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Arquivos por mêsnovembro 2018

NÃO AO RETROCESSO!!!

Inclusão é a nossa capacidade de entender e

reconhecer o outro e, assim, ter o privilégio de conviver

e compartilhar com as pessoas diferentes de nós.

(Maria Teresa Égler Mantoan)

Gostaríamos de compartilhar nossas informações sobre a movimentação na internet acerca da possível PERDA DO DIREITO AO PROFESSOR DE APOIO:

Sabemos que existem 2 processos em trâmite STF com liminar concedida e que podem sim causar retrocessos na educação e direitos já adquiridos aos autistas e pessoas com necessidades especiais.

Vale lembrar que a Constituição Federal nos garante esse direito e não é justo que lei menor ou interpretação inadequada venha a nos privar de conquistas adquiridas desde 1988.

Nada é mais DEFICIENTE do que o PRECONCEITO

Nada é mais EFICIENTE que o AMOR… A INCLUSÃO!

Nós do Grupo de apoio educacional autismoS estamos com todas nossas forças buscando levar INFORMAÇÃO e INCLUSÃO a todos os cantos do BRASIL.

A inclusão escolar traz benefícios não somente aos alunos atípicos, por terem seus direitos salvaguardados, pela interação sociocultural, pelo aprendizado e valorização de suas potencialidades, mas também para todos:

* aos alunos neurotípicos, por aprenderem a lidar com o diferente, a desenvolverem novas maneiras de interagir com quem não fala, não ouve ou não enxerga, por exemplo. Essa necessidade de adaptação na socialização será extremamente importante no futuro das crianças neurotípicas. Se bem orientadas, elas se tornarão adultos mais bem

preparados para enfrentar os mais diversos tipos de ambiente profissional, acadêmico e até familiar — e poderão colher os benefícios disso;

* à escola, que se capacita para lidar com todos os alunos;

* ao professor, por exercer seu papel de mediador educacional e de socializador de todos os alunos, e não alguns, ou seja, um agente de transformação social.

Lembrem-se de que aprendemos mais com as diferenças do que com as igualdades e, na educação das sensibilidades, felizes os que veem na inclusão uma possibilidade de aprendizado mútuo e transformador para todos!

 

Depoimento: O ESPORTE PARA O AUTISTA

Giovani de Oliveira Ferreira é pedagogo e graduado em Judô; pós-graduando em Neuropsicopedagogia (Uniasselvi). Coordenador do Paradesporto da Federação Catarinense de Judô; técnico da seleção brasileira de judô de DI (deficientes intelectuais). Pai de Giovani, Pedro e João Vitor, autista, de 21 anos.

Hoje em dia, já ninguém mais discute sobre a importância do esporte na vida de todo ser humano, é comprovadamente importante, eficaz e prioritário na vida de todos, seja a prática de um futebol com os amigos, uma caminhada no parque, seja a nível de alto rendimento, todos precisamos.

E quando falamos sobre o esporte para pessoas com TEA, toma uma maior proporção este apelo ao uso do esporte como instrumento de transformação de vidas, tenho vários alunos autistas de diferentes idades, e além disso sou pai e técnico de um judoca Campeão Mundial de Judô que também é autista, como cada autista tem suas peculiaridades todo profissional que trabalhar com eles tem que estar preparado, entusiasmado e porque não dizer apaixonado!

Temos que comemorar cada braçada, cada pedalada, cada passo dado, incentivar o crescimento e progresso respeitando o limita de cada um, desafiar o autista a conhecer coisas novas por meio do esporte, estimular sua participação em eventos, tratar o autista não como alguém que precisa de sua pena, ou que você esta fazendo algum favor para ele, mas trata-lo como alguém que busca no esporte o que ele pode proporcionar, como por exemplo:

– Socialização – o autista que tem problemas por exemplo com o ‘toque” pode aprender a abraçar, a comemorar, a ter comunhão com o próximo, seja um esporte coletivo ou individual o esporte sempre vai proporcionar relações pessoais.

