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Arquivos por mêsfevereiro 2020

Naty Souza, autista, influenciadora digital, escritora e ativista ( Eu não queria ter TOD)

Eu não queria ter TOD
Eu não queria ter um transtorno
Não é fácil perder o controle
Não é fácil sentir a fúria explodindo feito vulcão em erupção
Me sinto descontrolado e totalmente julgado
Sou de tudo transtornado, mal educado, desobediente alguém que não sente
Essa é a visão que todos tem mim
Talvez eu me sinta mesmo uma criança ruim.
Dizem que eu coloco a culpa em tudo mas na verdade e que tudo tem influência sobre mim
Alguém que grita comigo, alguém que fala tom de voz ríspido, alguém que impõe ordem com tirania como se eu fosse alguém inferior, claro que vou me opor. Eu não controlo a impulsividade gerada pela superioridade das pessoas.
Grito: Tu não manda em mim!
Grito: Não vou te obedecer!
Tirania não funciona para mim.
Dizem que eu não gosto de obedecer regras como se eu fosse alguém sem valores e padrões morais
Na verdade não sabem nada sobre mim.
Eu sou a favor das regras mas sou contra a forma abusiva que as pessoas tentam colocar sobre mim.
Peça minha colaboração e não me trate como seu pequeno escravo nem como seu fantoche sem opinião.
Tenho minha própria compreensão de mundo.
Dizem que vivo me irritando como se eu fosse alguém que vive com raiva
Na verdade é que tudo me tira paz e me descontrolo
Não coloco a culpa em todo mundo é o mundo que coloca a culpa em mim
A visão das pessoas está distorcida isso elas não avaliam
Eu sofro com o TOD mas poucos vêem assim.
Já pensaram alguma vez na vida que o TOD na verdade é alguém revolucionário
Um pequeno rebelde a regras abusivas e a ditadura dos pais e a herarquia sem permissão?!
Eu obedeço com prazer todos que conquistam minha admiração.
Eu obedeço com alegria todos que conquistam meu respeito.
Tudo que for abusivo, autoritário, ditador, falado com tom de voz ameaçador, ríspido e com olhar fechado eu piro, surto e explode dentro de mim a fúria que nem eu e nem quem está minha volta controla.
Eu não queria ter TOD, ficar explodindo assim, sempre que alguém tenta mandar em mim.
As vezes sinto que ninguém me ama,que tudo sobre mim são críticas e que toda descrição é negativa.
Já tentou crescer assim?
Minha vida foi marcada por rótulos ruins, as pessoas assassinaram minha auto estima tudo porque a culpa é sempre minha.
Alguma vez na vida, além de me rotularem, tentaram ser eu por um minuto?!
Se TOD é difícil para quem está perto de mim imagine como é viver com transtorno e sofrer seus reflexos e ser julgado pela perspectiva de quem só sabe as consequências, que foi ferido, que foi machucado, mas que não sabe o peso que levo e levarei por toda vida.
Ps:.: Me tornei adulta mas os rótulos da infância ainda continuam. Sempre falam de mim, A Naty era terrível, cerca e viva com isso e depois me diga como é destruidor crescer ouvido o pior de si.
Ps.:. Minha primeira poesia sobre TOD
Naty Souza

Notícia 3 seminário no blog Jaime

Blumenau sedia 3ª edição de seminário sobre autismo.

O que se inclui quando se inclui ( Dra Daniela Bridon- professora, psicanalista

O que se inclui quando se inclui?

A inclusão de crianças com deficiências ou transtornos no ensino comum recebeu amparo legal principalmente a partir da Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência, Lei 13.146, de 6 de julho de 2015. Muitos anos antes, a possibilidade de incluir crianças nas escolas regulares já vinha se delineando a partir de outras legislações e decretos federais, estaduais e municipais, alguns específicos, outros mais abrangentes, como a própria Constituição Federal de 1988.

Apesar de todo amparo legal e de todas as iniciativas compulsórias, decorrentes das leis, o que podemos observar em muitas práticas e discursos é um insistente questionamento acerca da efetividade da inclusão de crianças com deficiências ou transtornos no ensino comum. Questões surgem: O quanto se pode ensinar a quem apresenta significativas dificuldades cognitivas e no campo da linguagem? Quais os efeitos dos investimentos de toda ordem ao se tentar incluir uma criança na escola? E uma pergunta velada, mas que também pode ser escutada, apesar de seu tom de perversidade: O quanto que se perde com uma criança inclusa, quando se poderia investir em crianças que de fato aprendem?

                  Propomos uma inversão dessas questões, voltando-as para crianças que não estão no escopo das deficiências ou dos transtornos: O quanto se pode ensinar a quem não apresenta significativas dificuldades cognitivas? Quais os efeitos dos investimentos de toda ordem simplesmente pelo ato de matricular uma criança na escola? O que se ganha nessa tentativa? Quando invertemos as questões, parece que ficamos também à beira de respostas. Talvez por que não haja certezas sobre quais os efeitos da entrada de uma criança na escola. E, por sua vez, também não haja garantias deles.

                  Assim, talvez o que precisamos voltar a questionar e construir discursos e práticas é sobre o que é a educação e o que ela pode transmitir para as crianças, sejam elas como forem. A entrada de uma criança na escola é, por si, um ato de inclusão, porque, como afirma Maria Cristina Kupfer (2000), ela passa a ser considerada um “escolar” acima de qualquer outra representação. Outro significante passa a marcar seu caminho pelo mundo e, só por isso, sua passagem pelo social pode adquirir outro contorno. A partir disso, as demandas que recaem sobre ela – especialmente aquelas cujo único traço identificatório é sua deficiência ou seu transtorno – permitem que se desloque de um único lugar, muitas vezes excluído do discurso social – para um outro, que lhe coloca possibilidades de estar com o outro, falar com o outro, ser escutada pelo outro e ser reconhecida por suas singulares produções como talvez nunca tenha sido – certamente, não do mesmo modo.

