro.
A primeira fase preocupante relacionada a alimentação foi a seletividade, por volta dos dois anos. Ele só queria comer pão de queijo e batata. Só isso! É de enlouquecer qualquer mãe.
A nutricionista que nos orientou, pediu que déssemos batata frita pra ele:
– Juliane, você frita a batata e a cada dia deixa ela um pouco mais crocante, até ficar bem torradinha. Quando chegar nesse ponto, tentamos introduzir outros alimentos.
Ela teve a sacada de que o que podia incomodar o Victor era a textura. Fomos trabalhando cores e tal, não chegamos a perfeição, mas conseguimos melhorar muito a variedade.
Depois veio a fase mais complicada até hoje, a compulsão alimentar (também ligada ao TS). Foi uma fase  ainda mais exaustiva e demorada.
Ele comia TUDO, quantidades absurdas de comida.
” Ah! É só não dar, né? Simples!”
Ele quebrou portas (no plural) , vasculhou casas, armários e bolsas. Se não tivesse comida, ele tomava água. Melhor? Não exatamente, exageros são venenos, isso inclui a água. Afinal não estou falando de 1 litro ou 2. Acreditem, não era nada simples.
Novamente tive a sorte de ter uma nutricionista que conseguiu olhar de verdade pra situação. Ao invés de trocar todos os alimentos, focou nas porções, e até hoje ele só repete em ocasiões muito especiais.
Pensando nas situações que passamos, hoje com a perspectiva do TS,  agradeço por ter feito aos poucos, por ter tido paciência e respeito. Mas vamos lá, somos (nós mães) programadas pra alimentar nossos filhos, e é muito difícil negar comida pra uma criança de 5, 6 anos, ainda mais arroz, feijão e carne. Mas tinha que ser feito, era minha responsabilidade e ainda é.
Entrando em uma nova fase de revisão e reeducação alimentar, foi bom lembrar disso pra dar perspectiva.
Juliane Santa Maria
Mãe de Victor Hugo, autista não verbal 18 anos .
Foto: @vieler.photography

Deficiência, Diferença e Inclusão ( Fátima de Kwant, parceira e colaboradora do grupo)

DEFICIÊNCIA, DIFERENÇA E INCLUSÃO – um ato de justiça e igualdade

 

Imaginem um mundo onde todos tivessem uma diferença; algumas delas visíveis, outras não. Imaginem que este mundo seja o nosso, somente não nos tenhamos dado conta. Ou pior, damo-nos conta das diferenças óbvias e não daquelas que todos nós, seres humanos possuímos.

Somos todos diferentes e, de algum modo, deficientes.

Deficientes sensoriais, físicos, mentais, emocionais, sociais e até espirituais – o único tipo ruim de todas as deficiências.

A deficiência caracteriza-se conforme o conceito de perfeição que pessoas não deficientes insistem em manter. Quando se fala em deficiência, pensa-se em limitações, raramente em habilidades.

Esse pensamento errôneo foi, infelizmente, adotado pela sociedade, tornando o portador de tal limitação um pária. Como se não bastasse a falsa percepção do que uma deficiência compreende, a pessoa com deficiência pode sofrer dessa imagem que o mundo a seu redor mantém sobre ele.

Afinal, uma pessoa deficiente aprende, desde a mais tenra idade, que não é perfeita, não é normal, portanto não tem valor.

Precisamos mudar este jeito de pensar. Precisamos não somente aumentar a autoestima das crianças diferentes, como ensiná-las (e ao mundo) que elas têm muito a contribuirem.

Crianças, adolescentes e adultos com o que é considerado deficiência, seja esta física ou mental, são cidadãos aptos a colaborarem muito com a comunidade onde vivem, estudam ou trabalham. Não é possível que uma única limitação possa superar um número incontável de várias habilidades! Pois é o que todo cidadão deficiente geralmente possui: um leque de (outras) possibilidades.

 

Todos os deficientes (e suas respectivas famílias) sabem que poderiam contribuirem com a sociedade. Devemos então perguntar o que esta (a sociedade) pode fazer para promover tal contribuição.

Neste sentido é preciso que abandonemos a maneira tradicional de pensarmos, e reciclemos nossa concepção do que é justiça e igualdade – dois dos pilares de uma país desenvolvido.

Justiça significa respeito à igualdade de todos os cidadãos. 

Igualdade é um princípio segundo o qual todos os cidadãos têm capacidade para os mesmos direitos. Dois conceitos muito utilizados – principalmente na política – mas pouquíssimo executados, em geral.

É justo que um cidadão, em pleno domínio de sua capacidade mental, seja preterido por ser cadeirante, por exemplo? Não somente é injusto quanto vai de encontro ao que entendemos por um sistema igualitário.

