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OS (DE)GRAUS DO AUTISMO

OS (DE)GRAUS DO AUTISMO

No momento do diagnóstico os pais desejam saber que grau o filho tem e o que vai acontecer no futuro. Duas coisas difíceis de prever porque o autista cresce e evolui. Quanto mais tratamento adequado para ele, mais chances de “passar de grau”, de subir um degrau.
O grau de autismo se refere à funcionalidade na idade cronológica. Isso quer dizer que vai ser considerado leve, moderado ou severo de acordo com a funcionalidade nas áreas de identificação do autismo: comunicação, socialização e comportamento na idade apropriada (em comparação com o desenvolvimento neurotipico). Com a nova denominação de graus leve, moderado e severo, muitos médicos encontram dificuldades no diagnóstico.
Ainda que ouça que seu filho tem grau leve, não deixe de tratar. Ainda que ouça que o grau não é leve, não perca a esperança de mudar de grau.
É importante saber que a funcionalidade de uma criança determina o grau e não se é “quieta” ou agitada, como muitos médicos definem o autismo infantil quando a criança tem o grau bem limitado de funcionalidade mas mantém um comportamento calmo, sem crises ou agitação.

Com o tratamentos e intervenções corretas para a criança, ela pode evoluir até outro grau mais moderado ou até mais leve. Isso não é regra. Alguns autistas sempre serão considerados severos, da infância a vida adulta. Mas ainda assim podem progredir muito dentro desse quadro.
Cada autista é único.
Suas limitações são únicas e seus talentos também.
Nunca haverá um igual ao outro, nem se desenvolverão iguais aos outros. ◦ Seguir lutando para que sejam o mais independentes, saudáveis e felizes possível, é o melhor que podemos fazer. Terapias, intervenções multidisciplinares, aprendizado adequado e o empenho dos pais podem fazer milagres.

Fatima de Kwant
Jornalista
Especialista em Autismo & Desenvolvimento e Autismo & Comunicação
Ativista Internacional pela Autismo www.autimates.comwww.facebook.com/AutimatesBrasil
@fatimadekwantautismo

ULTRAPASSANDO OS LIMITES DA SÍNDROME DE DOWN

ULTRAPASSANDO OS LIMITES DA SÍNDROME DE DOWN

            A minha vontade de cursar Educação Física nasceu do incentivo que tive na Escola de Educação Básica da URI/ ERECHIM, onde estudei  desde minha infância e que além das aulas regulares a Escola oferece diferentes esportes entre eles o Judô. Comecei a praticar Judô com 10 anos e pratico até hoje  e neste ano busco conquistar a faixa preta. 

E foi por causa da prática do Judô e de ótimos exemplos de Professores de psicomotricidade e de Educação Física que este escolhi cursar a  faculdade de Educação Física. 

Decidido isto, tinha que enfrentar o vestibular e fazer a prova igual a todos os outros candidatos sem deficiência. A Universidade que fiz vestibular não previa nada  de prova diferenciada a única coisa foi que fiz a prova separado dos outros com uma monitora que podia me explicar as questões que eu não entendia. Eu estava tranquilo porque havia treinado muito fazendo provas e redações de vestibulares anteriores. Fui mais ou menos bem no vestibular fique suplente e entrei no II semestre do ano de 2015.

Até aqui foram muitos desafios, mas aprendi com a filosofia do Judô que mais importante do que cair é aprender a levantar. Sempre tive incentivo de minha família para seguir em frente e eu seguia porque eles estavam comigo.

Não sabia direito o que ia enfrentar na faculdade, mas o meu maior medo era não conseguir acompanhar as explicações das aulas  e se meus colegas e  professores iam entender minhas dificuldades e meu jeito de aprender. 

Mas como minha mãe é professora, todo início de semestre ela conversava com os professores e me acompanhava nos estudos e trabalhos e com isto me sentia mais seguro. 

O maior desafio era entender o conteúdo de algumas matérias, por exemplo Anatomia e Fisiologia. Eu estudava muito, estudo repetitivo, tinha que achar um jeito para entender o conteúdo, por exemplo através de paródias. Mas graças a este esforço eu consegui aprovação em todas as matérias.

Nesta caminhada tive professores compreensivos e sensíveis . O apoio da coordenação do curso foi fundamental para os que os professores me entendessem e adaptassem as provas quando necessário.

Meus objetivos não encerram com a formatura.  Pretendo ser professor de psicomotricidade e dar aulas de Judô. E continuarei estudando. Em 2020 cursarei Educação Física Bacharelado.

