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Arquivos por mêsabril 2019

Comunicação Alternativa – Fonoaudióloga Ana Maria Phillips

A linguagem é fundamental para o indivíduo ser incluído em sociedade, porém nem todos se comunicam interagindo com o meio. No texto abaixo, escrito pela Fonoaudióloga Ana Maria Phillips, entenderemos o que é a comunicação alternativa. 

 
Comunicação Alternativa 

A linguagem assume um papel de fundamental importância para inclusão do individuo na sociedade. Porém nem todos possuem as competências de comunicação capazes para interação com o meio. Este é o caso de pessoas dentro do espectro autista, as quais podem apresentar distúrbios na comunicação que podem ser verbais e não verbais e que interferem na apropriação da linguagem. Visando quebrar as barreiras da comunicação e favorecer a troca entre o interlocutor e o ouvinte, a comunicação alternativa surge como uma ferramenta para favorecer a interação e ser apoio para oralidade, leitura e escrita. 

Segundo Von Tetzchner e Martinsen (2000) a comunicação alternativa é toda prática comunicativa que difere da fala e que é usada em contextos de comunicação frente a frente, substituindo-a. Ou seja, qualquer meio alternativo além da fala que favoreça a troca entre duas pessoas. Possibilita o engajamento das pessoas em situações de comunicação visando apoio para o desenvolvimento da oralidade quanto para escrita e assim facilitar a inclusão dessas pessoas na sociedade. Pode também ser usada como recursos, tais como símbolos, gestos, estratégias e técnicas que venham favorecer a comunicação entre os sujeitos.  

A comunicação alternativa apresenta-se como recurso que, quando utilizado com estratégias e técnicas  a oportunidade a pessoa com necessidades especiais de se tornar autônomo em suas situações de comunicação, proporcionando oportunidades de interação com o outro, evitando assim exclusão social e seu isolamento. Também pode auxiliar no processo de inclusão e aprendizado escolar, uma vez que o recurso visa efetiva integração do aluno em seu meio social. Na medida em que os sistemas de comunicação passam a fazer parte do cotidiano dos sujeitos com o intuito de trocas sociais eficientes, estes dispositivos tendema desenvolver sua cognição e linguagem, configurando-se recursos importantes na inserção do sujeito com déficits cognitivos e comunicativos na escola e sociedade. Tais sistemas de comunicação podem ser desenvolvidos com alta ou baixa tecnologia. No caso de baixa tecnologia o uso de figuras, cartões, cartolina, velcro, pastas com divisória, quadros de imã e tudo que você conseguir criar com a imaginação. Já a alta tecnologia corresponde aos aplicativos e softwares desenvolvidos para a construção de pranchas de comunicação. A escolha para o tipo de comunicação vai depender da avaliação do sujeito, avaliar como está à compreensão e expressão e em que estágio de linguagem a pessoa se encontra.

É necessário estimular compreensão dos símbolos escolhidos de acordo com o cognitivo, escolher melhor forma de apresentar e quais símbolos ou meios alternativos a pessoa com TEA ou outra pessoa que necessite se interessa mais, sempre visando estar relacionados o interesse, objetivos e os benefícios que o recurso irá trazer para ela.

 

REFERÊNCIAS: VON TETZCHNER,S.; MARTISEN, H. Introdução a Comunicação Aumentativa e Alternativa. Portugal: Porto, 2000.

Nosso Palestrante Giovane Ferreira em entrevista Radio 92.7 FM

No Jornal Santa Catarina – Coluna Social de Fernanda Nasser

2º seminário sobre autismo ocorre nesta quinta-feira (25) em Blumenau – OCP NEWS

O seminário contará com a participação de nomes de referência na abordagem e estudo sobre o assunto. Confira: http://bit.ly/2W0xwba

Entrevista sobre seminário 2019 na Radio 92,7

https://m.soundcloud.com/viviana-borchardt/23-04-autismos

 

Depoimento Giselle Ávila, mãe do Pedro 6 anos, autista não verbal.