 

Uma nação desenvolvida é uma nação que protege todos seus cidadãos, sem distinção. Tenha este um handicap ou não, e independente de sua raça, religião e natureza sexual, todo cidadão deve receber o mesmo cuidado e merecer o respeito do seu governo, do município onde reside, da empresa onde trabalha, da escola em que estuda e da comunidade que frequenta. Porque todo cidadão tem algo a oferecer. A sociedade brasileira ainda carece de meios para criar um ambiente que favoreça os deficientes, mas isso tem solução e não é utopia.

 

O planejamento da sociedade a fim de propiciar tais condições favoráveis, deve contar com três etapas fundamentais:

1- Conscientização: conhecimento sobre a deficiência, as limitações habilidades individuais de cada uma.

2- Intenção: o desejo de criar ambientes (escolas, empresas, adaptação de estabelecimentos de estudo, trabalho, locais públicos e o preparo de profissionais que viabilizem a participação da pessoa deficiente em ambientes públicos).

3- Realização: criação de leis que protejam os direitos do deficiente e a introdução de uma Secretaria Nacional do Deficiente, cuja tarefa seria a execução (controle) do cumprimento de tais leis, a concretização de projetos que viessem a beneficiar o deficiente, o estímulo às empresas com vistas à contratação de deficientes pelas mesmas, além do incentivo destas na introdução da prestação de serviço desde o lar – uma estrutura de sucesso comprovado já em muitos países europeus.

 

Hipoteticamente, poderíamos irmos mais além e discutirmos a ideia da criação de um partido político que se incumbisse, estritamente, da proteção e vigília dos direitos (humanos) das pessoas com uma forma de deficiência – ou do que é considerado, oficialmente, uma deficiência física ou mental.

Considerando-se que, atualmente, por volta de 45,6 milhões de cidadãos brasileiros possuem uma incapacitação, não é absurdo que esse segmento seja legitimado com o surgimento de um partido que cuide de seus interesses e necessidades.

Antes de considerarmos algo impossível de ser realizado, falemos sobre o assunto, pois tudo que é falado, passa a existir.

Que sejam realizadas pesquisas, com o propósito de entender o que os deficientes (ou seus representantes legais) esperam da sociedade; que estes sejam ouvidos e lidos; que seja respeitada suas vontades, alcançados seus objetivos e acatados seus direitos.

 

A inclusão dos deficientes é algo inédito, e tudo o que é novo pode dar medo. O receio de que não vá dar certo, que o novo empreendimento acarrete em muito trabalho e poucas compensações, faz com que a haja resquícios na contratação de um deficiente no ambiente de trabalho ou na matrícula de uma criança ou adolescente com algum tipo de deficiência numa instituição educacional. Na verdade, são poucas as adaptações diante das inúmeras vantagens que tal processo de inclusão ocasionará.

 

Uma sociedade que inclui o ser humano diferente, é uma sociedade progressiva. Incluir todo e qualquer cidadão, sabendo usar bem seus talentos individuais, exige alguma criatividade, investimento e adaptação, mas atesta a grandeza de um país e de seus governadores; coloca em prática os desígnios humanitários das escrituras de toda e qualquer religião; enriquece o espírito de união, fraternidade e igualdade entre os filhos de uma mesma nação; inspira toda uma comunidade a dar e ser seu melhor.

 

Lutemos pelo que é justo.

A inclusão é um ato de justiça.

Lutemos pela Inclusão.

 

Link consultado: https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/periodicos/94/cd_2010_religiao_deficiencia.pdf

 

*Fatima de Kwant

Mãe de um autista adulto

Jornalista

Especialista em Autismo & Desenvolvimento e Autismo & Comunicação

Ativista Internacional em defesa das pessoas autistas

www.autimates.com

www.facebook.com/AutimatesBrasil

www.youtube.com/AutimatesFatimadekwant

@FatimadeKwant

 

 

É tempo de vestirmos azul…

02
Por Adriana Ferreira

É tempo de sermos vistos e ouvidos, de sermos lembrados e respeitados.
Convivemos com pessoas com autismo e somos seus aprendizes, pois nos ensinam a nos comunicarmos com a mais pura forma: o amor.
É tempo de amarmo-nos!

É tempo de deixarmos de lado todos os olhares tortos, risadas escondidas, atitudes indiferentes e julgamentos preconceituosos.
É tempo de perdoar!

É tempo de soltarmos nossa voz e compartilharmos tudo o que aprendemos com nossas experiências.
Nossas lutas, nossos medos e nossos desafios são diários, mas nossas conquistas, por menores que sejam, são gigantes!
É tempo de comemorá-las!

É tempo de todos vestirmos a mesma camisa e levarmos informações, conhecimentos, vivências e afetividades a todos.
É tempo de vestirmos azul!