– Autoestima – o autista por meio de suas conquistas pequenas ou grandes ao longo de sua caminhada no esporte vai ganhar confiança em si mesmo, vai sentir-se parte de algo e isso vai lhe trazer a autoestima.

– Melhores significativa na condição física – cardio respiratório, aprender a respirar corretamente pode ajudar durante uma crise, alguns esportes inclusive funcionam como inibidores de autistas que se ‘machucam” a si mesmos pois o autocontrole e melhora de concentração vai ajudar muito, inclusive alguns esportes podem proporcionar a diminuição da estereotipia por causa das repetições que ocorrem durante a pratica de determinado esporte.

– Coordenação Motora – ganho significativo na coordenação motora num todo, movimentos que pareciam impossíveis para eles podemos começar a fazer parte de sua rotina’’.

 Incentivo a conexão – muitos autistas têm grande dificuldade em conectar-se com o meio ambiente apresentado ou até mesmo com pessoas, o esporte pode proporcionar a “quebra” desta barreira de interação e comunicação.

 Promoção do bem-estar, alegria – o esporte sem dúvida pode trazer para o autista experiências incríveis como seres humanos, gerando em seu corpo a química que gera bem estar e alegria.

Enfim, um dos principais aspectos que o esporte pode e deve abranger na vida de pessoas com TEA é a inclusão social, o esporte tem este poder, este potencial e por consequência tem esta responsabilidade.

Deixo uma sugestão para todos pais que procurarem algum esporte para seus filhos, existem muitas opções, mas busque um profissional que além de conhecimento técnico tenha “algo mais”, sei que nem todos vão entender esta sugestão, mas fica a dica.

Viva o Esporte! Viva a Inclusão! Viva a Vida!

 

DIREITO AO PROFESSOR DE APOIO PARA PORTADORES DE TEA

Um dos maiores desafios das famílias de crianças especiais é a busca e falta de suporte especializado no amparo aos seus filhos no ambiente escolar.

Dentro ou fora de classe, há necessidade de agentes educacionais que promovam a inclusão por meio de ações imediatas de socialização, mediação e suporte adaptado, promovendo acolhimento e auxiliando no bom desenvolvimento de todos.

Sabemos que aprendemos muito mais com as diferenças do que com as igualdades, e, ao promover a inclusão, todos ganham. Mas e quando a dificuldade desse aluno está justamente na sua socialização?

A necessidade desse professor vai muito além das rotinas de classe que demandam constantes adaptações; ela busca um olhar além, uma mediação inclusiva que absorve e dá suporte em todo ambiente escolar, vendo o aluno como um ser integral, individual e singular.

Devemos salientar que as diferenças devem ser trabalhadas com todos os alunos independente de ter um laudo; porém, confirmada alguma deficiência específica, a negligencia quanto a esse direito deve ser observada mais precisamente.

Os laudos resguardam os diretos, mas as inclusões das diferenças servem para todos os alunos, sejam diferenças decomportamentos, opiniões e até necessidades especiais.

Um professor de apoio traz inúmeros avanços no dia a dia de um autista, podendo estabelecer vínculos e suportes que serão referência ao longo de toda sua vida, por isso, a necessidade de capacitações, formações e suportes especializados a esses profissionais. Afinal, serão eles, por meio de sua prática, os agentes transformadores a que esses alunos têm direito por lei.

Negar o direito de um autista ao suporte especializado seria negar o direito dele de viver em sociedade com os mesmos direitos de todos de ir e vir com segurança e qualidade de vida.

 

Para fundamentar nossa fala, trouxemos o advogado Dr. Valcir Edson Mayer:

 

 

Nossa Constituição determina em seu art. 208, III: “atendimento educacional especializado aos portadores dedeficiência, preferencialmente na rede regular de ensino”.

 

Referido artigo estabelece que seja disponibilizado atendimento educacional especializado aos portadores dedeficiência e, nesse contexto, se aplica tal determinação aos portadores do Transtorno do Espectro Autista – TEA.