 

Pedro Henrique Baidek, 22 anos

Graduado em Educação Física- Licenciatura

Atleta de Judô, filiado a Federação Gaúcha de Judô

 

Olhar além do diagnóstico é planejar sabendo que na sala de aula existe…

Olhar além do diagnóstico é planejar sabendo que na sala de aula existe a diversidade.
Nós somos iguais na diferença, portanto, pensar a sua aula para atender as necessidades diversas de seus alunos é o que vai te levar a ter sucesso na inclusão.
É claro que algumas crianças com diagnóstico precisarão de materiais adaptados, de apoio e até de uma avaliação diferenciada, porém, todos os alunos merecem um olhar para sua necessidade.
Pode ser que José seja uma criança mais ativa e necessite de você ao lado dele.
Ou pode ser que Mariana seja uma menina super inteligente, mas que esteja passando por questões de insegurança.
Também, pode ser o caso de João, que tem Asperger e não tem habilidades de se comunicar e expressar com clareza suas dificuldades.
Viu como em sala de aula você pode ter perfis diferentes de necessidades especiais?
Portanto, quando for planejar sua aula, conheça seus alunos e pense nas necessidades individuais deles.
Pense também na maneira como eles serão avaliados.
Todos merecem oportunidades de mostrar seu potencial.
Você está lapidando diamantes.
O que você faz agora deixa marcar por toda a vida de seus alunos.

Renata Batista
Psicopedagoga

Meu filho tem um banco

Meu filho tem um banco.

Meu filho tem 17 anos e faz pouco tempo que ele lancha na escola sem supervisão. 

Foi uma conquista para todos, principalmente para ele. 

Uma conquista pela qual ele zela, deixa claro que não quer ninguém conferindo como está nesse período. 

Ele sai da sala, pega a merenda no refeitório e depois de comer pega seu suco e corre feliz para o seu banco. 

Todos os dias.

Já sabia dessa rotina mas nunca a tinha presenciado. 

Hoje precisei buscá-lo na escola porque teve um mal-estar. Quando cheguei o vi de longe, sentado em seu banco. 

Durante o percurso que caminhei do carro até ele, cerca de 300m, o vi estereotipando, sem cessar. Batia com a palma da mão na coxa, depois com o antebraço na cabeça e assim sucessivamente. 

Confesso que me deu uma pontada de tristeza, pensei: – Olha ele lá isolado…

Quando me aproximei mais, percebi que estava sorrindo, nesse instante a dor foi embora. 

Avistei a professora de apoio, que não quis ficar longe por ele não estar bem, e ela me avisou que seria melhor esperar o sinal, afinal ele preza muito esse momento dele. 

Enquanto esperava percebi, em frente ao banco, encostada em um pilar uma menina de cerca de 8 anos. Me disseram que ela vai lá todos os dias também, faz companhia pra ele. Ela só fica ao lado dele e sorri. De vez em quando dá uma voltinha, volta com mais uma amiga, mas está sempre lá, com ele.

Na saída cruzamos com ela novamente, perguntei porque ela fazia companhia a ele no recreio, ela disse: 

– Ele pisca, ri. Ele é legal, ele é meu amigo.

Foi bem difícil ele ter um banco, levou tempo, precisou de empenho. 

Precisou que oportunizássemos para ele. E por ele ter um banco, ele tem uma amiga.

Ser mãe de uma criança especial é isso, ao mesmo tempo que se zela e cuida temos que oportunizar, dar asas. 

Algo tão simples mas que faz acordar pra todo um mundo de possibilidades. 

Se eu quero que ele vá, tenho que deixa-lo ir.

Que ele vá!

Juliane Santa Maria, depoente voluntária do grupo .

Imagem do escritor e ilustrador Paulo Brabo @saobrabo 

Um texto para a gente refletir a importância das Funções Executivas

Um texto para a gente refletir a importância das Funções Executivas.

Vamos pensar a Dama como o Aprendizado?
Ontem meu amiguinho chegou todo animado porque tinha aprendido a jogar Dama, ele tinha tanto foco para fazer a Dama e ganhar o poder de andar muitas casas para comer as peças que ele só conseguia pensar nisso.
Se a gente pensar pelo lado do aprendizado, podemos dizer que não basta aprender, tem que saber o que fazer com o conhecimento.
A área que precisa ser estimulada para que o seu conhecimento seja usado em todas as possibilidades é a Função Executiva.
As funções executivas permitem que você planeje e execute as atividades diárias usando estratégias e recursos para tal realização.
Nesse sentido, é preciso ir além da leitura e dos conceitos matemáticos.
Nós precisamos ser capazes de planejarmos, fazermos uma estratégia, interpretarmos a situação, pensarmos em novas soluções caso seja necessário.
Sabe aquela pessoa que lê muito e até tira notas boas, mas nas situações do dia a dia não tem jogo de cintura para resolver os pequenos problemas diários e muitos deles se tornam grandes problemas?
Então, em parte as funções executivas têm responsabilidade por isso, e é claro que a educação emocional também é importante.
Ficar focado em ganhar o jogo sem pensar nas estratégias te leva ao erro.
Assim como decorar a matéria não é o mesmo que aprender o conteúdo.
Na psicopedagogia vemos isso quase que diariamente, crianças que aprendem, mas não sabem o que fazerem com o aprendizado.
A psicopedagogia não trabalha somente com a dificuldade, nós também ajudamos o indivíduo a potencializar suas habilidades e conhecimentos utilizando recursos de estimulação que permitem vivenciar situações que trabalhem as funções executivas.
Da próxima vez que você for jogar pense nisso: não basta fazer a Dama, você tem que saber o que fazer com o poder que ela te dá.

Renata Batista
Psicopedagoga