Quem nos conhece sabe que temos uma relação saudável com o autismo.
Essa característica “neurobiológica” que o Pedro tem, sempre teve desde que nasceu.
Tudo na vida tem seu lado bom e ruim. Mas foi uma decisão, uma escolha nossa ter essa relação. E tudo na vida acontece por um motivo.
Voltando um pouco…
Eu e o Marcos nos conhecemos, nos reencontramos, namoramos, fomos morar juntos. Tudo se encaminhando e veio a vontade de ter um filho. Já tinha me formado, estava trabalhando, tinha um companheiro, tinha uma casa, gatos, cachorros e  naturalmente nos preparamos para o próximo passo: a maternidade! Engravidei e sofri um aborto (aí sim foi difícil, muito. Nenhum dos dois soube lidar com a situação).
Precisávamos sentir essa perda e nos fortalecermos para tentarmos mais uma vez.
Engravidei do Pedro e desde o início muito preocupada e ansiosa, me cuidava muito e meu marido mais ainda (o Marcos engordou comigo!).
Dia 10/07/2012 recebemos nosso pacotinho de Deus! Estávamos completos! Tinha meu filho, estava de licença maternidade, o Marcos trabalhando.
Lembro até hoje do primeiro contato com a palavra Autismo, o Pedro tinha uns 11 meses e o Marcos chegou em casa chorando, tinha pesquisado na internet e tudo batia com as características que o Pedro apresentava. Peguei o Pedro no colo e falei para o Marcos:
– Marcos olha pra ele, autista ou não, é o Pedro! Essa é sua essência. Não é o fim do mundo, não é uma sentença de morte. Se acalme, ele precisa de nós e não é no desespero que vamos fazer alguma coisa. Eu fico com ele o dia todo. Nós temos uma relação, ele é carinhoso, esperto e feliz! Se for diferente, nós precisamos de todas as ferramentas para que ele continue se desenvolvendo feliz!
Ali eu já sabia e sentia o potencial e capacidade que o Pedro possuía. Nunca durante a gravidez ou depois que ele nasceu, senti ou imaginei o que ele poderia ser, ou o que eu queria que ele fosse, suas conquistas. Para mim tudo tem seu tempo, e naquele momento estava realizada por ter um filho, uma extensão de mim, da nossa relação Gi e Marcos!
Depois que o Marcos se acalmou, fui para o computador, e realmente as características eram claras. Abençoado Marcos que percebeu o que no momento eu não percebia e pudemos começar a ajudar o Pedro o quanto antes.
Fomos à pediatra, que nos encaminhou para o neuropediatra, exames e avaliações.
E o Pedro tinha características de autismo, mas que não poderia ser diagnosticado ainda, deveríamos começar as intervenções e continuar observando.
E aí que eu e o Marcos começamos nossa transformação: sabíamos que tudo que disséssemos, a forma de agir e interagir entre nós e com os demais, a “energia” que passamos para o Pedro, era fundamental que tínhamos que ser melhores. Queríamos o melhor para o Pedro e que nosso pequeno já começou a nos ensinar. Sempre falei que ele nos ensina mais do que nós a ele. Com ele aprendemos a sentir o amor verdadeiro, incondicional, diferente do amor de namorados, casais, aquele amor que espera algo em troca.
Então o Marcos foi demitido. E novamente tudo acontece por um motivo. O Marcos precisava desse tempo com o Pedro e foram 6 meses de trabalho, estimulação e interação para ele sentir o que eu sentia e tentei passar para ele naquele dia que chegou chorando em casa. (O Marcos sempre foi um super pai, mas trabalhava e viajava demais e tinha pouco tempo em casa, então era normal não saber de tudo).
E foi maravilhoso ver o crescimento deles e de nós como família. Quando o Marcos voltou a trabalhar, foi para diferentes cidades por 11 meses até nos reunirmos novamente aqui em Blumenau.
Foram momentos difíceis, por estarmos longe, mas novamente nada acontece sem um motivo. Eu e o Pedro em Lages, nas nossas terapias, e eu e o Marcos fortalecendo nossa relação à distância. E de novo estamos nessa pois o Marcos foi trabalhar em outro estado.  Agora eu e o Pedro “sozinhos” em Blumenau, sozinhos não né. Agradeço por ter amigas muito especiais que nos ajudam sempre!