 

Já a lei 13.146/2015 que determina, com base em Nossa Constituição, os direitos básicos e fundamentais dos deficientes, estabelece em seu art. 3º, XIII:

 

“profissional de apoio escolar: pessoa que exerce atividadede alimentação, higiene e locomoção do estudante com deficiência e atua em todas as atividades escolares nas quais se fizer necessária, em todos os níveis e modalidadede ensino, em instituições públicas e privadas, excluídas as técnicas ou os procedimentos identificados com profissões legalmente estabelecidas”;

 

Na mesma lei, em seu artigo 28, determina:

 

“Incumbe ao poder público assegurar, criar, desenvolver, implementar, incentivar, acompanhar e avaliar: […]

III – projeto pedagógico que institucionalize o atendimento educacional especializado, assim como os demais serviços e adaptações razoáveis, para atender às características dos estudantes com deficiência e garantir o seu pleno acesso ao currículo em condições de igualdade, promovendo a conquista e o exercício de sua autonomia; […]”.

 

“[…] XVII – oferta de profissionais de apoio escolar; […]”

 

Por fim a lei 12.764/2012 determina em seu art. 1º, § 2º que: “A pessoa com transtorno do espectro autista é considerada pessoa com deficiência, para todos os efeitos legais.”

 

Determinando ainda referida lei que o autista terá direito a acompanhante especializado, em caso de necessidade.

 

Nesse contexto, é importantíssimo destacar que a Nossa Constituição garantiu o atendimento educacional especializado, e como a Constituição se sobrepõe as leis infraconstitucionais, obrigatoriamente deve ser respeitado e cumprido pelos gestores públicos e privados de instituições de ensino a disponibilização aos autistas de atendimento educacional especializado.

 

Diante das várias formas de interpretação dessa questão por nossos tribunais, por mais que esteja claro em nossa constituição, se mostra prudente, no momento das matrículas apresentar requerimento por escrito, em duas vias, sendo uma via como protocolo e anexar ao requerimento os laudos de profissionais especializados determinando a necessidade de professor de apoio.

 

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Grupo de Apoio Educacional autismoS

Depoimento do Pedro Ferreira, psicólogo clínico e irmão do João (Autista e X-Frágil)

Pedro Ferreira, formado psicólogo pela FURB – Universidade Regional de Blumenau, psicólogo clínico e psicanalista em formação, CRP-12/17078. 

Feito irmão

O homem que escreve sobre a mulher é sempre um filho. A mãe que o trouxe ao tempo é sua terra natal. Do vazio da vida ao vácuo da existência, ocupamos o colo da maternidade ou anseio por ela. Através do feminino o masculino é gestado na forma de um futuro que poderá vir a ser ignorado.

É a voz, o toque, o embalo de quem marca o ritmo do necessário que revoga a autoridade do desejo e demarca seu ritmo de saciedade. O início da vida é pura fragilidade e dependência. É cruzamento de tempos distintos (eu, ele, você…) que conforma ou disforma temporalidades:

 

O tempo é instituído, para cada sujeito, no intervalo entre a tensão de necessidade (pulsional) e a satisfação; mas como, para o filhote humano, a satisfação de necessidade depende inteiramente de que um Outro queira se ocupar dele, tal intervalo logo se apresenta a ele como o tempo que separa a demanda do Outro da possibilidade de o sujeito responder a ele. Dito de outra maneira: o sujeito do desejo, em psicanálise, é um intervalo sempre em aberto, que pula entre o tempo próprio da pulsão e o tempo urgente da demanda do Outro. Nisso se resume a alienação que distingue o humano de outras formas de vida animal: não somos senhores de nossa relação com o tempo (KEHL, 2015, P.112-113).