O que se inclui quando se inclui, portanto, é uma possibilidade de humanização. Essa é a principal tarefa da educação, muito maior e mais efetiva do que qualquer iniciativa pedagógica de ensinar teorema de Pitágoras ou concordância verbal. O que se inclui quando se inclui é a possibilidade de inventar, junto com outros, diferentes, modos singulares de existir e ser reconhecido no social: cada um do seu jeito. Tarefa que dá trabalho para todos e para cada um, já que cada sujeito a atravessa de modo singular. Ah, e qual o efeito? A vida!

 

Daniela Bridon
Psicanalista
Doutora em Psicologia

3o. Seminário autismoS

Blumenau sedia 3ª edição de seminário sobre autismo

Depoimento Ana Rafaela, irmã Tiago Borba, atleta de judo e síndrome de down

Hoje comemoro todos os aprendizados que tenho ao teu lado.

Comemoro a permissão de seguir de mãos dadas contigo nessa jornada.
Comemoro até mesmo toda essa responsabilidade intrínseca desde pequenininha.
Virei gente grande na marra.
Fui a tua motivação quando andei pela primeira vez.
E tu és a minha motivação diária para ser alguém melhor…
Mesmo que isso implique num exercício não tão fácil de respeito, paciência e aceitação.
Respeito pelas limitações um do outro…
Paciência com as nossas diferenças.
E aceitação acima de tudo.
Obrigada por ser quem tu és.
Obrigada por ser tão parceiro e tão bola de fogo como a mana.
Obrigada por ser tão especial em todos os sentidos.
“Eu te amarei de janeiro a janeiro até o mundo acabar”.

Ana Rafaela, irmã de Tiago Borba, atleta do judô e síndrome de Down.

Volta às aulas …

Volta às aulas…

Pais, escolas e profissionais geralmente se concentram em um “modelo de déficit” de autismo.
Eles ficam muitas vezes tão focados em “tratar” os déficits da criança que não reconhecem os pontos fortes e dons que a criança oferece.
A maioria dos critérios diagnósticos para o autismo se refere a uma lista de déficits ou sintomas, todos os quais têm conotações negativas.
Infelizmente para a criança, o apoio que damos é muitas vezes levado a mudar a criança, moldando-a para um modelo que não se encaixa na sua própria natureza. Isso coloca a criança em um modelo que está constantemente mostrando a ela o quanto é deficiente, danificada ou incompetente. Não só isso raramente funciona, mas muitas vezes deixa a criança se sentir muito ansiosa, insegura e inadequada.
Em vez de se concentrar nas habilidades que criança já tem e como ajudá-la a desenvolver seus pontos fortes, muitas vezes se concentram no que a criança não domina e no que quer que ela seja. Esperamos que, mudando seu comportamento ou moldando-o para agir de acordo com um determinado roteiro, possamos curar o “autismo”.
Cada criança apresenta um conjunto de pontos fortes e fracos, com um conjunto de interesses, talentos e dons. Todas as crianças têm dons e forças naturais que, quando apoiados e estimulados, farão com que ela desenvolva suas habilidades naturalmente.
Nós passamos tanto tempo forçando as crianças em um perfil que não corresponde às capacidades delas que ignoramos e suprimimos a sua verdadeira essência.
Esta essência é o que a criança naturalmente se tornará se apoiada em vez de ser mudada.
Se nos concentrarmos menos nas fraquezas e mais no desenvolvimento de forças, ajudamos as crianças a construir uma forte confiança e autoestima, desenvolvendo um forte senso de autoidentidade e autoestima.
Quando reconhecemos e valorizamos a sua essência única estamos ajudando a criança a crescer e florescer.
Todos os seres humanos são motivados pelo controle, sucesso e eventos que desenvolvam nossos pontos fortes e interesses.
Quando as crianças se sentem valorizadas pelo que são, ao invés do que gostaríamos que elas fossem, elas se desenvolvem e crescem.
@omundodepeublog

Prova adaptada é um direito da pessoa com necessidade especial

Toda criança tem direito a inclusão e adaptação escolar para as suas dificuldades de aprendizagem e não precisa de laudo médico para isso.
A escola não pode exigir laudo médico para fazer a inclusão da criança, basta que seja declarado.
Segundo uma resolução do MEC, para que a criança seja incluída e que tenha suas necessidades educacionais atendidas, basta que seja solicitado. Seja mediação, avaliação diferenciada, material adaptado, quaisquer ferramentas devem ser atendidas pela escola sem a necessidade de laudo.
É claro que o laudo ou um parecer do terapeuta pode ajudar a escola a direcionar melhor o caminho para ajudar o aluno, só não vale negar a este aluno seus direitos. Portanto, se você é pai exija os direitos do seu filho, se você é terapeuta oriente a escola, se você é da escola busque oferecer ferramentas para o melhor aprendizado do seu filho.
Informações mais detalhadas você pode encontrar nas seguintes leis e normas técnicas:
➡️ lei brasileira de inclusão, nº 13.146.
➡️ A norma técnica 04/2014 do MEC.
➡️ O projeto de Lei 7.081 /10 específico para TDAH e Dislexia, já aprovado no Senado.
➡️ Além da própria constituição e o Estatuto da Criança e do Adolescente, que prevêem que as crianças devem ser assistidas em suas necessidades.
Exija seu direito!
Com uma inclusão eficiente todos ganham.
Texto: Renata Batista