Acredito que nem as próprias pessoas das nossas famílias saibam todo o “trabalho” que exercemos com o Pedro ou melhor, todo o trabalho que o ele já realizou para estar assim tão bem. Muitos, agora falando de todas as pessoas que acabam de nos conhecer ou convivem com a gente, já nos falaram: mas ele não parece autista. E  sinceramente não sei se vejo como um elogio ou fico preocupada em ver como o mundo precisa de mais informações. Não por maldade, mas muitas crianças não são diagnosticadas, porque ainda se vê o autismo caracterizado por crianças que não querem contato, se isolam e se agridem. E são N autismos. Falo da nossa experiência, do nosso autista. Sempre que tenho oportunidade falo sobre o autismo (e falo muito rsrsrs) no ônibus indo para as terapias, na padaria, mercado, farmácia, lojas.
E falando em terapias, com 1 ano e pouco ele pegou o primeiro alimento com as mãos (e adivinha, era batata-frita). Foram quase 2 anos para ele conseguir pegar um copo com água e tomar sozinho, para conseguir se alimentar com uma colher sem auxílio. Com 3 anos e pouco aprendeu a apontar para pedir algo e a partir daí sua comunicação só está melhorando. Quando entrou na escola com 3 anos e meio aprendeu a interagir com outras crianças, do jeitinho dele. No aniversário de 4 anos foi a primeira vez que bateu palmas durante os parabéns. Com 4 anos e alguns meses que conseguiu segurar o xixi e começamos o desfralde. Também com 4 anos e pouco conseguiu pular com os dois pés juntos. E faz em torno de dois anos que ele nos abraça, de novo do jeitinho dele, sempre foi muito carinhoso, e aí nos ensinou diferentes formas de demonstrar afeto. Com quase 5 anos que conseguiu tomar de canudinho e também nos surpreendeu em buscar contato visual espontaneamente.  Com 6 anos disse a primeira palavra.
Nessas últimas férias teve uma evolução gigantesca na parte motora (focamos muito na atividade física) com 6 anos e meio reconheceu a vontade de ir ao banheiro sozinho (desfralde concluído). E a mais recente façanha foi a adaptação na escola nova, de uma forma tão natural e harmoniosa que só nos enche de orgulho.
Todas pequenas conquistas (MUITOOOO COMEMORADAS!) mas que exigiram muito do nosso pequeno.
Falo em pequenas conquistas porque para as demais pessoas fora do espectro são atividades corriqueiras, fáceis, do dia-a-dia, que passam desapercebidas, fazemos sem esforço e que muitas vezes não damos valor.
Agradeço a todos os profissionais, que já trabalharam com o Pedro e os que estão com a gente hoje. Muito obrigada pela dedicação e carinho. Todos esses avanços são fruto do empenho, AMOR E EMPATIA de vocês.
Também não tem como não se apaixonar pelo Pedro! Ele quer, ele sabe que pode, que vai conseguir. E acredito realmente que foi porque acreditamos nele em primeiro lugar.
Agradeço as nossas famílias e amigos pelo amor e pelo carinho sem medidas! Aqui sem palavras, nossos sentimentos se sentem!
Agradeço ao Marcos, o autismo vive em mim. Tive que estudar muito e ainda estudo, e aqui meu marido foi super parceiro em me ajudar, me proporcionar momentos cuidando do Pedro para eu ter esse tempo precioso. Nossa relação só floresce, nos momentos bons e ruins. Aprendemos muito e reconhecemos nosso constante aprendizado.
Agradeço a Deus por vivenciamos e aceitamos que tudo na vida acontece por um motivo e esse amor divino habita em nós!
Comemorar é pouco, agradecer também faz parte. Obrigada primeiramente em me fazer melhor. Gratidão por ter você como filho abençoado!
E para encerrar…
Ter uma criança com autismo é difícil.
Você irá sobreviver se deixar as atitudes negativas e os comentários maldosos dos outros longe de você.
Sabendo que sua jornada como mãe/pai de autista é importante. Muito importante!
Você é a voz de seu filho, seu terapeuta, seu advogado, acima de tudo seu pai, seu coração e sua alma.
Sua jornada pode ser dura, mas cada pequena etapa é uma enorme conquista e você irá experienciar recompensas de “doer” o coração de felicidade! Recompensas que irá manter dentro de si para sempre!
Você é mãe/pai de autista e você é MARAVILHOSO!
Seja gentil, seja amável consigo mesmo!