 

            Da mãe que brota ao filho não sai somente leite, mas um sujeito a ser formado. Formas de afeto e tratamento que serão afirmadas e/ou destruídas para que novos espaços sejam organizados. Do pai que dá nomes partem os ensinamentos do que dizer, e dizemos o que queremos falar a partir do que podemos dizer. De ambos nascem os irmãos e, com eles, a prova de que cada um é único.

            De meu irmão mais velho eu recebia murros e cultivava admiração. Ter chego anos antes o conferiu a autoridade de caminhar antes de mim. Alguns passos já haviam sido dados. O primeiro dia na escola, o controle de sua bexiga, a paixão de algumas garotas e a maior intimidade com nossos pais eram alguns de seus atributos. Eu o via a distância.

            Ele era um menino bonito que arrancava elogios de todos, mesmo sendo meu adorado vilão. Seu império de terror foi longo. Dedos babados em meus ouvidos, socos e caldos em nossa piscina, meu irmão mais velho tinha um trono a proteger. E ele o protegia, mesmo de alguém incapaz de ocupa-lo.

            Apesar dos hematomas e rancores nos tornamos companheiros. Filhos dos mesmos pais, ele foi meu patrão e eu seu empregado. Servi como uma extensão dolorida de seu corpo em assuntos familiares. Talvez eu tenha sentido mais da sua puberdade do que ele mesmo, uma vez que era eu quem sentia as dores deu suas insatisfações.

            Ele foi terrível, mas um grande irmão. Cuidou de mim, não dos ferimentos que me infligiu, mas me acompanhou até aqui ao ser indiferente a eles. Dele recebi inspirações a superações. Se hoje conheço a falta de ar que o peso de uma mão no estomago pode causar, é ele o responsável. Eu aguento.

            Assim, um irmão menor seria uma grande oportunidade. Um novo reinado para um novo rei, eu seria o herdeiro. Terríveis seriam os dias daqueles que se opusessem a mim. Enquanto o mais velho partia rumo a prazeres do mundo-do-lado-de-fora-de-casa, um novo senhor se esgueirava em sua ausência. 

            O pequeno seria o que fui para o maior. Um ciclo natural da cadeia evolutiva visto a olho nu. Meu irmão seria mais do que um irmão, seria meus braços, pernas, curiosidade e raiva. É dessa maneira que imagino ter imaginado. Entretanto, foi exatamente isso aquilo que não aconteceu.

Foi aos três anos de idade que recebi outro irmão e entre três irmãos me vi crescer enquanto todos cresciam. Não me recordo do dia, nem mesmo me lembro de diversos anos subsequentes ao seu nascimento. Mais especificamente, não há memória dele em mim enquanto criança. Os registros são escassos e o que há de significante neles é justamente a falta de significância

            Nasce uma criança prematura. Um menino com muitas insuficiências e diagnósticos. Eu não estava lá para ver, apenas estive próximo para ouvir dizer. Não me recordo da sua fragilidade. Lembro somente daquilo que quero dizer, por isso digo: porque quero e porque lembro.

            Talvez tal tempo não caiba em mim, sendo assim, me escapa. Desvinculado do período o que resta é distância. Assim, sigo os rastros. As marcas deixadas não restam em ninguém, somente em mim. Pelo menos gostaria que assim fosse, não é. Aquele que marca é sempre o outro, o outro que marca sou sempre eu.

            Na vulnerabilidade de meu irmão me vi vulnerável. O orgulho indispensável pairava sobre o mais velho, os cuidados inevitáveis insistiam no mais novo, logo, fui me retirando. Na falta de espaço não há locomoção. Havia a necessidade de desvinculação. Era apertado estar entre meus irmãos.

            Das vezes que lembro de meu caçula, todas elas, são imagens impressionantes de tombos, trombadas, choros e machucados. Recordo de nossa babá, em desespero, correndo para a rua com ele em seus braços quando abri sua sobrancelha. É frustrante não me lembrar da segunda vez que fiz o mesmo. As memórias me trazem a impressão de que nunca estive lá, apesar de suas cicatrizes serem testemunhas.

