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Adolescência: Um desafio no autismo?

A adolescência é um desafio para qualquer jovem, mas e quando temos o autismo associado a este turbilhão de emoções, hormônios e sensações?
Abaixo seguem algumas dicas e informações relevantes da nossa querida jornalista e ativista pelo autismo Fátima De Kwant, possibilitando reflexões e soluções para lidar com essa transição tão importante na vida de qualquer pessoas, mas com um olhar especial aos autistas:
Na adolescência, tudo muda: o corpo e a mente. O adolescente autista passa pelas mesmas mudanças, ainda que com alguma diferença. Alguns podem ter as mudanças físicas sem estarem preparados, psicologicamente, para elas. O corpo muda e as sensações podem ser amedrontadoras.

O autismo é um distúrbio do neurodesenvolvimento. Sendo assim, a idade mental pode não acompanhar a idade cronológica. Entender isso é meio caminho andado. Não espere do seu filho o que ele não pode dar ainda. Imagine o adolescente de 14 anos com comportamentos bem infantis, de uma criança de 5 anos. Ao mesmo tempo, pode falar como uma criança de 7 e ter a inteligência de um adulto. Impressionante? Pois é: isso é autismo. A parte social e emocional podem ser mais atrasadas do que outros adolescentes ou podem Ser mais desenvolvidas, até.

 

Um adolescente está em busca da identidade como qualquer outro. Todo adolescente quer ser “normal” como qualquer outro. Apesar disso é importante conversar com o adolescente autista sobre seu autismo e a influência do autismo no seu comportamento. Vai ajuda-lo a compreender melhor a si mesmo.

Perguntas:

1- O que está bom e o que não está? Quais as dificuldades?

2- O que está atrapalhando este adolescente?

3- Aonde deve ocorrer a mudança?

4- Quem pode colaborar com a mudança?

Um adolescente com autismo na escola

A transição para o segundo grau é um grande passo. O adolescente costuma sofrer o desafio, nessa fase, no planejamento do trabalho de casa e dos contatos sociais. É importante que o professor e a escola saibam que o aluno é autista para fazerem as adaptações  necessárias. Escolha o melhor momento, junto com a escola, para informar sobre o autismo do jovem aluno. Sugestões: um trabalho de pesquisa ou uma aula de sociologia , ou um poster na escola. Desse modo, o tema não precisa ser ligado diretamente ao adolescente autista.

Quando os colegas começam a perceber as diferenças no amiguinho, é um bom momento para explicar na classe o que é o autismo.

 

Preparação, explicações, e esclarecimentos sobre os códigos sociais

PREPARAÇÃO

A preparação para a adolescência é algo que os pais podem fazer antes que estas mudanças ocorram, com o mínimo de ansiedade. Antes de atingir a puberdade, os pais já podem conversar com a criança sobre as transformações que vão acontecer em breve, numa segunda fase. Há várias maneiras de se explicar isso, tanto para os jovens autistas verbais quanto para os não verbais, através de imagens, pictogramas, fotos, desenhos, libras, e demais métodos alternativos de comunicação.

CÓDIGOS SOCIAIS:

Por causa do autismo, pode ser que o adolescente tenha dificuldade em entender as regras não escritas na interação social. Explicação e “legenda” são importantes. Quando os pais nao conseguem fazer este trabalho, a ajuda de um coach pode ser uma boa opção.

AGRESSIVIDADE

Adolescentes podem ser malcriados. Autistas também. A diferença é que os autistas podem não entender a extensão do que falam e de como vai atingir os pais. Mas isso eles podem aprender.

Podem aprender a:

  • Respeitar os pais
  • Entender regras/limites

Agressões podem ser devido à frustração, ou falta de percepção. Os autistas, geralmente, não têm a intenção de ferir os pais.

 

 

DO ENSINO ELEMENTAR AO SEGUNDO GRAU

Mudança importante nesse período do ensino elementar ao do Segundo grau. Peça ajuda de um professor ou mediador. Ensine a essa pessoa de confiança o que o adolescente precisa na escola, assim como de suas necessidades especiais nessa fase. O adolescente autista pode ser calado, mas na sua cabeça pode haver um turbilhão de pensamentos. Fale sempre com ele, de preferência a sós.