Anjo azul – Dr. Eugênio Cunha

Anjo azul

Dr. Eugênio Cunha

Doutor em educação, professor, psicopedagogo e autor dos livros: “Afetividade na prática pedagógica”; “Afeto e aprendizagem”; “Autismo e inclusão”; “Práticas pedagógicas para inclusão e diversidade” e “Autismo na escola: um jeito diferente de aprender, um jeito diferente de ensinar”.

Contam que em Florença, na Itália, durante o período da Renascença, uma grande pedra de mármore foi cortada para ser transformada numa esculturaAlguns escultores receberam a encomenda, porém nenhum deles foi capaz de decidir o que fazer. Todos desistiram do trabalho, passando o desafio para as mãos de Michelangelo. Tempos depois, no lugar daquela pedra estava esculpida a imagem de um anjo. Vi o anjo adormecido dentro da pedra, esperando para ser libertado, disse o artista.

Pais de autistas costumam chamar seus filhos de anjos azuis. Azul é a cor do autismo, e abril é um mês repleto de eventos que revelam a luta pela inclusão social da pessoa com o espectro. Nesse sentido, penso que a história de Michelangelo pode nos ensinar algumas coisas

O transtorno do espectro autista atinge milhões de pessoas no mundo, trazendo consideráveis dificuldades na interação social e na comunicação. Aparece nos primeiros anos de vida, proveniente de causas ainda não totalmente conhecidas, trazendo incertezas que dificultam, em muitos casos, um diagnóstico precoce e um tratamento adequado. Ele tem demandado estudos e indagações, permanecendo ainda desconhecido de grande parte das pessoas. Não há padrão fixo na sua manifestação e os sintomas variam grandemente.

Infelizmente, mesmo com apoio de familiares e educadores, boa divulgação na mídia, além de uma Lei Federal garantindo direitos e políticas públicas,encontramos casos de discriminação, intolerância e de exclusãoconsequências de um olhar preconceituoso, que já deveria ter sido superado na contemporaneidade.

Por isso, como Michelangelo, precisamos enxergar para além da pedra de mármore e ver o anjo que está aguardando para ser lapidado. O professor Rubem Alves dizia que nós não vemos o que vemos, mas vemos o que somosPor essa razão, enxergamos beleza na vida, porque a beleza está dentro de nós. 

Um olhar desprovido de preconceitos traz a possibilidade de convivência com o outro. Dessa forma, nos tornamos mais semelhantes no amor e na solidariedade, estabelecendo as bases para a formação de uma sociedade inclusiva. Daí nasce compreensão de que para além de qualquer condição decorrente do autismo estará a condição humana do autista. Afinal, em nossas semelhanças ou em nossas diferenças somos todos iguais.

Depoimento de Eleandra K. Barbiere, fisioterapeuta, mãe das gêmeas Alice e Isabela Barbiere.  Isabela é portadora de TEA.

Nós, e o diagnóstico tardio de TEA e apraxia de fala.
A Isabela é uma linda menina de cinco anos, diagnosticada com autismo aos 4, em tempos que o diagnóstico precoce é tão falado. Não houve luto, houve dor e alívio, pois finalmente teríamos um caminho a seguir. Gestação gemelar, pré-eclâmpsia, parto prematuro, aspiração de mecônio, ventilação mecânica (quando o aparelho respira pela pessoa), infecção, edema generalizado, alta de UTI depois de 15 dias, e ufa…vida normal. Até que aos sete meses, a Bela teve 4 convulsões. Nosso primeiro Natal no hospital e começamos a saga de achar um neuropediatra. Saímos do hospital com fenobarbital, eletroencefalogramas normais, tomografia ok, e com um ano do uso, tivemos que aumentar a dose do medicamento. Bem na famosa idade da poda neuronal. Um ano e seis meses e “perdemos” nossa menina. Como a irmã gêmea também não falava palavras, mas aqueles balbucios gostosos não estranhávamos o fato da Bela não falar. Mas estranhamos quando os sons pararam, quando ela ficou alheia, e a resposta que tínhamos do neuro e do pediatra: culpa do fenobarbital. Aos dois anos iniciamos com fono, com diagnóstico de atraso de linguagem. Não vimos grandes avanços, até que com 3 anos e meio, o neuropediatra pediu para avaliarmos com outro fono e nos disse que via Isabela num quadro de apraxia. Na avaliação, saímos com o diagnóstico de autismo e apraxia. Resolvemos consultar em SP, outro neuro, outras perspectivas. Até que ele nos fechou o diagnóstico. Hora de arregaçar as mangas. Tomamos as rédeas do tratamento com muito estudo, com uma linda rede de apoio e resiliência. Hoje, tenho mais coragem e perspicácia para lidar com o tratamento, e com a minha vida de mãe-terapeuta. Temos uma equipe linda e conectada que nos fez ter ganhos palavrinhas muita autonomia no último ano! A montanha-russa que nos encontramos é cheia de gente engajada, não só no autismo, mas na Apraxia, abraçaram duas causas para uma linda menina. Nas subidas e descidas, todos de mãos dadas, sempre acreditando, sempre torcendo…e com lema ” nada é impossível!”