            Desse modo foi preciso intransigência. Muito cedo meus banhos foram somente meus, meu cardápio seria minha decisão e minha violência seria despejada onde eu quisesse. Caso contrário, banhos inundariam o banheiro. Cadeiras e bonecos seriam roídos e mastigados. E alguém se machucaria, fosse eu ou outros.

            Os gritos, as palavras, minhas fugas, todas as horas trancafiado em um banheiro e cada briga, foram atos necessários. Era preciso que fosse para poder ser. Afogado num mar de gente nós morremos respirando o ar de outros. Não quis morrer, quis viver.

            Dessa vida, entre irmãos, o sufoco da falta de espaço. Do mais velho a intenção de ser servido. Do mais novo a frustração de quem sabe que nunca seria. Eis o que recebi enquanto filho: uma promessa e sua negação. Meu destino era ser irmão de meus irmãos.

            Entretanto, nada distante do incomum em minhas reações. É necessário dizer que não ser quem se quer ser não significa querer ser outro alguém. Assim, do comum da condição de quem recebe um novo irmão, vislumbrei uma possibilidade de me fazer.

            Meu irmão caçula acabou por se tornar um espelho onde enxergo quem não sou. O reflexo do zelo familiar e a distância da atenção que eu não tinha. Porém, não há culpa ou rancor aqui, somente a compreensão de que o necessário é uma necessidade. Sua presença me afastou de outras presenças porque longe delas era o único lugar onde eu me encontraria. Ele, em toda sua diferença, é o autista que não sou. Meu “contra-narciso”.

            Seu nascimento destoou da recepção ao se mostrar uma transformação na ordem das coisas. Foi o irmão que eu não aguardava, o filho que meus pais não conheciam, a pessoa que, a partir de suas estranhezas, traria outro mundo ao ensinar que todos nós somos maiores que nossos nomes.

Contato Pedro: pedropsiferreira@gmail.com

 

 

 

O AUTISMO E A TERAPIA OCUPACIONAL – Gizela Leite

A Terapia Ocupacional promove, previne, trata e reabilita indivíduos portadores de algum tipo de alteração.

Seja cognitiva, afetiva,  perceptiva ou psico-motora , decorrente ou não de distúrbio genético.      

No que tange o terapeuta ocupacional e o autismo, o objetivo global do T.O é ajudar a pessoa com autismo a melhorar a qualidade de vida num todo, tentando auxiliá-lo à independência.

      No texto abaixo, escrito por Gizela Leite, terapeuta ocupacional do Centro de Educação Municipal Educação Alternativa CEMEA/Blumenau, será abordado como se dá a intervenção do terapeuta ocupacional em relação ao autista.

O AUTISMO E A TERAPIA OCUPACIONAL

A terapia ocupacional é uma profissão da área da saúde que promove prevenção, tratamento e reabilitação de indivíduos portadores de alterações cognitivas, afetivas, perceptivas e psico-motoras, decorrentes ou não de distúrbios genéticos, traumáticos ou de doenças adquiridas por meio da utilização da atividade humana como base de desenvolvimento de projetos terapêuticos específicos. 

É uma área que tem intervenção voltada para a pessoa e seu grupo social. O objetivo é ampliar o campo de ação, desempenho, autonomia e participação, considerando recursos e necessidades de acordo com o momento e lugar, estimulando condições de bem-estar e autonomia. Por meio do fazer afetivo, relacional, material e produtivo o profissional contribui com os processos de produção de vida e saúde.

A relação do terapeuta ocupacional e o autismo se dá nas intervenções clinicas onde são trabalhadas principalmente as questões de alterações nas modulações sensoriais. Sabemos hoje que entre 40% a 85% das disfunções de integração sensoriais (alterações nas modulações sensórias) acontecem nos Autistas e na Síndrome do X Frágil. 