Saber o que os filhos pensam é uma arte que muitas mães, por sinal, aprendem com a experiência. No entanto, nem sempre reflete a realidade. É importante saber o que se passa com o jovem para poder ajudá-lo.

  • Tenha paciência com o adolescente.
  • Nao precisa aceitar agressões, mas gritar de volta geralmente não adianta, piorando a situação.
  • Um time-out é melhor nessa situarão. O Time- out é quando enviamos a criança para um lugar onde se sinta seguro, onde possa se acalmar. Ao mesmo tempo, os pais tem tb a chance de se acalmarem tb. Depois do Time-out, procure um lugar calmo para conversar com o adolescente. Não se satisfaça com “ Não sei”. Juntos, descubram o que acontece (se é em casa, na escolar, com os irmãos, com amigos etc.) Deixe que o adolescente perceba que vc nao está zangado, e quer entender para poder ajudar.
  • Deixe que ele ou ela saiba que pode sempre falar com vc. E se não conseguir falar com vc, pode falar com outra pessoa em quem confiem. Dê a ele ou ela a sensação de que o que ele diz, importa. Evite, superproteger ou tomar a frente, mas sim encontrar soluções juntos.

 

Pais tem a tendência de prestar atenção ao que esta errado e a castigar. Troque por IGNORAR o que esta errado (na medida do possível) e a ELOGIAR o que esta certo. A pior coisa que o adolescente pode pensar é que é “um zero à esquerda”; que não faz nada direito.

PAIS SEM CULPA

Quando for necessário buscar ajuda, não se sinta culpado. Você quer o melhor para seu filho. Um bom coach pode oferecer este melhor.

Por fim, ainda que estejam no “olho do furacão”, tenham em mente que a adolescência passa!

 

*Fatima de Kwant é jornalista radicada na Holanda desde 1985. Ativista internacional do autismo e mãe de um autista adulto que saiu do lado severo do Espectro para o mais leve. 

 

 

 

 

 

 

 

 

AutismoS na CBN

O AutismoS foi destaque na CBN Vale do Itajaí. Nossa presidente Juliana Lanser Mayer conversou com a Jornalista Denise Bichling sobre o Setembro Branco da Inclusão.

Publicado por CBN Vale do Itajaí em Quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Entrevista com a Neuropediatra Dra. Lúcia Haertel sobre Autismo

Hoje convidamos a conceituada Neuropediatra Dra. Lúcia Haertel para responder a algumas perguntas relacionadas ao AUTISMO e trazer informações importantes acerca desse grande espectro que ainda é um desafio para a ciência e para todos que buscam melhorar o desenvolvimento dessas pessoas.

1. O que é o TEA?

O TEA é um Transtorno do neurodesenvolvimento em que a criança tem comprometimento nas habilidades de interação e comunicação social. As características essenciais do transtorno do espectro autista são: prejuízo persistente na comunicação social verbal e não verbal e na interação social associado a padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades. Esses sintomas estão presentes desde o início da infância e causam prejuízo funcional.

2. Quais os primeiros sinais para identificar autismo? Em que fase do desenvolvimento isso fica mais visível?

Não sorrir em resposta a uma interação, dificuldade de manter um contato ocular efetivo, não atender ao chamado do próprio nome, não se interessar pelo contato com outras crianças, tendência a brincar sozinho e com atividades mais repetitivas e com menor criatividade como girar rodinhas, empilhar ou enfileirar objetos. Dificuldades com brincadeiras de imitação ou faz de conta, dificuldade em participar de brincadeiras coletivas e de compartilhar experiências, Atraso no desenvolvimento da linguagem oral e ausência de elementos não verbais da comunicação como o contato ocular, gestos e expressões apropriadas.