Autismo: Em busca de vivências estimulantes e autonomia!

O estímulo é fator determinante na caminhada dentro do Espectro Autista. Apesar de a condição do autismo ser crônica, ou seja, não se pode ser mais ou menos autista conforme os anos passam, o estímulo condiciona a melhor relação do autista com o ambiente em que convive! Neste sentido, proporcionar uma gama de vivências variadas, divertidas ou até mesmo desafiantes é imprescindível.

Em minha vida, sempre encarei as situações com olhos de aprendiz. Valor que minha mãe e meu pai puderam incutir em minha personalidade. Em meio a vivências fui aprendendo a ter mais iniciativa… Em princípio eu tive medo de arriscar, medo de não ter previsibilidade no dia a dia, de que as energias se esvaiam em meio a uma profusão de rotinas: Pessoas neurotípicas migram a atenção nas diferentes áreas do cérebro e desta forma conseguem reter muitas sutilezas, como conversar com várias pessoas ao mesmo tempo, discernir pequenos gestos e olhares e entender certos vícios de linguagem ou maneirismos. Para mim, assim como para muitos autistas a vivência deve ser pontuada por momentos de previsibilidade, mesmo assim é duro conviver com estímulos rompantes como buzinas, latidos ou luzes coloridas.

Mesmo com minhas dificuldades em meio a um dia a dia que nem sempre posso explicar, o estímulo sempre foi uma “arma” para que pudesse mitigar preconceitos e especulações. Através do treinamento em reorganização neurológica provido pelo método Doman, ficou em mim o valor da resiliência! Meu dia a dia, por mais que assuste, também prova que sou resiliente e autônomo, pois ao longo de várias vivências aprendo obtenho meus horizontes. Na maioria deles, obtenho aprendizados e posso ponderar muitas coisas, principalmente como utilizar o hiperfoco para aprender.

Meu aprendizado com os sons e a música me mostrou que sim, dá para se desafiar e obter a partir de tais desafios a coragem para lançar-se em novas empreitadas, empreender na vida! O autismo refreia experiências imprevisíveis, porque as mesmas provocam desorganização sensorial, mas, não significa que o autista não possa contornar estes episódios e lançar-se em novas empreitadas! Demora um pouco mais para que eu, ou qualquer autista acostume-se com tantas rotinas acontecendo simultaneamente ao redor, porém, com vivências desafiadoras oferecidas pelo pai e pela mãe e por eles mediadas, pode-se desenvolver tolerância e flexibilidade em questão de vivência.

No dia 02 de abril consagrou-se o dia mundial do autismo justamente para que reflitamos e divulguemos o quanto os autistas podem prosperar, produzir, criar e acima de tudo ter autonomia. Tal autonomia é conquistada por muitos, pouco a pouco. Mas para isso ser de fato enfático, precisamos das vozes de todos engajadas em levantar a bandeira azul, fazer saber dela!

Marcos Petry

Inclusão escolar de crianças autistas no Vermais

Acesse:

https://ndonline.com.br/videos/ver-mais-blumenau/inclusao-escolar-de-criancas-autistas/