Integração sensorial é um processo cerebral que leva à organização e interpretação das informações que recebemos dos sentidos (equilíbrio, audição, visão gravidade, posição do corpo, movimento, toque, cheiro e paladar), para que o mundo nos faça sentido e possamos agir sobre ele. Nos autistas, este agir sobre o mundo ocorre de uma maneira peculiar e singular para cada indivíduo, pois além das dificuldades de interação social, comunicação tem uma disfunção sensorial que interfere no seu agir.

Dentro da disfunção sensorial o indivíduo pode ser caracterizado como:

Hipersensibilidade: É aquele que sente a sensação mais rapidamente mais intensamente ou durante mais tempo, que as crianças normais.

Hiposensibilidade: É aquele com respostas comportamentais diminuídas as sensações, consciência limitada da sensação, não explora o ambiente. Seus sistemas sensoriais são sub-ativados, habilidades de discriminação limitada por isso procuram estímulos.

Algumas dicas de atividades para se trabalhar com os autistas com disfunção sensorial:

 HIPERSENSIBILIDADE HIPOSENSIBILIDADE

Caixa surpresas ou sensoriais; Massinha, areia;

Massagem, abraços apertados; Brincar no balanço ou rede; Quadro de rotina; Ambientes organizados; Soprar bolas de sabão; Brincar de adivinhar a comida; Conectar o movimento ao som; Usar tampão de ouvido.

 

Pintura com os dedos; Colete de neoprene e cobertores ponderados; Brincar de estatua, Pendurar de cabeça para baixo; Carregar e ou empurrar caixas de peso; Yoga; exercícios que imitam o andar dos animais; Pique esconde com a lanterna; garrafas sensoriais: desenho pinturas colagens; Beber líquidos em garrafas ou canudos; Tentar comer algo novo antes das refeições; Escutar música calma; Brincar com instrumentos musicais.

Em todas as situações é sempre indicado o circuito motor associado ao sensorial mas sempre respeitando a singularidade e capacidade de cada indivíduo.

Durante o acompanhamento deste profissional o indivíduo deve estar ativamente envolvido, nem que no início o terapeuta será o espelho para a atividade. É permitido que se movimente, salte, alcance, balance e esbarre. É desafiado a movimentar-se e a fazer mudanças de ambientes, de forma a criar desafios cada vez mais complexos favorecendo assim a integração perceptiva motora e a socialização do autista.

Para esta intervenção dar certo é necessário além do conhecimento, mas acima de tudo o afeto ao outro e a capacidade de troca e vínculo entre terapeuta-paciente –família. Sempre tendo a parceria da escola, que acredita na inclusão e cria estratégias pedagógicas para que isto ocorra. Lembrando que as dicas de atividades servem para todos os alunos, o cuidado com o aluno autista é seguir as orientações dadas pelo profissional que atende. Afinal a informação é a melhor ferramenta que existe.

Gizela Leite

Terapeuta Ocupacional 

 

REFERENCIAS:

http://www.crefito9.org.br/terapia-ocupacional/o-que-e-terapia-ocupacional/164, ASSESSADA EM 07 DE OUTUBRO DE 2018

www.crefito9.org.br
A terapia ocupacional é uma profissão da área da saúde que promove prevenção, tratamento e reabilitação de indivíduos portadores de alterações cognitivas, afetivas, perceptivas e psico-motoras, decorrentes ou não de distúrbios genéticos, traumáticos ou de doenças adquiridas por meio da utilização da atividade humana como base de desenvolvimento de projetos terapêuticos …

 

SERRANO, P. : A Integração Sensorial no desenvolvimento e aprendizagem da criança, Editora Papa-Letras , Lisboa, 2016.

http://www.estouautista.com.br/ acessado em 07 de outubro de 2018.

www.estouautista.com.br
A maioria dos autistas sofrem de distúrbio do sono. A falta de sono leva os autistas e seus familiares a terem diversos problemas como agressividade, depressão, hiperatividade, aumento dos problemas de comportamento, irritabilidade e má aprendizagem e desempenho cognitivo.