Uma criança que ainda não fala, quando quer pedir alguma coisa, primeiro estabelece um contato ocular com o adulto e depois aponta o que quer numa tentativa de comunicação. O autista habitualmente se interessa mais pelo objeto, pega a mão do adulto e a conduz ao objeto sem interagir. As manifestações do transtorno também variam muito dependendo da idade e da gravidade do transtorno. Exceto nas formas muito leves os sintomas já podem ser percebidos entre 1 e 2 anos de idade.

3. Quais os benefícios de um diagnóstico precoce? E quais tratamentos?

O diagnóstico precoce é importante para que as estratégias de estimulação sejam instituídas o mais cedo possível. O cérebro na infância tem maior plasticidade e se estimulado poderá desenvolver habilidades. O tratamento é baseado na estimulação. É um trabalho multiprofissional. Poderão atuar psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais. As terapeutas devem não apenas estimular a criança no tempo da sessão, mas também orientar aos pais e a escola sobre como lidar com a criança. Afinal a criança passa a maior parte do tempo com a família ou na escola. Muitas vezes observamos grandes progressos apenas ensinando aos pais sobre como brincar com a criança. O tratamento que tem mais êxito é o que é direcionado às necessidades específicas da criança. Um especialista ou uma equipe experiente deve desenvolver o programa para cada criança afinal cada autista é único. Inicialmente o foco é estimular a comunicação verbal e não verbal, inibir os comportamentos atípicos, estimular determinada habilidade. Os objetivos são estabelecidos de acordo com as manifestações específicas de cada um, nível de linguagem, nível cognitivo e idade.

É importante ressaltar que a criança não precisa ter o diagnostico fechado de TEA para iniciar a estimulação. Muitas vezes é difícil na criança mais nova e nas formas mais leves fechar o diagnóstico imediatamente. No entanto se observamos atraso no desenvolvimento da linguagem ou qualquer forma atípica de desenvolvimento já podemos criar um sinal de alerta, estimular e observar a evolução da criança antes de definir o diagnóstico.

4. Tem medicação específica para autismo?

Ainda não existe uma medicação especifica que atue no sintoma principal do autismo: a dificuldade de interação e comunicação social. Embora seja uma das áreas mais pesquisadas da neuropediatra, o tratamento ainda é baseado na estimulação. Os medicamentos são usados apenas nas comorbidades ou sintomas comportamentais que podem ou não estar associados como hiperatividade, irritabilidade, déficit de atenção, autoagressividade, ansiedade, instabilidade de humor ou dificuldade para dormir.

5. A neuroplasticidade tem sido amplamente estudada nos processos de aprendizagem e muitos autistas com diagnósticos tardios buscam nesses estímulos um melhor desenvolvimento. O que você pode nos dizer sobre esse entendimento?

O cérebro mantem algum grau de plasticidade durante toda a vida e isto nos permite aprender coisas novas mesmo ao longo da idade adulta. Assim, nunca é tarde para iniciar a estimulação. Porém esta plasticidade é imensamente maior na infância até a adolescência. Portanto, em casos de atrasos de desenvolvimento, e no autismo quanto mais cedo melhor.

6. Em relação às podas neurais há procedência sobre elas afetarem ou até trazerem possíveis regressões no autismo? E ao longo da vida podemos ter quantas podas neurais?

As chamadas podas neurais fazem parte do processo de desenvolvimento e amadurecimento do cérebro. Na verdade, é um processo natural de morte neuronal e perda de sinapses que ocorre ao longo de toda a vida. No entanto, existem dois períodos em que ela é mais intensa: em torno dos 18 meses a 2 anos e na adolescência. Uma função neural é mais madura e eficiente quando são necessários menos neurônios para opera-la e com uma seleção das sinapses mais eficientes. No autismo este processo segue um caminho diferente e afeta o neurodesenvolvimento. O que observamos com frequencia é que a criança parecia estar apresentando um desenvolvimento normal e a partir dos 12 a 18 meses apresenta uma certa regressão e os sintomas do autismo se tronam mais evidentes.

7. Tem alguma novidade, pesquisa e estudo sobre TEA que gostaria de compartilhar com nossos seguidores?

Existem inúmeras pesquisas em andamento tanto no sentido de identificar os genes envolvidos assim como estabelecer algum marcador biológico e medicamentos que possam atuar no déficit primário do autismo e não apenas nos sintomas comportamentais. Acredito que nos próximos anos teremos novidades, no entanto neste momento não há nada concreto no mercado que tenha tido comprovação cientifica. Recomendo que as famílias tenham cautela, procurem profissionais habilitados e evitem confiar em propostas de tratamento milagrosas e sem fundamento cientifico que são amplamente propagadas nas redes sociais. A existência de grupos de apoio é importante para acolher os pais neste momento difícil que é o do diagnóstico. Neste momento eles estão mais sensíveis e mais propensos a caírem em certas armadilhas.

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Fanpage: Grupo de Apoio Educacional autismoS

Reportagem para o Balanço Geral sobre Setembro Branco da Inclusão

Nossa presidente, Juliana Lanser Mayer, participou do programa Balanço Geral da emissora Ric Record de Blumenau para falar sobre a importância do Setembro Branco mês da Inclusão.

Hoje o autismoS foi destaque na Rádio Clube de Blumenau

O Autismos foi destaque na Rádio Clube de Blumenau.
Nossa presidente, Juliana Lanser Mayer, conversou com a jornalista Tamara Caroline. O bate papo foi sobre o Setembro Branco, o mês da inclusão.

Bem-vindo ao nosso Blog: Com depoimento da Presidenta do Grupo Juliana Lanser Mayer.

Olá, Pessoal…

Hoje iniciaremos um espaço de comunicação com você que gosta e se interessa por autismoS.
Esse canal é uma via de mão dupla, pois contamos com sua participação nesta construção/troca de conhecimentos e experiências através de e-mails (contato@autismos.com) e comentários com dicas e sugestões para compartilharmos.
Afinal, acreditamos que inclusão é informação!

Nosso post inaugural será o depoimento da presidenta do grupo, Juliana Lanser Mayer:

“Sou Juliana, meu esposo chama-se Valcir e juntos somos pais de Letícia, Guilherme, Rafael e Gabriele.
Rafael é autista. E isso não o define!
O autismo explica o seu sistema operacional, mas não todas as funcionalidades dele.
Muitas vezes buscamos entender o AUTISMO e buscamos algumas respostas que só podem ser descortinadas, compreendidas e vivenciadas quando olhamos através da sua forma de ver, compreender e se expressar com o mundo:
– Você compreende o mundo de forma literal e vê tudo através de imagens que muitas vezes sobrecarregam seus outros sentidos. Pois bem, é quando sua forma de se comunicar fica diferente da minha (ele em inglês e eu em português) acabo me apegando às imagens para conseguir compreender tudo e então entendo um pouco mais sobre você;
– Seu hiperfoco torna-o muito bom em determinadas áreas, isso me encanta, pois o vejo feliz e pleno nesses momentos e também percebo o quanto ainda preciso aprender e o quanto muitas vezes me falta foco em determinadas áreas da vida;
– Seus interesses restritos ensinam-me maneiras diferentes de ser FLEXÍVEL, mas respeitando suas particularidades;
– Você me mostrou que realmente não sou eu que escreverei sua história, somente faço parte dela, afinal nem por um segundo pensei que ela pudesse ser como é!
– Tenho a honra de ensinar, mas também de aprender com você.
Nossa maneira, do nosso jeitinho vamos quebrando e superando a nossa forma de ver o mundo. Pois através do amor, da observação, da flexibilidade e da paciência conseguimos descobrir alguns caminhos dentro do seu autismo e na sua singularidade/individualidade para conseguir ajudá-lo.

Por isso, papais e mamães, descubram, observem e se conectem com o autismo do seu filho, pois somente conhecendo-o você conseguirá descortinar as inúmeras possibilidades, dificuldades e habilidades que se escondem atrás do AUTISMO que você vivencia dentro de casa.”

Juliana Lanser Mayer
Presidenta do Grupo de Apoio Educacional autismoS